segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Purgatório nas Tradições Protestantes







O purgatório também é encontrado entre muitos cristãos não católicos. Na verdade, os cristãos que rejeitam a doutrina do purgatório, em sua forma conscientemente articulada ou, pelo menos, os conceitos que a sustentam, estão em posição minoritária. Como argumentaremos abaixo, uma crença tão difundida entre os cristãos fora dos limites visíveis da Igreja Católica dá motivos para pensar que o purgatório é real e está tão entrelaçado com as fontes da revelação cristã que os cristãos não podem fugir dele. A crença no purgatório também é encontrada entre os cristãos protestantes, antigos e novos. O próprio Martinho Lutero estava entre os que acreditavam no purgatório, mesmo depois de iniciar o movimento protestante, embora tenha mudado de opinião posteriormente, após a Reforma. Por exemplo, em suas Noventa e Cinco Teses (1517), Lutero escreveu: “O papa faz muito bem quando concede remissão às almas no purgatório, não pelo poder das chaves, que ele não possui, mas por meio de intercessão para eles." Poucos anos depois, em sua Defesa e Explicação de Todos os Artigos (1521), Lutero reafirmou sua crença no purgatório, dizendo: “Nunca neguei a existência de um purgatório. Ainda sustento que existe, como já escrevi e admiti muitas vezes, embora não tenha encontrado nenhuma maneira de prová-lo incontestavelmente nas Escrituras ou na razão ”.


Em um de seus sermões, ele diz o seguinte: [O Espírito Santo] acende uma nova chama ou fogo em nós, a saber, amor e desejo de cumprir os mandamentos de Deus. No reino da graça, isso deve começar e crescer até o Dia do Juízo, quando não será mais chamado de graça ou perdão, mas pura verdade e perfeita obediência. Nesse ínterim, Ele continua a dar, perdoar, suportar e tolerar, até que sejamos sepultados. Agora, se continuarmos assim na fé, isto é, no que o Espírito Santo dá e perdoa, no que ele começa e termina, então o fogo no dia do julgamento, pelo qual o mundo inteiro será consumido, nos limpará e nos purificará , de modo que não precisaremos mais deste dar e perdoar, como se houvesse algo impuro e pecaminoso em nós, como realmente há no presente; certamente seremos como o brilho do querido sol, sem mancha e sem defeito, cheios de amor, como o era Adão no início no paraíso. Lutero também reconheceu a legitimidade de orar pelos mortos. Em sua Confissão sobre a Ceia de Cristo (1528), ele diz: Quanto aos mortos, visto que a Escritura não nos dá nenhuma informação sobre o assunto, considero nenhum pecado orar com devoção livre desta ou de outra forma semelhante: “Querido Deus, se esta alma está em uma condição acessível à misericórdia, sê tu gracioso com isso. " E quando isso for feito uma ou duas vezes, que seja suficiente. Lutero eventualmente mudaria sua visão sobre o purgatório, rejeitando-o como uma doutrina do diabo (1537): Portanto, o purgatório e toda solenidade, rito e comércio relacionado a ele devem ser considerados nada mais que um espectro do diabo. Pois está em conflito com o artigo principal [que ensina] que somente Cristo, e não as obras dos homens, deve ajudar [a libertar] almas. Sem mencionar o fato de que nada nos foi [divinamente] ordenado ou ordenado sobre os mortos. Outros protestantes da época da Reforma também expressaram abertura ao purgatório. Por exemplo, Philipp Melanchthon, em sua Apology to the Augsburg Confession (1531), escreveu: “Nossos oponentes citam os Padres sobre as ofertas pelos mortos. Sabemos que os antigos falavam de oração pelos mortos. Não proibimos isso. ” Outro protestante famoso que afirmou o purgatório foi o filósofo alemão dos séculos XVII e XVIII Gottfried Wilhelm Leibniz. Embora negasse o purgatório como um artigo de fé, ele acreditava que era uma realidade: "Pessoalmente, considero que uma certa punição temporal após esta vida é bastante razoável e provável."




Leibniz explica em outro lugar: A remissão de pecados que nos livra das dores do inferno em virtude do sangue de Jesus Cristo não impede, porém, que ainda haja algum castigo nesta vida ou na outra, e aquele que está reservado para nós em a outra vida que serve para purificar almas é chamada purgatório. A Sagrada Escritura insinua isso, e a razão a endossa com base em que, de acordo com as regras do governo perfeito, que é o governo de Deus, nenhum pecado deve ficar totalmente impune. O que é único sobre a visão de Leibniz do purgatório em relação a outros protestantes é que ele afirma claramente o que alguns passaram a chamar de modelo de satisfação do purgatório. O modelo de satisfação refere-se à dimensão punitiva do purgatório, em que uma alma sofre sofrimento temporário devido a ela pelos pecados perdoados passados ​​(venial e mortal) e, assim, libera a dívida da punição temporal. Como veremos abaixo, muitos protestantes modernos negam esse modelo de purgatório e adotam um modelo puramente de santificação, que diz que o purgatório é um estado intermediário pós-morte em que a alma atinge seu estado completo de santificação ou santidade por meio da limpeza de qualquer culpa remanescente de venial pecado (um pecado que “permite que a caridade subsista, mesmo que a ofenda e a fira” --CCC 1855) e purificação de apegos doentios a bens criados. O teólogo protestante alemão do século XIX e historiador da igreja Karl August von Hase também afirmou um estado intermediário pós-morte semelhante ao purgatório. Ele afirmou: A maioria das pessoas, quando morrem, provavelmente são boas demais para o inferno, mas certamente ruins para o céu. Deve ser francamente confessado que o Protestantismo dos Reformadores não é claro neste ponto, sua negação justificada ainda não havia avançado ao estágio de afirmação. Entre os protestantes modernos que afirmam o purgatório, talvez o mais famoso seja o falecido C.S. Lewis. Em suas Cartas para Malcolm, ele escreve: Nossas almas exigem o purgatório, não é? Não quebraria o coração se Deus nos dissesse: “É verdade, meu filho, que seu hálito cheira e seus trapos gotejam lama e lodo, mas somos caridosos aqui e ninguém vai repreender você com essas coisas, nem puxar longe de você. Entre na alegria ”? Não deveríamos responder: "Com submissão, senhor, e se não houver objeção, prefiro ser limpo primeiro." “Pode doer, você sabe” - “Mesmo assim, senhor.” Quer saber mais? Pré-encomende sua cópia do Purgatório é para valer hoje!

sábado, 21 de novembro de 2020

Por que as pessoas não estão mais rezando pelas almas do Purgatório?

 



"O Purgatório existe e as almas aí retidas podem ser ajudadas pelos sufrágios dos fiéis e, sobretudo, pelo santo sacrifício do altar."


O Concílio de Trento, em 1563, ensinou que o purgatório existe e que as almas aí retidas podem ser ajudadas pelos sufrágios dos fiéis e sobretudo pelo santo sacrifício do altar.

Entrar no céu e participar da glória de Deus é o anseio de cada cristão. No entanto, para que isso aconteça é preciso que a pessoa esteja totalmente purificada de seus pecados e pronta para amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e com todo o seu entendimento.

Para a expiação dos pecados existe o Purgatório. O Concílio de Trento, em sessão datada de 3 e 4 de dezembro de 1563, emitiu o seguinte decreto:
a) Já que a Igreja católica, instruída pelo Espírito Santo, a partir das sagradas Escrituras e da antiga tradição dos Padres, nos sagrados concílios e mais recentemente neste Sínodo ecumênico, ensinou que o purgatório existe e que as almas aí retidas podem ser ajudadas pelos sufrágios dos fiéis e sobretudo pelo santo sacrifício do altar, o santo Sínodo prescreve aos bispos que se empenhem diligentemente para que a sã doutrina sobre o purgatório, transmitida pelos santos Padres e pelos sagrados Concílios, seja acreditada, mantida , ensinada e pregada por toda parte.[1]

Para rezar pelas almas do Purgatório, o fiel deve exercitar três virtudes: a fé, a caridade e a justiça. Quanto a fé é preciso crer naquilo que a Igreja ensina. Como vemos acima, o Purgatório existe e ela afirma que, para ele “vão as almas das pessoas que morreram em estado de graça, mas ainda não satisfizeram completamente por seus pecados e penas temporais".[2]

Ora, a maior parte das pessoas vai para o Purgatório, isso é inegável, pois são pouquíssimas as que chegam a tão alto grau de santidade ainda nesta vida ou aquelas que, na hora da morte, receberam indulgência plenária.

Contudo, é possível ajudar as almas que, embora salvas, devem padecer suas penas. Isso pode se dar através da oração, penitência e obras de caridade, já que essas almas nada podem fazer por si mesmas e contam exclusivamente com a ajuda dos que estão ainda nesta vida. E o maior auxílio que se pode prestar a elas é a Santa Missa. O mesmo Concílio de Trento afirma em seu Cânon 3:
Se alguém disser que o sacrifício da Missa só e de louvor e ação de graças, ou mera comemoração do sacrifício realizado na cruz, porém não sacrifício propiciatório; ou que só aproveita a quem o recebe e não se deve oferecer pelos vivos e defuntos, pelos pecados, penas, satisfações e outras necessidades: seja anátema.

Antigamente havia o piedoso costume de se terminar a lista de intenções da Missa com um pedido pelas almas padecentes. Infelizmente esse gesto caiu em desuso e seria salutar recuperá-lo. Trata-se de um gesto de caridade para com aqueles que estão impossibilitados.

E a caridade é a segunda virtude a ser exercitada. Ela consiste em amar. Amar estas pessoas que são as mais necessitadas, pois nada podem fazer, estão num estado de total passividade, completamente dependentes da caridade dos que estão nesta vida. De nada adiantar rezar para aquelas almas que estão no Inferno, sua condição é eterna; nem para aquelas que já estão no Céu, pois são elas que intercedem pelos vivos. O dever de caridade de cada um é, portanto, pedir por aqueles que padecem suas penas no Purgatório.

Nossa Senhora, em Fátima, ensinou a rezar do seguinte modo: “Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem". E as que mais precisam são justamente as que estão no Purgatório.

A terceira virtude que deve ser exercitada é a Justiça. Ela possui dois aspectos: o primeiro é o da piedade para com os antepassados. Existe uma obrigação filial em se rezar pela ascendência. Deve-se a própria vida a cada um deles.

O segundo aspecto é por causa da justiça em seu sentido estrito, ou seja, quantas pessoas não estão no Purgatório padecendo por nossa culpa? Os maus exemplos, a cumplicidade no pecado, os maus conselhos; quantas pessoas foram levadas ao pecado por nossa causa e hoje, falecidas, estão pagando no Purgatório e se purificando para ver a Deus por nossa culpa? Portanto, é obrigação de justiça rezar por elas.

Assim, urge exercitar as três virtudes, recuperando a prática de piedade que a Igreja acalenta há tantos séculos que é rezar pelos falecidos.
Referências
Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, Denzinger-Hünnermann, nº 1820
Idem, M:2bc
Ibidem, nº 1753


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

De Profundis: Salmo CXXIX de David

 De Profundis:

Salmo CXXIX de David Desde el profundo abismo de mis penas a Ti clamo, Señor, de noche y día; oye, mi Dios, los incesantes ruegos de un corazón contrito que se humilla. Estén gratos y atentos tus oídos a mi voz lamentable y dolorida: a Ti mis ayes y gemidos lleguen pues a escucharlos tu piedad se inclina. ¿Si siempre airado tus divinos ojos sobre las culpas de los hombres fijas, quién estará confiado en tu presencia, confundiéndonos sólo ante tu vista? Más la eterna palabra de tu seno que aplaque espero tus terribles iras; porque son inefables tus promesas y con tus gracias pecador invitas. Así aunque mi alma acongojada gime contemplando el rigor de tu justicia, por tu palabra la indulgencia espera, de que la hacen culpas tan indigna. ¡Oh pueblo electo! De mañana y noche, en todos tus peligros y fatigas, acógete al Señor con la confianza que en su ley soberana nos intima. Porque es inagotable su clemencia; se muestra con los flacos compasiva; de todas sus miserias los redime, y siempre que le claman los auxilia. Este Dios abrevie el tiempo en que logre Israel su eterna dicha cuando de tus pecados la liberte, que con tanto rigor la tiranizan. Gloria Réquiem aeternam: Dales, Señor, el descanso eterno Y brille para ellos la luz perpetua De las puertas del infierno Saca, Señor, sus almas, Descansen en paz. Amén. También se puede terminar con un Padre Nuestro y un Réquiem más (“Dales, Señor, el descanso eterno y brille para ellos la luz perpetua”) Indulgencias para quien rece De Profundis seguido del Réquiem aeternam: El Papa Clemente XII, el 14 de agosto de 1736 concedió 100 días de indulgencia a quienes recen arrodillados y devotamente el De Profundis seguido del Réquiem aeternam y concede Indulgencia Plenaria, a los que la rezaren por un año. El día es a elección de cada cual, confesados y comulgando. Las oraciones se deben realizar al oscurecer.

CORONILLA DE LOS CIEN REQUIEM POR LAS ALMAS DEL PURGATORIO con letanías para los difuntos

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Coronilla Cien Réquiem por las Almas del Purgatorio.

 

Um jeito infalível de se livrar do Purgatório: recorrer a Nossa Senhora do Carmo

 




As promessas de salvação que acompanham o escapulário estão sujeitas às retas disposições da pessoa que o usa

Há um local perto de onde o profeta Elias morava que é um dos lugares mais “bíblicos” da terra. Está a 530 metros acima do nível do mar, pairando alto sobre a costa do Mediterrâneo. Foi lá que Elias rezou a Deus, pedindo que Ele salvasse Israel de uma seca terrível.

Ele orou e pediu a seu servo que subisse a montanha e procurasse sinais de chuva. Na sétima tentativa, o servo de Elias retornou, exclamando: “Eis que uma pequena nuvem que parece com o pé de um homem se levantou do mar”. Logo depois, chuvas torrenciais caíram sobre a terra seca. As plantações cresceram, os animais prosperaram e as pessoas foram salvas. O lugar se chama Monte Carmelo.

Ao longo dos séculos, muitos eremitas viveram lá e, seguindo o exemplo de Elias, rezavam continuamente pela chegada da tão esperada Virgem que se tornaria a mãe do Messias. Os primórdios da Ordem Carmelita remontam a Elias e aos eremitas do Monte Carmelo. Muitos consideram esses eremitas os primeiros carmelitas. Eles viveram na região durante os séculos XII e XIII e construíram uma capela dedicada à Virgem Maria, a quem chamavam de Estrela do Mar.

No século XIII, Simon Stock estava em peregrinação à Terra Santa. Ele foi eleito o sexto superior geral dos carmelitas. No domingo, 16 de julho de 1.251, Simon Stock estava ajoelhado em oração quando Nossa Senhora apareceu para ele. A Santíssima Mãe disse-lhe:

“Recebe, meu filho, este escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este escapulário será preservado do fogo eterno”.

O escapulário tornou-se conhecido como Escapulário Marrom, para diferenciá-lo de outros sacramentais promovidos por membros de ordens religiosas. Seis meses depois, em 13 de janeiro de 1252, a ordem recebeu uma carta de proteção do Papa Inocêncio IV, defendendo-os de qualquer assédio ou negação deste evento.

Com base na tradição da Igreja, três condições devem ser cumpridas para obter os benefícios deste do escapulário:

(1) Usar o Escapulário Marrom devidamente abençoado por um sacerdote;

(2) Observar a castidade de acordo com o estado da vida;

(3) Rezar o Rosário.

O dia da festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo é 16 de julho, o mesmo dia em que apareceu a Simon Stock. É interessante notar que Simon Stock nunca foi oficialmente canonizado, apesar de ser venerado pelos carmelitas desde 1564. E com a aprovação do Vaticano, ele teve sua festa definida para o dia 16 de maio.


O purgatório descrito por pessoas que já estiveram lá

 


Confira o relato de pessoas que tiveram esta experiência extraordinária e a contam detalhadamente

A tradição litúrgica expôs, desde o início dos tempos, a existência de uma condição na qual as almas permanecem depois da morte e se purificam para poder alcançar em algum momento a glória plena. É o chamado “purgatório”, palavra que vem do latim “purgare” e é narrada no Catecismo da Igreja Católica como um estado intermediário no qual estão “os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados” (1030).

Esta purificação que aperfeiçoa a cura e libertação é uma realidade escatológica, verdade de fé, que foi proclamada desde os primeiros tempos do cristianismo, afirmada por santos, papas e pelo testemunho da própria Nossa Senhora em algumas das suas aparições. Para aprofundar no tema, você pode ler o artigo “O que é o purgatório?”.

Um “fogo de amor”

Bento XVI abordou este dogma de fé durante uma catequese de janeiro de 2011, na qual explicou que o purgatório não é tanto um “espaço”, mas um “fogo interior” que purifica a pessoa e a prepara para contemplar Deus.

Naquela ocasião, Bento XVI recordou as palavras de Santa Catarina de Gênova, que, conta, em sua obra “Tratado do Purgatório”, uma revelação particular. É uma experiência mística na qual ela descreve que “a alma separada do corpo, quando se encontra naquela pureza em que foi criada, vendo-se com tal impedimento, que não pode ser eliminado a não ser por meio do purgatório, imediatamente se lança a ele, com toda a sua vontade”.

Com extraordinária precisão, esta mulher italiana do século XVI afirma: “Não acho que seja possível encontrar um contentamento comparável à de uma alma no purgatório, a não ser a dos santos no Paraíso. Este contentamento cresce cada dia pela influência de Deus nessas almas, e mais ainda na medida em que vão se consumindo os impedimentos que se opõem a esta influência”.

Doutrina de fé

A certeza do purgatório nasce na Bíblia e posteriormente os doutores da Igreja (Agostinho, Gregório Magno e São Crisóstomo) formularam uma extensa e enriquecedor doutrina da fé. Tais abordagens sobre o purgatório foram respaldadas pelos sagrados concílios de Florença (1439) e Trento (1563). Mas também são confirmados por testemunhos de dezenas de pessoas, que expõem sua experiência sobre a existência de almas que buscam a comunhão com Deus.

Um destes valiosos tesouros vem de Santa Maria Faustina Kowalska, religiosa polonesa canonizada em 2001 pelo Papa João Paulo II. Vivendo sua vocação na década de 30, ela foi testemunha de diversas aparições de Jesus na advocação da misericórdia. Foi o próprio Filho de Deus quem lhe revelou aquilo que a santa narra em seu diário de vida.

Faustina conta que, guiada pelo seu anjo da guarda, visitou o purgatório: “Encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo, e, dentro deste, uma multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. (…) O maior sofrimento delas era a saudade de Deus. Vi Nossa Senhora que visitava as almas no Purgatório. As almas chamam a Maria ‘Estrela do Mar’. Ela lhes traz alívio. Meu anjo da guarda me fez um sinal para sair. Saímos dessa prisão de sofrimento. Ouvi uma voz interior que me disse: ‘Minha misericórdia não deseja isso, mas a justiça o exige’”.

O amigo do Padre Pio que esteve no purgatório

O frei Daniele Natale foi um sacerdote capuchinho italiano que se dedicou a missionar em terras hostis durante a 2ª Guerra Mundial. Ele socorria os feridos, enterrava os mortos e salvava os objetos litúrgicos. Em meio a este cenário, em 1952, na clínica “Regina Elena”, ele recebeu o diagnóstico de câncer.

Com esta triste notícia, ele foi ver o Padre Pio, seu amigo e guia espiritual, quem lhe insistiu para que tratasse sua doença. O frei Daniele viajou a Roma e encontrou o médico que lhe haviam recomendado, Dr. Riccardo Moretti. Este médico, no começo, não queria realizar a cirurgia, porque tinha certeza de que o paciente não sobreviveria. Mas, influenciado por um impulso interior, acabou aceitando o desafio.

A intervenção foi realizada no dia seguinte pela manhã. Apesar da anestesia local, o frei Daniele continuou consciente. Ele sentia dor, mas não manifestava: pelo contrário, estava contente por poder oferecer seu sofrimento a Jesus. Mas, ao mesmo tempo, ele tinha a sensação de que esta dor estava purificando sua alma dos pecados. Depois de algum tempo, ele sentiu que dormia. Para os médicos, ele havia entrado em coma, na qual permaneceu durante três dias, falecendo logo depois. Redigiram o atestado de óbito confirmado pelos médicos e seus familiares se aproximaram do seu leito para rezar pelo defunto. No entanto, após algumas horas, o “morto” voltou à vida.

Três horas de purgatório

O que será que aconteceu com o frei Daniele durante aquelas horas? Onde esteve sua alma? O frade relatou sua experiência no livro “Fra Daniele reconta”. Deste escrito, compartilhamos os seguintes trechos:

“Eu estava em pé diante do trono de Deus. Pude vê-lo, mas não como um juiz severo, e sim como um Pai carinhoso e cheio de amor. Então, percebi que o Senhor havia feito tudo por amor a mim, que havia cuidado de mim do primeiro ao último instante da minha vida, amando-me como se eu fosse a única criatura existente sobre esta terra. Percebi também, no entanto, que eu não só não havia correspondido a este imenso amor divino, senão que havia descuidado dele. Fui condenado a duas-três horas de purgatório.

‘Mas como? – perguntei-me. Somente duas-três horas? Depois vou permanecer para sempre junto a Deus, eterno amor?’. Deu um pulo de alegria e me senti como um filho predileto. (…) Eram dores terríveis, que não sei de onde vinham, mas se sentiam intensamente. Os sentidos que mais haviam ofendido Deus neste mundo: os olhos, a língua, sentiam maior dor e era algo incrível, porque no purgatório a pessoa sente como se tivesse o corpo e conhece, reconhece os outros como ocorre no mundo.

Oração

Enquanto isso, não haviam passado mais que uns poucos minutos dessas penas e já me pareciam uma eternidade. Então pensei em pedir a um irmão do meu convento que rezasse por mim, porque eu estava no purgatório. Esse irmão ficou impressionado, porque sentia a minha voz, mas não me via. Ele perguntava: ‘Onde você está? Por que não consigo vê-lo?’ (…) Só então percebi estar sem corpo. Me contentei com insistir-lhe que rezasse muito por mim e fui embora.

‘Mas como? – dizia eu a mim mesmo. Não seriam só duas ou três horas de purgatório? Mas já se passaram 300 anos!’ – pelo menos esta era a minha impressão. De repente, a Bem-Aventurada Virgem Maria apareceu para mim e lhe supliquei, implorei, dizendo-lhe: ‘Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, obtém para mim do Senhor a graça de retornar à terra para viver e agir somente por amor a Deus!’.

Percebi também a presença do Padre Pio e lhe supliquei: ‘Pelas suas dores atrozes, pelas suas benditas chagas, Padre Pio meu, reze por mim a Deus, para que me liberte destas chamas e me conceda continuar o purgatório sobre a terra’. Depois não vi mais nada, mas percebi que o Padre Pio conversava com Nossa Senhora (…). Ela inclinou a cabeça e sorriu para mim.

Naquele exato momento, recuperei a possessão do meu corpo. (…) Com um movimento brusco, me livrei do lençol que me cobria. (…) Os que estavam velando e rezando, assustadíssimos, correram para fora do quarto, para buscar os enfermeiros e médicos. Em poucos minutos, o hospital virou uma bagunça. Todos pensavam que eu era um fantasma.”

Agora eu acredito

No dia seguinte pela manhã, o frei Daniele se levantou sozinho da cama e se sentou em uma poltrona. Eram sete horas. Os médicos geralmente visitavam os pacientes às nove. Mas, neste dia, o Dr. Riccardo Moretti, o mesmo que havia redigido o atestado médico de óbito do frei Daniele, havia chegada mais cedo ao hospital. Ele parou na frente do frade e, com lágrimas nos olhos, disse-lhe: “Sim, agora eu acredito em Deus e na Igreja, acredito no Padre Pio!”.

O frei Daniele teve a oportunidade de compartilhar sua dor com Cristo durante mais de 40 anos após estes acontecimentos. Ele faleceu em 6 de julho de 1994, aos 75 anos, na enfermaria do convento dos Irmãos Capuchinhos de San Giovanni Rotondo (Itália).

Em 2012, foi aberta sua causa de beatificação e hoje ele é considerado Servo de Deus.


https://pt.aleteia.org/2020/11/01/o-purgatorio-descrito-por-pessoas-que-ja-estiveram-la/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt


"Não se esqueçam de nós." As benditas almas do purgatório (um testemunho impactante)




Suas orações e sacrifícios oferecidos por essas almas ajudam-nas muito

Nestes dias de jejum e oração, gosto de me lembrar dessa história incrível que uma vez lhe contei e ainda me leva a refletir sobre nossas vidas.

Alguns anos atrás, eu costumava entrar em locais católicos à noite para trocar opiniões e compartilhar histórias edificantes. Uma noite, ocorreu-me sugerir: “E se cada um contar uma história de algo que o impactou em sua vida e que tem a ver com a nossa fé?”

Todos adoraram a ideia e, um a um, compartilhamos nossas experiências. A última participante foi uma mulher. Ela contou a história que você lerá a seguir. Foi tão impressionante que ao longo dos anos não consegui esquecer e a compartilho sempre que posso.

“Era um domingo. Celebraríamos a primeira comunhão da minha filha. Saímos cedo em família para a igreja. No caminho, enquanto dirigia o carro, por um motivo que ainda não entendi, lembrei-me das indulgências que a Igreja concede “em virtude do poder de ligar e desligar que lhe foi concedido por Jesus Cristo” (Catecismo 1478).

Eu sabia que a indulgência é “a remissão diante de Deus da pena temporal pelos pecados” e pensei: “Durante a Primeira Comunhão, você pode pedir a Indulgência Plenária. Vou oferecê-la à alma que mais precisa de orações no Purgatório, das quais ninguém se lembra.” E então eu assim o fiz.

A cerimônia religiosa terminou e voltamos para casa felizes. Quando coloquei a chave na fechadura da porta, uma brisa me envolveu e ouvi claramente uma voz suave perto do meu ouvido, que me dizia: “Obrigado”.

Sabemos da cidade celestial, da eternidade, que ninguém manchado entrará nela (Apocalipse 21, 27). O que acontece então se você morrer em pecado venial com a alma manchada, sem pureza absoluta? Existe purgatório?

O Catecismo de nossa Santa Mãe Igreja nos diz: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados.” (1030-1031)

A Bíblia Sagrada faz referências claras ao Purgatório, em várias passagens:

“(…) a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo. (1 Coríntios 3, 13-15)

Suas orações e sacrifícios oferecidos por essas almas ajudam-nas muito.

É sabido o caso de uma mulher que morreu e foi salva pelas orações de um velho devoto que, na cabana de uma montanha, soube da trágica morte dessa mulher, sentiu compaixão por ela e ofereceu suas orações a Deus por sua salvação.

Nestes dias sagrados, de oração, jejum e sacrifícios, lembre-se de nossas irmãs, as Benditas Almas do Purgatório. Elas aguardam ansiosamente suas orações para se libertarem de sua purificação e poderem chegar ao Céu. É um ato de caridade que agrada a Deus.

O que posso fazer pelas Benditas Almas do Purgatório para ajudá-las a desfrutar da bem-aventurança eterna? Há tantas coisas ao nosso alcance, especialmente durante a Quaresma. Orar é o principal.

  • Reze o Santo Rosário todos os dias no sacrário
  • Ofereça a Santa Missa por elas
  • Ofereça sacrifícios
  • Ofereça a Santa Comunhão

Deus te abençoe por tanta bondade!


https://pt.aleteia.org/2020/02/28/nao-se-esquecam-de-nos-as-benditas-almas-do-purgatorio-um-testemunho-impactante/



segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Finados é dia de reflexão, de saudade e esperança

 O dia de finados, é dia de reflexão, de saudade e de esperança.


A morte é ainda assunto-tabu, recalcado, silenciado. Preferimos viver como se a morte não existisse. Mas, na sociedade atual a morte é também trivializada com as guerras, calamidades, eutanásia, aborto, acidentes com auxílio da mídia. Há os que preferem fazer da morte uma experiência soft, é a “morte-soft”, relegada aos hospitais, funerárias e religiões. Aí a morte é maquiada, relativizada pelas instituições, chamada também de “morte digna”. Muitos de nós vivemos uma “vida inautêntica”, uma existência falsa porque não nos permitimos refletir e aceitar a morte.

A dura realidade é que a morte faz parte da vida, é o fim do curso vital, é uma invenção da própria vida em sua evolução. Morrer é uma experiência profundamente humana. Aliás, é a morte que confere um certo gosto e encanto à vida, pois se tudo fosse indefinidamente repetível, a vida se tornaria indiferente, insossa e até desesperadora. E então, a morte é um bem, uma manifestação da sabedoria do Criador. “Nada mais horrível que um eterno-retorno” (Sto Agostinho). Vemos assim que a morte não se opõe à vida, mas ao nascimento. A vida humana será sempre uma “vida mortal”, só na eternidade teremos uma “vida vital”.

Para os que crêem na eternidade, a morte é porta de entrada da vida, o acesso a uma realidade superior, a posse da plenitude. Assim a morte é um ganho, verdadeira libertação, uma bênção que livra a vida do tédio. Porém, do ponto de vista racional ou filosófico, a morte repugna. Budha escreveu: “O homem comum pensa com indiferença na morte de um estranho, com tristeza na morte de um parente e com horror na própria morte”. Outro pensador, Epiteto, disse: “Quando morre o filho ou a mulher do próximo, todos dizem: é a lei da humanidade. Mas, quando morre o próprio filho ou a própria mulher, o que se ouve são gemidos, gritos e lágrimas”.

A ressurreição de Jesus trouxe uma revolução em relação à morte, transformou o “poente em nascente”, Cristo “matou a morte”. Bem escreveu o poeta Turoldo: “morrer é sentir quanto é forte o abraço de Deus”. O fim transforma-se em começo e acontece um segundo nascimento, a ressurreição. “Então, descansaremos e veremos. Veremos e amaremos. Amaremos e louvaremos. Eis o que haverá no Fim que não terá fim” (Sto Agostinho). A fé nos garante que a morte não é uma aniquilação da vida, mas uma transformação. O homem vive para além da morte. Não precisa reencarnar. Creio na ressurreição da carne e no mundo que há de vir. A morte será então a maior festa da vida porque com ela dá-se o início da plena realização da pessoa humana. Habitaremos com Deus com um corpo incorruptível, espiritual e glorioso.

Com Santa Terezinha, todo cristão pode dizer: “Não morro, entro na vida”.  A morte não é apenas um fim, ela é também e principalmente um começo. É o início do dia sem ocaso, da eternidade, da plenitude da vida. A vida é imortal espiritualmente falando. Na morte chegamos a ser plenamente “ Teu rosto Senhor é nossa pátria definitiva”. No céu veremos, amaremos, louvaremos, diz Santo Agostinho. A participação na vida divina faz brotar em nossos corações, assombro e gratidão. Sem fé, porém a morte é absurdo, inimigo, derrota, ameaça, humilhação, tragédia, vazio, nada. Na fé, a morte é irmã, é condição para mais vida, é coroamento e consumação; é revelação e glória do bem.

Por fim, a morte tem um valor educativo: ensina o desapego da propriedade privada, iguala e nivela todas as classes sociais, relativiza a ambição e ganância, ensina a fraternidade universal na fragilidade da vida, convida à procriação para eternizar a vida biológica, rompe o apego a circuito fechado entre as pessoas mesmo no matrimônio, leva ao supremo conhecimento de si e oportuniza a decisão máxima e a opção fundamental da pessoa.

Para morrer bem, é preciso viver fazendo o bem: “levaremos a vida que levamos”.  O bem é o passaporte para a eternidade feliz e o irmão que ajudamos será o avalista de nossa glória no céu: “Vinde benditos”.

Dom Girônimo Zanandréa

http://catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/finados/18.htm

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