sábado, 9 de março de 2019

Manuscrito do Purgatório - Verdadeiras e falsas aparições

Verdadeiras e falsas aparições


Há verdadeiras e falsas aparições. Estas muito mais frequentes do que aquelas. Como distingui-las? Há sinais pelos quais facilmente podemos nos livrar de enganos e afastarmos perigo da ilusão diabólica. Devemos imitar sempre a reserva prudente da santa Igreja nesta matéria.A Igreja não admite revelação alguma que não for devidamente comprovada, e ainda assim, não obriga os fiéis a nela acreditar. Ninguém é obrigado a acreditar numa revelação particular por mais provada que tenha sido. Não obstante, depois de bem provadas, seria temerário abusar com urna sistemática atitude de ceticismo, diante do que os santos e homens doutos e equilibrados aceitaram e provaram não haver ilusões.Há verdadeiras e falsas aparições. Estas muito mais frequentes do que aquelas. Como distingui-las? Há sinais pelos quais facilmente podemos nos livrar de enganos e afastarmos perigo da ilusão diabólica. Devemos imitar sempre a reserva prudente da santa Igreja nesta matéria.
Diz Bento XIV que podem os fiéis acreditar e podem ser publicadas as revelações particulares para edificação dos fiéis, contanto que sejam aprovadas pela autoridade eclesiástica. O Papa Urbano VIII manda que ao serem publicadas, declare o autor em nada querer se adiantar aos juízos da Igreja, e que tais fatos merecem apenas uma fé humana e não importam em definição da Santa Madre Igreja.
Eis as cautelas com que a Igreja cerca as aparições. 
Há também regras seguras para discernimento das revelações segundo os bons autores da espiritualidade e os melhores teólogos. Umas se referem às pessoas que recebem as revelações, e outras matérias das revelações os efeitos das mesmas. Quanto às pessoas é mister indagar dos dotes naturais. É um temperamento equilibrado? Não se trata de uma psiconeurose ou de histerismo? Nestes casos, quantas alucinações perigosas e difíceis de serem discernidas logo de começo! Quanto ao estado mental, é pessoa discreta, de juízo reto, ou de imaginação exaltada e de sensibilidade excessiva? É instruída ou ignorante? Onde aprendeu o que sabe? Não estaria com o espírito debilitado por jejuns ou por alguma enfermidade? Quanto ao moral, é mister saber se se trata de pessoa sincera ou acostumada a exagerar e mentir. É um temperamento calmo, ou apaixonado e sem equilíbrio? A resposta a esta pergunta não dará, certamente, uma solução para a prova da existência ou não de uma revelação verdadeira, mas ajudará muito a julgar do valor o testemunho dos videntes.
Quanto à matéria das aparições é mister muita atenção para julgá-las. Segundo a doutrina unânime dos Doutores, nenhuma revelação pode contradizer o dogma e o que foi ensinado pelo Evangelho. Diz São Paulo: ainda que um anjo do céu vos pregue um evangelho diferente do qual anunciamos, seja anátema (3). Deus não se contradiz. Nas falsas aparições há mentiras, erros teológicos graves, contradições e muitas vezes coisas contrárias às leis da moral e da decência.
Muitas pessoas de imaginação muito viva tomam seus próprios ensinamentos por visões e locuções interiores. Diz Santa Teresa: “Acontece com certas pessoas de tão fraca imaginação que se embebem de tal maneira na imaginação que tudo o que pensam claramente lhes parece que estão vendo” (4).

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Manuscrito do Purgatório- O Purgatório nas visões de uma mística canadense


O Purgatório nas visões de uma mística canadense


Em 14 de março de 1910 faleceu na cidade de Pointe Claire, no Canadá, uma mulher extraordinária, santa mãe de família, um modelo de esposa e cristã verdadeira, madame Brault, Maria Luiza Richard. A publicação da vida extraordinária e maravilhosa desta grande mística, há bem pouco, causou sensações em todo mundo, tais os prodígios contados e provados desta mulher que se pode enfileirar ao lado de Ana Taigi e das grandes místicas da Igreja. Dotada de uma grande simplicidade, espírito bem equilibrado e sensato, de uma piedade muito provada e sincera, hoje está perfeitamente averiguado que não se tratava de nenhum espírito mistificador nem de alguma falsa visionaria. Teólogos e prelados ilustres examinaram os atos, confessores doutos e esclarecidos depuseram como testemunhas fidedignas no exame dos fatos impressionantes da vida maravilhosa desta grande mística de nosso século. Madame Brault tinha contato com as almas do purgatório e como o Santo Cura d’Ars podia dar testemunho da sorte das pobres almas. Dizia ela chorando, num dia de Finados: “Os egoístas da terra se esquecem dos mortos. Como deve ser cruel para as pobres almas do purgatório o abandono dos homens!” Dizem que amam os pais e parentes defuntos! Que mentira! Nós que amamos a Deus devemos amar nossos amigos do purgatório todos os dias de nossa vida. Eu quisera ser capaz de sofrer sozinha tudo o que padecem as almas do purgatório para poder liberta-las!”.
Madame Brault teve muitas visões das almas do purgatório. Elas lhe pediam orações, Missas e sacrifícios. As pessoas que ela via eram desconhecidas às vezes e fizeram inquéritos rigorosos de datas, lugares e circunstancias, chegando-se a conclusão da impossibilidade de qualquer mistificação. Eram impressionantes as revelações desta mística. Em 1905, uma religiosa acompanhada de outra foi visitar madame Brault: “Não quero visitar esta louca”, disse a Mestra de noviças. – “Ó, minha irmã, não diga assim! Madame é tão equilibrada e santa, tão discreta e humilde!” Afinal tiveram uma entrevista com ela. Foi uma conversa amável e singela. Depois de alguns instantes, madame Braut chamou a Irmã e disse: “Minha irmã, a senhora não reza mais para seus parentes falecidos?”
– Meus parentes morreram há muito tempo e eram muito bons, devem estar no céu.
– Sim, vosso pai e vossa mãe, estão no céu. Um irmão, porém, morreu repentinamente em tal lugar e tal data, e um sobrinho. E a senhora nunca mais rezou por eles. É preciso dizer ao seu sobrinho que vai se ordenar, que diga logo algumas Missa por seu tio.
A religiosa pasmou diante do que ouvira. Era impossível que madame tivesse tido informações tão fiéis de seus parentes. Outra Irmã perdera o pai em 31 de julho de 1903. Madame Brault lhe disse: “Tenha confiança, Irmã, seu pai está no céu. Tinha ele uma grande devoção à Santíssima Virgem, gostava de rezar o rosário e morreu num sábado. Naquele sábado mesmo Nossa Senhora o fez entrar no céu”.
Ela nunca ouvira falar deste homem, e não lhe era possível conhecer tal pessoa.
“Sejamos libertadores das almas do purgatório, repetia ela depois dos êxtases. Nosso Senhor nos deu as chaves da prisão do purgatório: a oração, o sofrimento, o sacrifício…”
No dia 21 de dezembro de 1907, na relação que foi obrigada a fazer por escrito ao seu diretor espiritual, viu ela um padre no purgatório. Estava revestido de ornamentos sacerdotais e com um cálice todo em fogo. As mãos pareciam roídas e apareciam até os ossos. Ulceras por todo o corpo e torturas horríveis. A vista deste tormento, madame Brault gemeu: “Ó meu bem Amado, meu Jesus, quero sofrer por esta alma; por que não me dais a graça de sofrer mais para alivia-la? Depois vi Jesus se aproximar do padre e derramar sobre aquelas chagas seu precioso Sangue. As chagas se cicatrizaram e as cadeias do pobre sacerdote caíram. Depois meu Jesus me disse que libertaria aquela alma pelas minhas orações. A face do padre ficou limpa das ulceras, uma bela estola rocha lhe adornava o pescoço e os paramentos me pareceram mais brilhantes e belas. Jesus me disse que libertaria a alma do sacerdote”.
No dia de Finados de 1908, foi ao cemitério rezar pelos mortos e viu, madame Brault, muitos mortos que lhe apareciam saindo das sepulturas em queixas doridas de cortar o coração: Estamos esquecidos de nossos parentes! Não rezam por nós! Nossos amigos nos esqueceram, nos abandonaram!!!
Fez ela uma Via Sacra pelos defuntos e se retirou muito amargurada, pelo esquecimento dos pobres mortos.
“Compreendo, dizia ela ao confessor, o martírio das pobres almas nas chamas do purgatório!” Viu um padre conhecido, no purgatório que lhe disse: “Eu sofro muito, por ter rezado tantas vezes meu breviário quase sem pensar que falava com Deus e por rotina e também pela minha pouca preparação e ação de graças muito rápida depois da santa Missa”.
Enfim, seria longo narrar as impressionantes visões do purgatório de madame Brault, a grande mística de nossos dias. A biografia desta mulher extraordinária foi publicada pelo P. Lous Bauher, S.S., antigo pároco da vidente. É a obra “Une mystique canadienne – Vie extraordinaire de Madame Brault » – Edition Beauchemin, 1941.

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O Papa que veio do Purgatório pedir orações a uma santa

Surpresa por ver um espectro envolto em chamas, esta santa descobriu que estava diante de ninguém menos que o Papa. Conheça a história desta impressionante aparição.

Efígie do Papa Inocêncio III, representado como um dos maiores legisladores da história, esculpida por Joseph Kiselewski em 1950 e presente no Capitólio dos EUA.

Permitam-me contar-lhes uma famosa aparição de um Papa a uma santa.

O Papa Inocêncio III morreu no dia 16 de julho de 1216. No mesmo dia, ele apareceu a Santa Lutgarda, no monastério de Aywières, região central da Bélgica. Surpresa por ver um espectro envolto em chamas, ela perguntou de quem se tratava e o que queria.

“Sou o Papa Inocêncio”, ele respondeu.

“Mas seria possível que o senhor, nosso pai comum, se encontrasse em um estado assim?”, ela perguntou.

“Sim, eu de fato me encontro neste lugar”, ele respondeu. “Estou expiando três faltas que teriam causado minha perdição eterna. Graças à bem-aventurada Virgem Maria, obtive o perdão delas, mas tenho de fazer reparação. Ai de mim! Aqui é terrível e isto durará por séculos, se tu não vieres em meu auxílio. Em nome de Maria, que obteve para mim o favor de recorrer a ti, ajuda-me.”

Depois de dizer estas palavras, ele desapareceu.

Lutgarda anunciou a morte do Papa a suas irmãs, e juntas elas se dedicaram à oração e a obras penitenciais em favor do augusto e venerável Pontífice, cujo falecimento lhes foi comunicado algumas semanas depois, vindo de outra fonte.

Devo admitir que a leitura deste incidente me impactou muito e eu com prazer o deixaria passar em silêncio, pois relutava em pensar que um Papa, e ainda mais este Papa, tivesse se condenado a um Purgatório tão longo e terrível.

Sabemos que Inocêncio III, que presidiu em 1215 o célebre Concílio de Latrão, foi um dos maiores Pontífices a se sentar no trono de S. Pedro. Seu zelo e sua piedade levaram-no a realizar grandes feitos pela Igreja de Deus e pela santa disciplina. Como admitir, então, que um homem dessa estirpe fosse julgado com tamanha severidade pelo Tribunal Supremo? Como reconciliar essa revelação de Santa Lutgarda com a misericórdia divina?

Por conta dessas questões, passei a tratar essa aparição como algo ilusório, procurando por razões que dessem suporte a essa ideia.

O que descobri, no entanto, ao contrário disso, foi que a veracidade dessa aparição é admitida pelos mais sérios autores, não sendo rejeitada por nenhum sequer. Ademais, o biógrafo dessa santa, Tomás de Cantimpré, é muito transparente ao escrever e, ao mesmo tempo, bastante reservado. “Devo explicar, leitor”, ele escreve ao fim de sua narrativa, “que foi da própria boca da piedosa Lutgarda que eu ouvi as faltas reveladas pelo defunto, as quais eu omito aqui por respeito a um tão grande Pontífice.”

À parte isso, considerando o evento em si mesmo, poderíamos encontrar uma boa razão para questioná-lo? Não sabemos nós, afinal de contas, que Deus não faz acepção de pessoas — e que os Papas aparecem diante do seu tribunal, portanto, assim como o mais humilde dos fiéis —, que todos, grandes e pequenos, são iguais diante dEle, e que cada um recebe de acordo com suas obras? Não sabemos igualmente que aqueles que governam os outros têm uma grande responsabilidade, e terão de fazer uma severa prestação de contas?

Os Papas aparecem diante do tribunal de Deus assim como o mais humilde dos fiéis.

Judicium durissimum his, qui praesunt, fiet: “Será duríssimo o juízo dos que governam” (Sb 6, 6). É o Espírito Santo quem o declara. Pois bem, Inocêncio III reinou por dezoito anos e durante tempos muito turbulentos; além disso, acrescentam os Bolandistas, não está escrito que os julgamentos de Deus são inescrutáveis, e com frequência muito diferentes dos julgamentos dos homens? Judicia tua abyssus multa: “Teus juízos são como o grande abismo” (Sl 35, 7).

A realidade dessa aparição não pode, portanto, ser razoavelmente posta em dúvida e eu não vejo nenhuma razão para omiti-la, dado que Deus não revela mistérios dessa natureza senão com o fim de que sejam conhecidos para a edificação de sua Igreja.

Referências
Extraído e levemente adaptado da obra “Purgatory: Explained by the Lives and Legends of the Saints” (c. XXII), Londres: Burns & Oates, 1893, pp. 71-73.

sábado, 2 de março de 2019

A Esperança da Vida Nova em Cristo


"Afugenta, Senhor, com a luz diurna de tua sabedoria, as trevas noturnas de nossa mente, para que, iluminados por Ti, te sirvamos com espírito renovado e puro.

A chegada do sol representa para os mortais o início de seu trabalho;
adorne, Senhor, em nossas almas uma mansão em que possa continuar aquele dia que não conhece o ocaso.

Faze que saibamos contemplar em nós mesmos a vida da ressurreição, e que nada possa separar nossas mentes de teus deleites.

Imprime em nós, Senhor, por nossa constante adesão a Ti, o selo daquele dia que não depende do movimento solar.

Cada dia te estreitamos em nossos braços e te recebemos em nosso corpo por meio de teus sacramentos; faze que sejamos dignos de experimentar em nossa pessoa, a ressurreição que esperamos.

Pela graça do batismo trazemos escondido em nosso corpo o tesouro que tu nos deste; que este mesmo tesouro vá crescendo na mesa dos teus sacramentos; faze que nos alegremos de teus dons.

Temos em nós, Senhor, o teu memorial, recebido de tua mesa espiritual; dá-nos que alcancemos sua realidade plena, na renovação futura.

Pedimos-te, Senhor, que aquela beleza espiritual que tua vontade imortal faz brotar na mesma mortalidade nos faça compreender nossa própria beleza.

Tua crucifixão, ó Salvador Nosso, foi o término de tua vida mortal; faz que crucifiquemos nossa mente a fim de obter a vida espiritual.

Que tua ressurreição, ó Jesus, faça crescer em nós o homem espiritual; que a visão de teus sinais sacramentais, nos ajude a conhecê-la.

Tuas disposições divinas, ó Salvador Nosso, são figura do mundo espiritual faze que nos movamos nele, como homens espirituais.

Não prives, Senhor, a nossa mente de tua manifestação espiritual, e 
e não separe de nós o calor de tua suavidade.

A mortalidade latente em nosso corpo derrama em nós a corrupção;
que a aspersão de teu amor espiritual apague em nossos corações 
os efeitos da mortalidade.

Concede-nos, Senhor, que caminhemos com presteza para a nossa pátria definitiva e que, como Moisés, do cume do monte, possamos desde agora contemplá-la pela fé."


Dos Sermãos de Santo Efrém, diácono (Sermo 3, De fine et admonitione 2. 4-5: Opera, edição Lamy 3, 216-222)

Ofício das Almas

ORAÇÕES PARA CADA DIA DA SEMANA EM FAVOR DAS ALMAS DO PURGATÓRIO,

Para a segunda-feira 

O' Senhor, Deus onipotente, eu vos rogo pelo sangue precioso que vosso divino Filho Jesus Cristo derramou na cruel flagelação, que liberteis as almas do purgatório e especialmente a que está mais próxima de entrar na vossa glória, para que em breve comece a bendizer-vos eternamente. Assim seja.

 Padre-nosso e De profundis. 

ORAÇÕES PARA CADA DIA DA SEMANA EM FAVOR DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

Para o domingo 

O' Senhor, Deus onipotente, eu vos rogo pelo sangue precioso que vosso divino Filho Jesus Cristo derramou no horto, Liberteis as almas do purgatório e especialmente a mais abandonada 'de todas, conduzindo-a 'à vossa glória, onde vos louve e bendiga eternamente. Assim seja. 

Padre-nosso e De profundis. 

7 fatos sobre o purgatório que você deveria saber

  Entenda como funciona o purgatório e como ajudar as almas que estão lá O Catecismo da Igreja Católica assinala que o purgatório é uma “pur...