sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

"Pedro está aqui"


Fui rezar a um cemitério. Demorei-me junto do lugar onde estão sepultados alguns amigos e recordei muitos outros. Percorrendo aqueles caminhos, reparei nos jazigos, alinhados como numa cidade, pequenos ou grandes, piedosos ou indiferentes, e rezei por uma imensa multidão que só Deus conhece. Quanto sofrimento, quanto amor generoso, quanta alegria, quantos sonhos, quantos fracassos, quantas surpresas... assim é a vida humana.

Há cemitérios curiosos. Recordo ter visitado um cemitério em Edimburgo (os autóctones pronunciam «Edimbôrao») com apelidos invulgares que passaram para os personagens do «Harry Potter»: lá está a origem do Prof. Aberforth Dumbledore e de um cortejo de outros. Curiosidades!...

Ontem mesmo, num cemitério de Lisboa, li inscrições profundas e frases superficiais. Por exemplo, uns pais declararam-se «inconsoláveis» e, ao fim de muitas décadas, já mortos os pais, os filhos e os netos, a inscrição, em letras exuberantes, ligeiramente gastas pelos anos, continua a gritar aquela «dor inconsolável». Chamou-me a atenção um jazigo desprovido de referências a Deus, de um barão – não reparei no nome –, cuja legenda era «trabalha ainda que morras». Doeu-me a inconsistência da frase, própria de uma vida sem sentido, e rezei por ele. Pode ter sido bom homem, quem sabe o drama que o levou a gravar na pedra uma ideia tão absurda?

Por todo o mundo há cemitérios, mas há uns, em Roma, absolutamente únicos. O costume das civilizações pagãs era cremar os corpos e por isso só guardavam cinzas. A excepção eram os judeus, e depois os cristãos, que preferiam sepultar o corpo, como manifestação de fé na ressurreição. 

Em Roma, o cruzamento desta devoção com a singularidade da geologia local produziu as catacumbas. O terreno de Roma é um tufo, homogéneo, consistente, fácil de escavar. Por isso, à falta de espaço disponível à superfície, os cristãos enterraram os seus mortos escavando. Cada enterro alongava um pouco mais a galeria e assim se formaram quilómetros de corredores subterrâneos, com tumbas de ambos os lados. A oração pelos mortos habitou de vida aquela rede enorme, por baixo da cidade. Ao chegar junto de mártires, o corredor alargava-se para acolher uma assembleia maior na Eucaristia. Quem for a Roma não perca a oportunidade de mergulhar no subsolo e percorrer uns quilómetros nestas galerias de oração.

No entanto, o mais extraordinário cemitério romano começou ao ar livre. Começou como um cemitério pagão, na colina vaticana, perto de um parque de jogos. No ano 64 depois de Cristo, um incêndio devastou Roma, um temporal no Adriático afundou toda a esquadra e ocorreram outras desgraças. Perante o descontentamento geral, o imperador Nero arranjou uma solução: os culpados eram os cristãos! Não que eles ateassem fogos, ou soprassem ventos ciclónicos, o mal eram eles mesmos, eles eram o mau-olhado que atraía desgraças; se fossem mortos, acabavam-se as epidemias e os cataclismos. 

A matança que devia limpar Roma do mau-olhado ocorreu no aniversário do próprio Nero, no ano 67. As corridas de cavalos, os banquetes, a variedade dos jogos, atingiram um luxo e um sadismo fora do comum. À noite, as alamedas iluminaram-se com os corpos de cristãos a arderem como tochas. Foi nesta festa que S. Pedro, o primeiro Papa, foi crucificado de cabeça para baixo e depois sepultado na vertente da colina. Nos dias seguintes, continuaram a morrer cristãos, à medida que os apanhavam. S. Paulo morreu decapitado nesse mesmo ano.

Entretanto, o pequeno túmulo de Pedro, foi sendo cuidado. Um pequeno muro, para conter a terra, depois, um alpendre apoiado em duas colunas... Passados dois séculos e meio, o imperador Constantino converteu-se e decidiu erguer uma basílica sobre a pequena sepultura. Fechou o cemitério e fez um aterro na vertente da colina, para criar uma plataforma em que pudesse assentar o edifício. O local era muito inclinado, mas Constantino queria a igreja ali, com o altar por cima da sepultura de Pedro. 

Os séculos trouxerem inovações, mas todos os altares posteriores se mantiveram fiéis àquela linha vertical, uns por cima dos outros. Chegaram ao século XX notícias detalhadas das construções que estavam por baixo, mas ninguém as via. Decidiu-se, assim, escavar um túnel a partir da base da antiga colina, para descobrir o que estava por baixo do aterro de Constantino e de todas as construções edificadas sobre ele. 

Os trabalhos coincidiram com a segunda guerra mundial e prolongaram-se até 1965. Encontrou-se tudo conforme diziam os documentos antigos e, no sítio preciso, num jazigo muito pobre, mas envoltos em púrpura dourada, os ossos de um homem robusto, de idade avançada. Por cima, em grego, «Pedro está aqui» e louvores a Cristo, à Santíssima Trindade, a Nossa Senhora. Garanto: o percurso por baixo de terra, através do antigo cemitério romano, até à tumba de Pedro, é uma experiência inesquecível. 

José Maria C.S. André in Correio dos Açores

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Novena pelas Almas do Purgatório


Orações iniciais para todos os dias da novena:

Acto de Contrição

Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Criador e Redentor meu, em quem firmemente creio e espero e a Quem amo mais que a mim mesmo, mais do que todas as coisas; pesa-me, Senhor, de todo o meu coração por vos ter ofendido. Por serdes Vós quem sois tão bom, santo, amável e adorável; pesa-me também, porque com os meus pecados tenho merecido as penas do Purgatório, e, quem sabe, se também os tormentos eternos do Inferno. Proponho, ajudado com a Vossa graça, nunca mais pecar, fugir de todas as ocasiões de ofender-Vos, confessar-me, corrigir e emendar os meus erros e perseverar até à morte na Vossa amizade. Peço-vos, meu Deus, esta graça, pelo amor que tendes às benditas Almas do Purgatório, pelos méritos da Vossa paixão e pelas dores da Vossa aflictíssima Mãe. Ámen.

Oração inicial

Ó Pai Eterno, amoroso e misericordioso, que impelido pela Vossa infinita misericórdia, tanto amastes o Mundo, a ponto de lhe dardes o vosso Filho Unigénito, para que aqueles que n’Ele crerem não pereçam, mas vivam eternamente. Permitireis acaso, ó Senhor, que sofram ainda por muito tempo no Purgatório essas Almas queridas, filhas Vossas e esposas de Jesus Cristo, que as comprou com o preço infinito do Seu Sangue? Tende piedade dessas aflitas prisioneiras e livrai-as das suas penas e tormentos. Tende também compaixão da minha pobre Alma, livrando-a do abismo do pecado. E se a Vossa justiça, não satisfeita ainda, exige maior reparação pelas faltas que cometeram, ofereço-vos os actos de virtudes que praticar durante esta novena. Nada, ou muito pouco, valem todos eles, é verdade; mas eu vo-los ofereço unidos aos merecimentos de Jesus Cristo, às dores de Sua Mãe Santíssima e às virtudes heróicas de todas as Almas justas que até hoje têm vivido no Mundo. Compadecei-vos dos vivos e dos defuntos e concedei-nos a todos a graça de cantarmos um dia no Céu os triunfos da Vossa misericórdia. Ámen.

Meditar o dia da novena e depois fazer as orações finais.

Primeiro dia

Consideração: São muitas as penas que sofrem as benditas Almas do Purgatório; mas a maior de todas é o pensamento de que foram elas próprias a causa dos seus sofrimentos pelos pecados que cometeram em vida.

Oração:
Ó Jesus, Salvador meu! Eu, que tantas vezes tenho merecido o Inferno, que pena não experimentaria agora, se me visse condenado, ao pensar que eu próprio fora a causa da minha condenação? Dou-Vos infinitas graças pela paciência que tendes tido em me suportar.
Amo-vos, meu Deus, sobre todas as coisas, porque sois a Bondade Infinita; arrependo-me de todo o meu coração de vos ter ofendido e antes quero morrer, do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da perseverança; tende piedade de mim e das benditas Almas que sofrem no ardente fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com as vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formar a generosa resolução de rezar todos os dias da novena em sufrágio das benditas Almas.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Segundo dia

Consideração: A pena que em segundo lugar atormenta excessivamente as benditas Almas é a recordação do tempo que perderam durante a sua vida, durante o qual teriam podido adquirir maiores méritos para o Céu; e a lembrança de que esta perda é para sempre irreparável, pois que com a vida termina o tempo de merecer.

Oração:
Infeliz de mim, Senhor! Que, por espaço de tanto anos, tenho vivido sobre a Terra, durante os quais só tenho merecido os castigos do Inferno.
Dou-vos infinitas graças por me concederdes ainda tempo para remediar o mal que tenho feito. Arrependo-me, meu Deus, de vos ter ofendido, a Vós que sois infinitamente bom. Auxiliai-me para que, daqui até ao fim da minha vida, empregue todos os momentos unicamente em servir-vos e amar-vos. Tende piedade de mim e dessas Almas benditas que sofrem no Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com as vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Assistir pela manhã, e sempre que se possa, ao Santo Sacrifício da Missa, em sufrágio das Almas do Purgatório.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Terceiro dia

Consideração: Outra pena das maiores, que afligem as benditas Almas do Purgatório, é a consideração dos pecados que estão expiados. Na vida presente não se conhece bem a fealdade dos pecados, mas compreende-se claramente na outra, e esta é uma das mais vivas dores que sofrem as Almas no Purgatório.

Oração:
Ó meu Deus! Amo-vos sobre todas as coisas porque sois a Bondade Infinita; pesa-me de todo o meu coração de vos ter ofendido; antes quero morrer que tornar a ofender-vos; concedei-me a graça da santa perseverança; tende piedade de mim e das Almas santas que estão ainda a purificar-se naquele fogo abrasador.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas, e rogai também por nós, que estamos ainda em perigo de nos condenarmos. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Pela manhã procuraremos sofrer com paciência os trabalhos que Deus nos enviar e as ofensas do nosso próximo, em sufrágio das benditas Almas.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Quarto dia

Consideração: Uma outra pena que muito aflige no Purgatório as Almas, esposas de Jesus Cristo, é o pensamento de que, durante a vida, desgostaram com suas culpas aquele Deus a quem tanto amam. Têm-se visto penitentes morrer de dor, ao meditar que ofenderam um Deus tão bom. Muito melhor que nós, conhecem as Almas do Purgatório quão amável é Deus, e por conseguinte amam-No com todas as forças do seu coração, e, ao meditar que o desgostaram nesta vida, experimentam uma dor superior a qualquer outra.

Oração:
Ó meu Deus! Porque sois a infinita bondade, arrependo-me de todo o meu coração de vos ter ofendido, antes quero morrer do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança; tende piedade de mim e daquelas santas Almas que sofrem ainda no fogo do Purgatório e que vos amam de todo o seu coração.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Ave-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formemos o propósito de beijar pela manhã três vezes a terra, em sufrágio das benditas Almas, e em satisfação das palavras altivas que dissermos; e, se quisermos humilhar-nos mais, poderemos fazer com a língua uma pequena Cruz no chão.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Quinto dia

Consideração: Outra pena que tortura horrivelmente as benditas Almas do Purgatório é o terem de sofrer os ardores de um fogo abrasador sem saber quando terão fim os seus tormentos. É verdade que têm certeza de ver-se um dia livres deles; mas é um tormento gravíssimo para elas a incerteza do tempo em que hão de acabar.

Oração:
Ó Senhor! Que grande desgraça seria a minha, se me tivésseis precipitado no Inferno, nesse lugar de tormentos donde com certeza nunca mais tornaria a sair! Amo-vos sobre todas as coisas, Bondade Infinita, e arrependo-me de vos ter ofendido; antes quero morrer que tornar a ofender-vos.
Concedei-me a graça por intermédio das santas Almas que estão ainda a acabar de purificar-se no fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Não comer nada fora das horas costumadas, ou fazer alguma mortificação corporal em sufrágio das Almas do Purgatório.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Sexto dia

Consideração: Quanto maior é a consolação que as benditas Almas do Purgatório sentem, proporcionada pela recordação da Paixão de Jesus Cristo, por cujos méritos se salvaram, e do Santíssimo Sacramento do Altar, que tantas graças lhes dispensou e dispensa ainda, por meio de Missas e comunhões por elas aplicadas, tanto mais as atormenta o pensamento de não terem correspondido durante a vida a estes dois grandes benefícios do amor de Jesus Cristo.

Oração:
Ó meu Senhor Jesus Cristo! Vós morrestes também por mim e tendes vos dado muitas vezes a mim na Sagrada Comunhão; e eu sempre vos tenho correspondido com negra ingratidão; mas agora amo-vos sobre todas as coisas meu sumo Bem. Arrependo-me de todo o coração de vos ter ofendido e prefiro antes a morte que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança e tende piedade de mim e das Almas que ainda sofrem no Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Aplicar em sufrágio das Almas do Purgatório uma indulgência parcial que se pode lucrar por cada vez que se disser devotamente: “Jesus, Maria e José, eu vos dou meu coração e minha alma”.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Sétimo dia

Consideração: Aumenta também o sofrimento das benditas Almas do Purgatório a lembrança dos benefícios particulares que receberam de Deus, como o ter nascido em país católico, ter recebido o Batismo e haver Deus esperado que fizessem penitência de seus pecados para conseguirem o perdão dos mesmos; porque todos estes favores lhes fazem conhecer agora melhor a ingratidão com que corresponderam a Deus.

Oração:
Ó meu Deus! Quem tem sido, mais ingrato do que eu? Vós tendes me esperado com tanta paciência, tendes-me tantas vezes e com tanto amor perdoado os meus crimes, e eu, depois de tantas promessas, tenho voltado a ofender-vos novamente. Oh! Não me precipiteis no Inferno. Ó Bondade Infinita! Arrependo-me sinceramente de vos ter ofendido e antes quero morrer, do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança e compadecei-vos de mim e das Almas que gemem ainda no fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Dar uma esmola em sufrágio das Almas do Purgatório.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Oitavo dia

Consideração: Outra pena que muito tortura as benditas Almas do Purgatório, é o pensamento de que, durante a sua vida, Deus usou para com elas de muitas misericórdias especiais que não dispensou a muitas outras; e a lembrança também de que com os seus pecados O obrigaram muitas vezes a retirar-lhes a sua amizade e a condená-las ao Inferno, posto que depois lhes haja concedido o perdão e a graça da salvação.

Oração:
Senhor, eu sou um desses ingratos que, depois de ter recebido de Vós tantas graças, tenho desprezado o vosso amor e vos obriguei a condenar-me ao Inferno. Mas agora, ó Bondade Infinita, prometo que vos amarei sempre sobre todas as coisas; arrependo-me, de toda a minha Alma, de vos ter ofendido e antes quero morrer, que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança, e tende piedade de mim e das Almas do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Ave-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: O maior sufrágio que de nós reclama as benditas Almas, e o mais importante para nós e agradável a Deus, é fazermos por elas uma boa confissão, não calando pecado algum, e com verdadeira dor e arrependimento.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Nono dia

Consideração: São grandes todas as penas que sofrem as Almas no Purgatório; o fogo, o tédio, a escuridão, a incerteza do tempo em que hão de ver-se livres de todos estes tormentos; mas a maior de todas é o verem-se separadas do seu divino Esposo e privadas dos prazeres da sua companhia.

Oração:
Ó meu Deus! Como tenho eu podido viver tantos anos longe de Vós e privado de vossa graça? Ó Bondade Infinita, amo-vos sobre todas as coisas; arrependo-me, de todo o meu coração, de vos ter ofendido e antes quero morrer do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança, e não permitais que torne a cair outra vez no vosso desagrado. Peço-vos que tenhais compaixão das santas Almas do Purgatório, as alivieis nos seus tormentos e abrevieis o tempo do seu desterro, admitindo-as o mais depressa possível à graça de vos amarem para sempre no Céu.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas, e rogai também por nós, que estamos ainda em perigo de nos condenarmos. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formemos uma firme resolução de oferecer todas as nossas obras satisfatórias em sufrágio das necessitadas Almas do Purgatório.

Orações finais

Encomendamos agora a Jesus Cristo e à sua Santíssima Mãe todas as Almas do Purgatório e, em especial, as dos nossos parentes, benfeitores, amigos e inimigos e, sobretudo, as daqueles por quem temos obrigação de pedir. 

Súplicas a Nosso Senhor Jesus Cristo, para que, pelas dores da sua Paixão, Se compadeça das Almas do Purgatório:

Ó dulcíssimo Jesus, pelo suor de sangue que derramastes no Horto de Getsémani, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores da Vossa crudelíssima flagelação, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores da Vossa coroação de espinhos, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes levando a Cruz, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pela imensa dor que sofrestes ao separar-se a Vossa Alma do Vosso sacratíssimo Corpo, tende piedade das Almas do Purgatório.

Encomendemo-nos a todas as Almas do Purgatório, dizendo:

Ó Almas benditas, já que pedimos a Deus por vós, que tão amadas sois do Senhor, e tendes a certeza de nunca mais O perder, pedi-lhe por nós também, que estamos ainda em perigo de condenar-nos e perder a Deus para sempre. Ámen.

V. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso.
R. Entre os esplendores da luz perpétua.
V. Descansem em paz.
R. Ámen.
V. Senhor, ouvi a minha súplica.
R. E eleve-se até Vós o meu clamor.

Oremos
Ó Deus, Criador e Redentor de todos os homens, concedei às Almas de vossos servos e servas (e, em especial, à Alma de [nome]…) a remissão de todos os seus pecados, a fim de que, por nossas humildes súplicas, obtenham da Vossa misericórdia o perdão que sempre desejaram. Vós, que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Ámen.


Oração às benditas Almas, livres do Purgatório pelos nossos sufrágios (Para o último dia da novena)

Ó felizes e bem-aventuradas Almas, que tivestes a graça de entrar na pátria celestial! Felicitamo-vos com toda a efusão do nosso coração e em nome de toda a Igreja vos damos mil felicitações. Alegramo-nos convosco; unimos nossa alegria à dos Santos e Bem-aventurados; juntamos nossos louvores aos que vós rendeis ao Criador por tão imenso favor. Sim, Almas ditosas, regozijai-vos. 

Já não há para vós tristezas nem angústias; acabaram-se já os perigos e as tentações. Agora tendes a paz, a felicidade, a alegria, o gozo, a consolação e o eterno descanso dos bem-aventurados. Que glória pra vós se com os nossos sufrágios antecipamos a vossa eterna felicidade! Triunfai, pois, reinai e gozai do Céu, mas não esqueçais de nós, que ainda combatemos sobre a Terra; olhai-nos com compaixão, porque estamos rodeados de numerosos e terríveis inimigos. 

Já que sois tão poderosas perante Deus, rogai pelos vossos devotos, para que sejamos fiéis e constantes no serviço de Deus e possamos também louvá-Lo e bendizê-Lo um dia convosco eternamente na glória celeste. Ámen.

Santo Afonso Maria de Ligório

As aparições das almas do Purgatório


Não ouvimos falar com muita frequência sobre o Purgatório, hoje em dia, o que é uma pena.

Que presente (assustador, mas maravilhoso) receberíamos se, durante a noite, fôssemos despertados pela presença de um falecido parente ou amigo pedindo-nos orações, sacrifícios e Missas para se libertar do purgatório! E seria especialmente bom se essa alma sofredora nos deixasse algum sinal perceptível e duradouro, para que, à luz do dia, tivéssemos a certeza de que aquela visita não foi apenas um pesadelo ocasionado por algum excesso ao jantar…

Na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão (Lc 16, 19-31), este último, após morrer e ir para o inferno, implora para que Abraão envie "alguém dentre os mortos" a fim de alertar os seus irmãos ainda vivos e fazê-los se arrepender enquanto há tempo. Abraão responde: "Se eles não ouvem Moisés e os profetas, não se deixarão persuadir nem sequer se alguém ressuscitar dos mortos". A referência, é claro, era à própria ressurreição de Jesus, mas, na Sua grande misericórdia, Nosso Senhor também enviou aos vivos, em várias ocasiões, alguns emissários dentre os mortos. E eles deixaram provas da sua visita.

Por "provas" não me refiro aos muitos testemunhos escritos que tantos santos nos legaram sobre o purgatório e sobre o inferno: Santa Margarida Maria de Alacoque, Santa Gertrudes, Santa Brígida da Suécia, São João Maria Vianney, Santa Maria Faustina, Santa Catarina de Sena, Santa Catarina de Gênova… 

Falo de provas materiais tangíveis, como as que são custodiadas numa pequena sala ao lado da sacristia de uma igreja de Roma, a do Sagrado Coração de Jesus em Prati. Também chamada de “Sacro Cuore del Suffragio” ou Sagrado Coração do Sufrágio, essa igreja neo-gótica, cuja construção foi finalizada em 1917, está situada às margens do rio Tibre, a meros dez minutos da Praça de São Pedro. Ela é bastante peculiar porque abriga o “Piccolo Museo del Purgatorio”, ou seja, o Pequeno Museu do Purgatório.

A missão da Ordem do Sagrado Coração, fundada em 1854 na França, era a de orar e oferecer missas em sufrágio das almas do purgatório. A capela da ordem em Roma, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, ficou severamente destruída pelas chamas a 15 de Setembro de 1897. Após o incêndio, o sacerdote designado para a capela, o padre Victor Jouet, ficou atónito ao ver a imagem de um rosto sofrido que parecia ser de uma alma do purgatório em uma das paredes atingidas pelo fogo. Ele pediu e obteve, depois desse episódio, a permissão do Papa Pio X para viajar por toda a Europa a fim de recolher relíquias que servissem como indícios de outras visitas feitas por almas do purgatório ao nosso “mundo dos vivos”.

Uma das relíquias expostas hoje no museu mostra um pedaço de madeira da mesa que tinha pertencido à venerável Madre Isabella Fornari, abadessa do mosteiro das clarissas de São Francisco, em Todi. A Madre Isabella tinha sido visitada pelo falecido Padre Panzini no dia 1º de novembro de 1731. Para lhe mostrar que estava sofrendo no purgatório, ele colocou a sua mão esquerda "em chamas" sobre a mesa de trabalho da religiosa, deixando ali impressa a sua mão queimada, além de gravar na madeira da mesa uma cruz com o dedo indicador, igualmente ardente. Para completar, ele colocou a mão também na manga da túnica da abadessa, queimando o braço da religiosa a ponto de fazê-lo sangrar. Depois de relatar o fatco ao confessor, Padre Isidoro Gazata, este pediu que a religiosa cortasse aquelas partes da túnica e as entregasse à sua custódia juntamente com a pequena mesa.

Em 1815, Margherite Demmerlé, que viveu na diocese de Metz, foi visitada por uma alma que se identificou como a sua sogra falecida trinta anos antes, ao dar à luz. Ela pediu que Margherite fosse em peregrinação até o Santuário de Nossa Senhora de Mariental e pedisse a celebração de duas Missas por ela. Margherite pediu um sinal e a alma pôs a mão sobre o livro que ela lia: "A Imitação de Cristo". A mão ficou impressa na página aberta. A sogra retornou após a peregrinação, quando as Missas solicitadas já tinham sido rezadas, para agradecer e contar que tinha sido liberada do purgatório.

Em 1875, Luisa Le Sénèchal, morta havia dois anos, apareceu para o marido Luigi na sua casa de Ducey, em França. Pedindo-lhe orações, ela deixou a marca incandescente dos seus cinco dedos nas suas vestes, além de solicitar que a filha do casal encomendasse Missas em intenção do repouso eterno da sua alma.

Cerca de uma dúzia de outras relíquias marcadas por similares eventos sobrenaturais podem ser vistas no Pequeno Museu do Purgatório.

Estes exemplos não pretendem chocar nem assustar. Muitíssimos outros podem ser encontrados, por exemplo, em livros de autoria do renomado padre jesuíta francês do século XIX: François Xavier Schouppe, como "O purgatório explicado". Ele escreveu: “Ao dar-nos esse tipo de aviso, Deus mostra-nos a sua grande misericórdia. Ele exorta-nos, da maneira mais eficaz, a ajudar as pobres almas que sofrem e a permanecermos vigilantes no tocante à nossa própria”.

Quem pensa nos quatro “novíssimos” ou “quatro últimas coisas” (morte, juízo, inferno e paraíso) pode ficar curioso quanto ao Purgatório. Embora a Igreja não afirme conhecer pormenorizadamente a natureza do sofrimento que aflige as almas no purgatório, os comentários do Papa emérito Bento XVI e os escritos de Santa Catarina de Génova (1447-1510), especialmente o seu "Tratado sobre o purgatório", são ilucidantes. A santa descreveu o purgatório não como um lugar envolto em chamas, e sim como um estado em que as almas experimentam o tormento das chamas interiores por reconhecerem a sua profunda pecaminosidade diante da perfeição da santidade e do amor de Deus para com elas.

Rezemos pelas almas do Purgatório, para que, purificadas, possam interceder por nós no Céu.

adaptado de Aleteia

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Coroa das Almas do Purgatório


Senhor, meu Criador e Redentor, eu creio que na Vossa justiça criastes o Purgatório para aqueles que passam desta vida à eternidade sem haver pagado completamente as dívidas de culpa e de pena. E creio que na Vossa misericórdia aceitais os sufrágios, especialmente o Santo Sacrifício da Missa, para seu alívio e libertação. Reavivai em mim a Fé e infundi em mim sentimentos de piedade para com esses amados irmãos que sofrem. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Ámen

Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, por intercessão de Maria, e de todos os santos, acolhei no Vosso Reino os que morrem. E vós, São Miguel Arcanjo, guiai-nos para a luz santa que Deus prometeu a Abraão e aos seus descendentes. Ofereço-Vos, Senhor, sacrifícios e orações de louvor; aceitai-os pelos que adormeceram e fazei-os passar para a luz eterna. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Ámen

Jesus, bom Mestre, suplico-Vos pelos que morreram e a quem sou devedor de reconhecimento, justiça, caridade, parentesco. Recomendo-Vos ainda as pessoas que na Terra tiveram maiores responsabilidades: os sacerdotes, os governantes, os superiores, os religiosos. Peço-Vos ainda pelas almas mais abandonadas e mais devotas da Santíssima Eucaristia, da Santíssima Virgem, de São Paulo. Dignai-Vos chamá-los prestes para a celeste felicidade. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Ámen

Agradeço-Vos, ó Jesus, Divino Mestre, que descestes do Céu para libertar os homens de tantos males com a Vossa doutrina, santidade e morte. Suplico-Vos por aqueles que se encontram no Purgatório por causa da imprensa, cinema, rádio, televisão. Confio que estes, uma vez libertos das suas penas e admitidos ao gozo eterno, Vos orem e supliquem pelo mundo de hoje, a fim de que os inumeráveis bens que nos dispensastes, para a elevação da vida presente, sejam mesmo adotados para o apostolado e para a vida eterna. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Ámen

Jesus misericordioso, pela Vossa dolorosa Paixão e pelo amor que me tendes, suplico-Vos, que me perdoeis as penas merecidas para esta ou para a outra vida com os meus pecados. Concedei-me espírito de penitência, delicadeza de consciência, ódio a toda a venialidade deliberada e as disposições necessárias para a aquisição das indulgências. Prometo sufragar, na medida das minhas forças, as que passarem desta vida à eternidade. E vós, Bondade infinita, infundi em mim um fervor cada vez mais vivo, para que um dia Vos possa contemplar, amar e gozar para sempre no Céu. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Ámen

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