Jesus, antes de conceder a uma alma uma união íntima com Ele, a purifica pela provação, e quanto maiores desígnios tem sobre esta alma, tanto mais a prova é maior.
domingo, 1 de setembro de 2019
Livro “A Oração” de Santo Afonso de Ligório
17. A obrigação que temos de rezar pelas almas do purgatório (I)
Seja-me permitido fazer aqui uma digressão em favor das almas do purgatório. Se quisemos o socorro de suas orações, é justo que cuidemos também de socorrê-las com nossas orações e boas obras. Disse que é justo, mas deve-se dizer ainda que é um dever cristão. Pois manda a caridade que socorramos o próximo em suas necessidades, mormente quando podemos fazê-lo sem incômodo de nossa parte. Ora, é certo que, entre aqueles que caem debaixo da palavra “próximo”, devem-se compreender as benditas almas do purgatório. Elas, apesar de não estarem mais nesta vida, nem por isso deixam de pertencer à comunhão dos santos. “As almas dos fiéis defuntos, diz Santo Agostinho, não estão separadas da Igreja”.
E mais claramente declara São Tomás a este respeito, dizendo que “a caridade é o vínculo que une os membros da Igreja entre si e não se limita tão somente aos vivos, mas também aos mortos, que partiram deste mundo na graça de Deus”. Portanto, devemos socorrer, quanto possível, aquelas santas almas como a nosso próximo e, sendo a sua necessidade maior, maior também consequentemente deve ser a nossa obrigação de socorrê-las.
18. Os sofrimentos das almas do purgatório
Em que necessidade se acham estas santas prisioneiras! Certo é que seu sofrimento é imenso. “O fogo que as tortura, diz Santo Agostinho, é mais grave do que qualquer sofrimento que possa atormentar o homem nesta vida”. O mesmo diz São Tomás, acrescentando ser aquele fogo semelhante ao do inferno: “pelo mesmo fogo é atormentado o condenado, e purificado o escolhido”. Isto quanto ao sofrimento dos sentidos. Mas muito maior é o sofrimento que causa a estas santas esposas a privação da visão de Deus.
Aquelas almas, não só por natureza, mas ainda pelo amor sobrenatural em que ardem para com Deus, com tal ímpeto são impelidas para se unirem ao sumo Bem que, vendo-se impedidas por motivo de suas culpas, sofrem dor tão acerba que, se lhes fosse possível a morte, morreriam a cada momento. Pois, segundo diz São João Crisóstomo, esta privação da visão de Deus as atormenta muito mais do que o sofrimento dos sentidos: “Mil fogos do inferno juntos não causariam tanta dor, como esta do dano!” Por isso aquelas santas almas prefeririam sofrer qualquer outro castigo do que serem destituídas, um só momento, da suspirada união com Deus. Diz, por isso, o Doutor Angélico que “o sofrimento do purgatório excede todas as dores que podemos sofrer nesta vida”. Refere Dionísio Cartusiano que certo defunto, ressuscitado por intercessão de São Jerônimo, disse a São Cirilo de Jerusalém que todos os tormentos desta terra são gozos e delícias em comparação com o menor sofrimento do purgatório: “Todos os tormentos desta vida, se comparados à menor pena do purgatório, seriam verdadeiros gozos”. E acrescenta que, se alguém tivesse experimentado aqueles sofrimentos, mais prontamente quereria sofrer todas as dores que sofreram ou sofrerão os homens neste mundo até o dia do juízo, do que sofrer, por um só dia, o menor sofrimento do purgatório. Por isso escreveu São Cirilo que aqueles sofrimentos, quanto à aspereza, são os mesmos do inferno, apenas diferem porque não são eternos.
19. As almas do purgatório sofrem horrivelmente e não podem socorrer-se a si mesmas
São, pois, muito grandes as penas daquelas almas e, por outro lado elas não podem ajudar-se, segundo Jó “estão presas e ligadas pelos laços da pobreza” (Jó 36, 8). Já estão destinadas ao Reino aquelas santas rainhas, mas dele não podem tomar posse, enquanto não chegar o fim de sua expiação. Portanto, não podem ajudar-se a si próprias, (ao menos suficientemente, se quisermos crer nos teólogos que admitem que aquelas almas, com suas orações, também possam impetrar para si algum alívio), para livrar-se daquelas prisões, em que estão detidas, enquanto não tiverem satisfeito inteiramente à justiça divina. Elas não podem quebrar essas cadeias, enquanto não estiverem satisfeito à justiça divina em todo o seu rigor. Foi o que disse, falando do purgatório, um monge cisterciense, aparecendo ao sacristão do seu convento: “Ajudai-me, pediu ele, com vossas orações, porque por mim nada posso obter!” Isto concorda com o que diz São Boaventura: “A pobreza impede o pagamento das dívidas”. Quer dizer que as almas do purgatório são tão pobres que não podem satisfazer por si próprias à justiça divina.
20. A obrigação que temos de rezar pelas almas do purgatório (II)
É certo, entretanto, e até de fé, que nós, com os nossos sufrágios e, principalmente com as orações recomendadas pela Igreja, bem podemos auxiliar aquelas santas almas. Não sei como poderá se isentar de culpa, quem deixa de oferecer-lhes qualquer auxílio, ao menos algumas orações.
21. Motivos que temos para rezar pelas almas do purgatório
Senão nos mover a obrigação que temos, mova-nos, ao menos, a alegria que causamos a Nosso Senhor Jesus Cristo, quando nos aplicamos em libertar aquelas suas esposas diletas, para se unirem com Ele no paraíso. Movam-nos, enfim, os grandes merecimentos, que podemos obter praticando este grande ato de caridade para com aquelas santas almas. Elas são gratíssimas e bem conhecem o grande benefício que lhes fazemos, aliviando-as daquelas penas e obtendo, por meio de nossas orações, que mais depressa possam entrar na glória. Lá chegando, não deixarão de rezar por nós.
Se o Senhor promete ser misericordioso para com os que praticam misericórdia: “Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7), com muita razão pode esperar a salvação quem procura socorrer as almas do purgatório, tão aflitas e tão caras a Deus. Jônatas, depois de ter salvado os hebreus pela vitória sobre seus inimigos, foi condenado à morte por seu pai, Saul, por haver provado o mel contra a sua ordem. Mas o povo apresentou-se ao rei e disse: “Como há de morrer Jônatas, o salvador de Israel?” (1 Sn 14, 45). Ora, assim devemos também esperar que, se algum de nós obtiver, com nossas orações, a salvação de uma alma do purgatório e a sua entrada no céu, essa alma dirá a Deus: “Senhor, não permitais se perca quem me livrou das chamas do purgatório”. E, se Saul concedeu a Jônatas a vida, a pedido do povo, Deus não negará a salvação àquele por quem intercede uma alma do purgatório.
Além disso, diz Santo Agostinho, quem nesta vida mais socorrer as almas do purgatório, Deus fará com que seja também socorrido por outro, quando estiver lá no meio daquelas chamas.
22. A Santa Missa pelas almas do purgatório
Um grande sufrágio pelas almas do purgatório é participar da Santa Missa, e nela recomendá-las a Deus, pelos merecimentos da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, dizendo: Eterno Pai, eu vos ofereço este sacrifício do Corpo e Sangue de Jesus Cristo com todas as dores que sofreu em sua vida e morte e, pelos merecimentos de sua Paixão, recomendo-vos as almas do purgatório e especialmente as de… É ato também de muita caridade recomendar, ao mesmo tempo, as almas de todos os agonizantes.
https://www.purgatorio.net.br/santo-afonso-e-as-almas-do-purgatorio/
Coroa pelas almas do Purgatório

Meu Jesus, pelo abundante suor de sangue que derramastes no Jardim de Gethsémani, tende piedade das Almas dos meus antepassados mais queridos que sofrem no Purgatório.
Pai Nosso, Avé Maria
Que as Almas dos fiéis defuntos
pela Misericórdia Divina, descansem em paz. Ámen.
Meu Jesus, pelas humilhações e troças que sofrestes diante dos tribunais até ser esbofeteado, maltratado pelo povo e banido como um malfeitor, tende piedade das Almas dos nossos defuntos que no Purgatório esperam para serem glorificados no Vosso Reino.
Pai Nosso, Avé Maria
Que as Almas dos fiéis defuntos
pela Misericórdia Divina, descansem em paz. Ámen.
Meu Jesus, por esta coroa de agudos espinhos que trespassaram a Vossa Santa Face, tende piedade da Alma mais abandonada e sem socorro, e daquela que está mais longe de ser liberta do Purgatório.
Pai Nosso, Avé Maria
Que as Almas dos fiéis defuntos
pela Misericórdia Divina, descansem em paz. Ámen.
Meu Jesus, pelos dolorosos passos que destes com a Cruz sobre os ombros, tende piedade da Alma que está mais próxima de ser liberta do Purgatório, e pelas dores que sofrestes com Vossa Santa Mãe no encontro no caminho do Calvário, livrai das penas do Purgatório as Almas que foram fiéis a esta Mãe Bem-Amada.
Pai Nosso, Avé Maria
Que as Almas dos fiéis defuntos
pela Misericórdia Divina, descansem em paz. Ámen.
Meu Jesus, pelo Vosso Santíssimo Corpo estendido sobre a Cruz, pelos Vossos Pés e Mãos trespassados pelos cravos, pela morte cruel e pelo Vosso Santíssimo Lado aberto pela lança, tende piedade das Almas sofredoras e aceitai-as na Vossa doce companhia no Paraíso.
Pai Nosso, Avé Maria
Que as Almas dos fiéis defuntos
pela Misericórdia Divina, descansem em paz.
Ámen.
TERÇO PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO (em honra às 13 Virtudes da Virgem Maria)

A Virgem Maria disse:
"Quando este terço é orado com grande devoção e amor, em união com as santas almas do purgatório, 500 almas são liberadas do purgatório e outras 500 vão para um nível superior. Cada alma que é liberta pela Graça deste terço, intercederá de maneira concreta por aqueles que oraram por estas santas almas.
Toda vez que este terço é orado com devoção, uma graça especial de cada uma das minhas Santas Virtudes será dada pela Misericórdia Infinita de meu Divino Filho e também será dado um coração contrito à todos aqueles que o desejarem profundamente."
Em seguida, a Virgem Maria fez as seguintes promessas:
"Aqueles que recitam este terço libertarão muitas almas de cada nível sabendo que quanto mais baixo for o nível, menos almas liberadas haverá.
Aqueles que recitam este terço ajudarão as almas, especialmente aquelas que lhe forem ligadas e também aquelas de sua árvore genealógica.
Aqueles que recitam este terço receberão um sinal visível do poder desta oração."
Saiba que, em cada um desses níveis, há almas que não aplicaram as Santas Virtudes em suas vidas e por essa razão, elas expiam agora. Eu desejo que você saiba que há muitos anjos que vão até as almas mas não lhes é permitido irem até aquelas que ficam abaixo do sétimo nível; pois abaixo desse nível, há demônios que são utilizados para purificar as almas de uma maneira particular. A elevação das almas é também uma tortura para os demônios pois as almas que elevam-se, ficam cada vez mais próximas de sua libertação e assim sendo, poderão louvar à Deus eternamente.
Através deste terço, é dado uma benção muitíssimo especial da Santa Trindade por meio de meu Coração Imaculado.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo que permanecem em meu Coração Imaculado."
MANEIRA DE ORAR ESTE TERÇO
1. CREDO
2. Pai-Nosso
3. Glória ao Pai (3x) e após cada glória dizer: "Em honra aos Santos, à São Miguel Arcanjo e aos Santos Anjo da Guarda."
4. Ave-Maria
5. Orar: "Mãe da Divina Misericórdia, interceda pela liberação das almas presas no purgatório; pelo poder do teu Divino Coração Imaculado, pela glória de Deus e pela salvação de todas essas almas. Amém."
6. Fazer a Oração do Descanso Eterno: "Ó Senhor, dê às almas do purgatório o descanso eterno e faça brilhar sobre elas Tua luz eterna. Que as almas fiéis descansem em paz pela Misericórdia de Deus. Amém."
7. Ave-Maria
IMPORTANTE: Por esta devoção não ser muito conhecida e/ou divulgada, este terço é muito difícil de ser encontrado (não sei nem se existe no Brasil), então, caso você queira rezá-lo, você deverá confeccioná-lo ou mandar fazê-lo. Contudo, é necessário seguir o modelo exato como foi descrito na aparição (imagem acima). Aqui vão os detalhes do terço:
1. CRUZ: não foi especificada;
2. PAI-NOSSO: conta pequena dourada
3. GLÓRIA AO PAI: 3 contas pequenas de cores diferentes:
- Santos: conta branca ou pérolada
- São Miguel: conta verde-turquesa
- Anjos da Guarda: conta rosa
4 e 7. AVE-MARIA: contas grandes em azul
5. Mãe da Divina Misericórdia : conta pequena branca ou perolada
6. ORAÇÃO DO DESCANSO ETERNO: contas pequenas em vermelho.
O modelo do terço está na imagem logo acima e deve ser respeitado!
Nota: Este terço provém da Aparição de Nossa Senhora das Rosas (embora esta aparição ainda não tenha sido reconhecida pela igreja, muitas pessoas oram à Nossa Senhora das Rosas e visitam seu Santuário, na Itália.
Por que rezar pelas almas do purgatório?
Folheto Litúrgico | Nova Aliança
02 de novembro de 2012
02 de novembro de 2012
Deus não rejeita as pessoas que morrem em estado de graça, com o amor de Deus em seu coração, mas que ainda podem estar marcados por pequenas incoerências. Estas pequenas incoerências impedem que estas pessoas vejam imediatamente Deus face a face. Estas pessoas têm que se purificar das chamadas “escórias do pecado”; têm que repudiar o apego ao chamado “pecadinho” (que nunca é desprezível); têm que fortalecer seu amor a Deus para que Ele queime qualquer resquício de amor próprio ou amor desordenado ainda existente nessa alma. Ora, isto se faz no Purgatório Póstumo.
É certo que deveríamos purificar-nos de todas as escórias do pecado antes de morrer (esta vida terrestre é a fase normal de nossa purificação); mas, se isto não acontece no presente, terá que ser feito após a morte. Tal é a noção de Purgatório que, como vemos, é muito lógica; ninguém pode ver Deus face a face se ainda é portador da mínima sombra de pecado. No Purgatório não há fogo nem trevas, mas há o arrependimento profundo provocado pelo amor de Deus, que suscita o repúdio radical a todo tipo de leviandade ou contradição.
Quando rezamos pelas almas do Purgatório, não pedimos que elas mudem de opção, não pedimos que aqueles que morreram AVESSOS a Deus se convertam depois da morte (isto seria impossível), mas pedimos que aqueles que morreram no amor de Deus ainda imperfeito acabem de se purificar dos resquícios de pecado. Pedimos que o amor a Deus, ainda fraco ou tíbio, se fortaleça para eliminar qualquer desordem existente na alma. Tal é o sentido da nossa oração pelos defuntos; supomos que precisem dessa nossa ajuda. Deus, que nos fez solidários na vida presente, não permite que a morte interrompa esta solidariedade. Só Deus sabe da sorte póstuma dos defuntos e Ele direciona as nossas orações, beneficiando as almas necessitadas.
O melhor modo de sufragar as almas do purgatório é a SANTA MISSA. Ela é a perpetuação do sacrifício de Cristo, e com a SANTA MISSA obtemos do Pai as graças de que necessitamos ou de que necessitam nossos irmãos. Portanto, vivamos bem a vida presente, irmãos, amando a Deus acima de tudo, e assim estaremos fazendo o nosso Purgatório na terra, como é normal.
Extraído do livro Católicos perguntam, de Dom Estevão Tavares Bittencourt. Colaboração do Diácono José Alencar Ribeiro
A urgência de rezar pelas almas do Purgatório

Acabamos de passar revista aos meios e recursos que a Divina Misericórdia colocou em nossas mãos para o alívio de nossos irmãos no Purgatório. São poderosos esses instrumentos e ricos esses recursos, mas fazemos nós uso abundante deles? Somos tão ricos em caridade quanto Deus é em misericórdia?
Infelizmente, quantos cristãos fazem pouco ou nada pelos que já partiram! E aqueles que não os esquecem, que têm caridade suficiente para ajudá-los com seus sufrágios, com que frequência não são remissos em zelo e fervor!
Compare-se o cuidado que dispensamos aos enfermos com a assistência que prestamos às almas sofredoras. Quando um pai ou mãe encontra-se aflito com alguma doença, quando um filho ou uma pessoa que nos é querida está sofrendo, que cuidado, que solicitude e que devoção de nossa parte! Mas as santas almas, que não nos são menos queridas, padecem sob o peso não de uma dolorosa enfermidade, mas de tormentos expiatórios mil vezes mais cruéis. Somos nós igualmente fervorosos, solícitos e diligentes em procurar-lhes alívio?
“Não”, responde S. Francisco de Sales, “nós não nos lembramos o suficiente de nossos queridos amigos que partiram. Sua memória parece extinguir-se com o ressoar dos sinos fúnebres. Esquecemo-nos que a amizade que tem fim, mesmo na morte, não foi jamais uma amizade genuína.”
De onde vem esse triste e culpável esquecimento? Sua causa principal é a falta de reflexão. Quia nullus est qui recogitat corde— “Porque não há ninguém que considere no seu coração” (Jr12, 11). Nós perdemos de vista os grandes motivos que nos impelem ao exercício dessa caridade para com os mortos. É a fim de estimular nosso zelo, portanto, que temos de trazer de novo à mente esses motivos e esclarecê-los o máximo possível.
Podemos dizer que todos esses motivos encontram-se resumidos nas seguintes palavras do Espírito Santo: “É um santo e piedoso costume o de rezar pelos defuntos, a fim de que eles sejam livres de seus pecados” (2Mb 12, 46), isto é, da punição temporal devida a suas faltas. Em primeiro lugar, trata-se de uma obra, santa e excelente em si mesma, e também agradável e meritória aos olhos de Deus. Consequentemente, é uma obra salutar, sumamente proveitosa a nossa salvação e a nossa felicidade neste e no mundo futuro.
“Uma das obras mais santas, um dos melhores exercícios de piedade que podemos praticar neste mundo”, diz Santo Agostinho, “é oferecer sacrifícios, esmolas e orações pelos defuntos” (Hom., XVI).
“O alívio que nós procuramos para os mortos”, diz S. Jerônimo, “alcança-nos uma misericórdia semelhante.” Considerada em si mesma, a oração pelos mortos é uma obra de fé, caridade e com frequência até de justiça.
Em primeiro lugar, quem são, de fato, as pessoas que temos o dever de assistir, senão essas santas e predestinadas almas, tão queridas a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo; tão queridas a sua mãe, a Igreja, que incessantemente as encomenda à nossa caridade; tão queridas também a nós, que talvez nos foram intimamente unidas sobre a terra, e que nos imploram ajuda com estas tocantes palavras: “Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos” (Jó 19, 21)? Segundo, em que necessidades elas se encontram? Ai, sendo tão grandes as suas necessidades, essas almas têm um direito à nossa assistência proporcionado à sua incapacidade de fazer qualquer coisa por si mesmas. Terceiro, que bem procuramos nós para as almas, senão o maior dos bens, já que os podemos colocar na posse da bem-aventurança eterna?
“Assistir as almas do Purgatório”, diz S. Francisco de Sales, “é realizar a mais excelente das obras de misericórdia, ou melhor, é praticar da forma mais sublime todas as obras de misericórdia juntas: é visitar os doentes; é dar de beber aos que têm sede da visão de Deus; é dar de comer aos que têm fome, é visitar os encarcerados, é vestir os nus, é procurar para os pobres exilados a hospitalidade da Jerusalém celeste; é confortar os aflitos, é instruir os ignorantes — é, em suma, praticar todas as obras de misericórdia em uma.”
Essa doutrina concorda muito bem com a de Santo Tomás, que ensina em sua Suma: “Os sufrágios pelos mortos são mais agradáveis a Deus que os sufrágios pelos vivos, porque aqueles têm necessidade mais urgente deles, não estando aptos a se ajudarem por si mesmos, como os vivos” (Supplem., q. 71, art. 5).
Nosso Senhor considera cada obra de misericórdia exercida a nosso próximo como se fosse feita a Ele próprio. Mihi fecistis: “A mim o fizestes”. Isso é mais especialmente verdadeiro quanto à misericórdia praticada para com as pobres almas. Foi revelado a Santa Brígida que aquele que liberta uma alma do Purgatório ganha o mesmo mérito de libertar o próprio Jesus Cristo do cativeiro.
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/a-urgencia-de-rezar-pelas-almas-do-purgatorio
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