segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Como podemos ajudar as almas do Purgatório?

 

Se Deus consola tão benignamente as almas do Purgatório, sua misericórdia brilha com ainda mais força no poder, que Ele concede a sua Igreja, de encurtar a duração de seus sofrimentos. Desejando executar com clemência a severa sentença de sua justiça, Ele consente em abater e mitigar a dor; fá-lo, porém, de maneira indireta, através da intervenção dos vivos. A nós Ele concede todo o poder de socorrermos nossos irmãos aflitos com sufrágios, isto é, por meio de impetração e satisfação.

A palavra sufrágio, em linguagem eclesiástica, é um sinônimo para oração. Entretanto, quando o Concílio de Trento declara que as almas no Purgatório são assistidas pelos sufrágios dos fiéis, o sentido da palavra é mais abrangente, incluindo, de modo geral, tudo o que formos capazes de oferecer a Deus em favor daqueles que partiram desta vida

Para entender essas expressões, tenhamos em mente que cada uma de nossas boas obras, quando praticadas em estado de graça, possui ordinariamente um triplo valor aos olhos de Deus:

1.      A obra é meritória, ou seja, aumenta o nosso mérito, dando-nos direito a um novo grau de glória no Céu.

2.     É impetratória (de “impetrar”, “obter”), ou seja, como uma oração, ela tem a virtude de alcançar graças de Deus.

3.     É satisfatória, ou seja, tem a capacidade de satisfazer à Justiça Divina e pagar o débito de nossas penas temporais diante de Deus.

mérito é inalienável e permanece como propriedade da pessoa que realiza a ação. Os valores impetratório e satisfatório, ao contrário, podem beneficiar a outrem, em virtude da comunhão dos santos.

Entendido isso, coloquemo-nos uma questão prática. Quais são os sufrágios por meio dos quais, de acordo com a doutrina da Igreja, nós podemos ajudar as almas do Purgatório?

“A Virgem, São Nicolau Tolentino e as almas do Purgatório”, por Bartolomeo Guidobono.

A essa pergunta nós respondemos: eles consistem em orações, esmolas, jejuns e penitências de qualquer tipo, indulgências e, acima de tudo, o santo sacrifício da Missa. Todas as obras que nós realizamos em estado de graça, Jesus Cristo permite que as ofereçamos à Majestade Divina para o alívio de nossos irmãos no Purgatório.

Por essa admirável disposição, ao mesmo tempo em que protege os direitos de sua justiça, nosso Pai celestial multiplica os efeitos de sua misericórdia, que é exercida então, ao mesmo tempo, em favor da Igreja padecente e da Igreja militante. A assistência misericordiosa que Ele permite prestarmos a nossos irmãos sofredores é, de fato, de excelente proveito para nós mesmos. Trata-se de uma obra não apenas vantajosa para os falecidos, mas também santa e salutar para os vivos. Sancta et salubris est cogitatio pro defunctis exorare, “É santa e piedosa a ideia de rezar pelos defuntos” (2Mc 12, 46, Vulg.).

É possível ler, nas Revelações de Santa Gertrudes (cf. Legatus Div. Pietatis, l. 5, c. 5), que, tendo uma humilde religiosa de sua comunidade coroado com uma morte piedosa sua vida exemplar, Deus dignou-se mostrar à santa o estado da falecida na outra vida. Gertrudes viu a alma da monja adornada de inefável beleza e querida por Jesus, que a fitava com amor. Entretanto, por conta de uma leve negligência sua, ainda não expiada, ela não podia entrar no Céu, sendo obrigada a descer à sombria morada do sofrimento. Mal havia ela desaparecido nas profundezas, porém, a santa viu-a voltar e subir em direção ao Céu, transportada pelos sufrágios da IgrejaEcclesiae precibus sursum ferri.

Até no Antigo Testamento orações e sacrifícios eram oferecidos pelos mortos. A Sagrada Escritura relata como louvável a piedosa ação de Judas Macabeu depois de sua vitória sobre Górgias, general do Rei Antíoco. Os soldados haviam pecado, tomando dos espólios alguns objetos oferecidos aos ídolos, coisa que pela lei eles estavam proibidos de fazer. Então Judas, chefe do exército de Israel, mandou que se fizessem orações e sacrifícios pela remissão de suas culpas e pelo repouso de suas almas.

Vejamos como esse fato é contado na Escritura:

No dia seguinte ao sábado, Judas e seus homens foram recolher os corpos dos que tinham morrido na batalha, a fim de sepultá-los ao lado dos parentes, nos túmulos de seus antepassados.

Foi então que encontraram, debaixo das roupas dos que tinham sucumbido, objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisa que a Lei proíbe aos judeus. Então ficou claro, para todos, que foi por isso que eles morreram.

Todos louvaram, então, a maneira de agir do Senhor, justo Juiz, que torna manifestas as coisas escondidas.

puseram-se em oração, pedindo que o pecado cometido fosse completamente cancelado. Quanto ao valente Judas, exortou o povo a se conservar sem pecado, pois tinham visto com os próprios olhos o que acontecera por causa do pecado dos que haviam sido mortos.

Depois, tendo organizado uma coleta individual, que chegou a perto de duas mil dracmas de prata, enviou-as a Jerusalém, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim, pensando muito bem e nobremente sobre a ressurreição. De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos. Mas, considerando que um ótimo dom da graça de Deus está reservado para os que adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar.

Eis por que mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado. (2Mc 12, 39-45)

 

A urgência de rezar pelas almas do Purgatório

 

Poderosos são os instrumentos que a Divina Misericórdia pôs a nossa disposição para sufragarmos as almas do Purgatório. Mas com que fervor e solicitude temos trabalhado para o alívio desses nossos irmãos na fé e na caridade?

Pe. François Xavier Schouppe 

Acabamos de passar revista aos meios e recursos que a Divina Misericórdia colocou em nossas mãos para o alívio de nossos irmãos no Purgatório. São poderosos esses instrumentos e ricos esses recursos, mas fazemos nós uso abundante deles? Somos tão ricos em caridade quanto Deus é em misericórdia?

Infelizmente, quantos cristãos fazem pouco ou nada pelos que já partiram! E aqueles que não os esquecem, que têm caridade suficiente para ajudá-los com seus sufrágios, com que frequência não são remissos em zelo e fervor!

Compare-se o cuidado que dispensamos aos enfermos com a assistência que prestamos às almas sofredoras. Quando um pai ou mãe encontra-se aflito com alguma doença, quando um filho ou uma pessoa que nos é querida está sofrendo, que cuidado, que solicitude e que devoção de nossa parte! Mas as santas almas, que não nos são menos queridas, padecem sob o peso não de uma dolorosa enfermidade, mas de tormentos expiatórios mil vezes mais cruéis. Somos nós igualmente fervorosos, solícitos e diligentes em procurar-lhes alívio?

Infelizmente, quantos cristãos fazem pouco ou nada pelos que já partiram!

“Não”, responde S. Francisco de Sales, “nós não nos lembramos o suficiente de nossos queridos amigos que partiram. Sua memória parece extinguir-se com o ressoar dos sinos fúnebres. Esquecemo-nos que a amizade que tem fim, mesmo na morte, não foi jamais uma amizade genuína.”

De onde vem esse triste e culpável esquecimento? Sua causa principal é a falta de reflexão. Quia nullus est qui recogitat corde — “Porque não há ninguém que considere no seu coração” (Jr 12, 11). Nós perdemos de vista os grandes motivos que nos impelem ao exercício dessa caridade para com os mortos. É a fim de estimular nosso zelo, portanto, que temos de trazer de novo à mente esses motivos e esclarecê-los o máximo possível.

Podemos dizer que todos esses motivos encontram-se resumidos nas seguintes palavras do Espírito Santo: “É um santo e piedoso costume o de rezar pelos defuntos, a fim de que eles sejam livres de seus pecados” (2Mb 12, 46), isto é, da punição temporal devida a suas faltas. Em primeiro lugar, trata-se de uma obra, santa e excelente em si mesma, e também agradável e meritória aos olhos de Deus. Consequentemente, é uma obra salutar, sumamente proveitosa a nossa salvação e a nossa felicidade neste e no mundo futuro.

“Assistir as almas do Purgatório é praticar da forma mais sublime todas as obras de misericórdia juntas.”

“Uma das obras mais santas, um dos melhores exercícios de piedade que podemos praticar neste mundo”, diz Santo Agostinho, “é oferecer sacrifícios, esmolas e orações pelos defuntos” (Hom., XVI).

“O alívio que nós procuramos para os mortos”, diz S. Jerônimo, “alcança-nos uma misericórdia semelhante.” Considerada em si mesma, a oração pelos mortos é uma obra de fé, caridade e com frequência até de justiça.

Em primeiro lugar, quem são, de fato, as pessoas que temos o dever de assistir, senão essas santas e predestinadas almas, tão queridas a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo; tão queridas a sua mãe, a Igreja, que incessantemente as encomenda à nossa caridade; tão queridas também a nós, que talvez nos foram intimamente unidas sobre a terra, e que nos imploram ajuda com estas tocantes palavras: “Compadecei-vos de mim, compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos” (Jó 19, 21)? Segundo, em que necessidades elas se encontram? Ai, sendo tão grandes as suas necessidades, essas almas têm um direito à nossa assistência proporcionado à sua incapacidade de fazer qualquer coisa por si mesmas. Terceiro, que bem procuramos nós para as almas, senão o maior dos bens, já que os podemos colocar na posse da bem-aventurança eterna?

“Assistir as almas do Purgatório”, diz S. Francisco de Sales, “é realizar a mais excelente das obras de misericórdia, ou melhor, é praticar da forma mais sublime todas as obras de misericórdia juntas: é visitar os doentes; é dar de beber aos que têm sede da visão de Deus; é dar de comer aos que têm fome, é visitar os encarcerados, é vestir os nus, é procurar para os pobres exilados a hospitalidade da Jerusalém celeste; é confortar os aflitos, é instruir os ignorantes — é, em suma, praticar todas as obras de misericórdia em uma.”

Essa doutrina concorda muito bem com a de Santo Tomás, que ensina em sua Suma: “Os sufrágios pelos mortos são mais agradáveis a Deus que os sufrágios pelos vivos, porque aqueles têm necessidade mais urgente deles, não estando aptos a se ajudarem por si mesmos, como os vivos” (Supplem., q. 71, art. 5).

Nosso Senhor considera cada obra de misericórdia exercida a nosso próximo como se fosse feita a Ele próprio. Mihi fecistis: “A mim o fizestes”. Isso é mais especialmente verdadeiro quanto à misericórdia praticada para com as pobres almas. Foi revelado a Santa Brígida que aquele que liberta uma alma do Purgatório ganha o mesmo mérito de libertar o próprio Jesus Cristo do cativeiro.

 

Referências

Trecho da obra “Purgatory: Explained by the Lives and Legends of the Saints” (p. II, c. XXXIV), Londres: Burns & Oates, 1893, pp. 215-217.

A REALIDADE DO PURGATÓRIO

 

As almas benditas do purgatório podem encurtar nosso próprio purgatório. Nossa senhora quer que as ajudemos: nunca, nunca uma mãe desta terra amou tão ternamente a seus filhos falecidos, nunca ninguém as consola como Maria; busca consolar seus sofredores filhos no purgatório, e tê-los com ela no céu. Nós lhe daremos grande regozijo cada vez que tirarmos do purgatório uma alma. As benditas almas do purgatório nos devolvem o mil por um!
Mas que poderemos dizer dos sentimentos das santas almas? Seria praticamente impossível de descrever sua ilimitada gratidão para aqueles que as ajudam! Cheias de um imenso desejo de pagar os favores feitos por elas, rogam por seus benfeitores com um fervor tão grande, tão intenso, tão constante, que Deus não lhes pode negar nada.
Santa Catarina de Bologna disse: "Tenho recebido muitos e grandes favores dos santos, mas muito maiores das santas almas (do purgatório)".
Quando finalmente são liberadas de suas penas e desfrutam da beatitude do céu, longe de esquecer a seus amigos da terra, sua gratidão não conhece limites. Prostradas frente ao trono de deus, não cessam de orar por aqueles que os ajudaram. Por suas orações elas protegem a seus amigos dos perigos e os protegem dos demônios que os atacam. Não cessam de orar até ver a seus benfeitores seguros no céu, e serão para sempre seus mais queridos, sinceros e melhores amigos. Se os católicos soubessem quão poderosos protetores se asseguram com apenas ajudar as almas benditas, não seriam tão omissos de orar por eles.
As almas benditas do purgatório podem encurtar nosso próprio purgatório outra grande graça que obteremos por orar por elas é um curto e fácil purgatório, ou sua completa remissão!
São João Macias, sacerdote dominicano, tinha uma maravilhosa devoção as almas do purgatório. Obteve por suas orações (principalmente pela recitação do Santo Rosário) a liberação de um milhão e quatrocentas mil almas! Em retribuição, obteve para si mesmo as mais abundantes e extraordinárias graças e essas almas vieram consolá-lo em seu leito de morte, e acompanhá-lo até o céu. Este feito é tão certo que foi inserido pela igreja na bula que decretava sua beatificação.
O cardeal Barônio recorda um evento similar. Foi chamado a assistir a um moribundo. De repente, um exército de espíritos benditos apareceu no leito de morte, consolaram ao moribundo, e dissiparam aos demônios que gemiam, em um desesperado intento por lograr sua ruína. Quando o cardeal lhes perguntou quem seriam, lhe responderam que eram oito mil almas que este homem havia liberado do purgatório graças a suas orações e boas obras. Foram enviadas por Deus, segundo explicaram, para levá-lo ao céu sem passar um só momento no purgatório.
Santa Gertrudes foi ferozmente tentada pelo demônio, quando estava por morrer. O espírito demoníaco nos reserva uma perigosa e sutil tentação para nossos últimos minutos.
Como não pôde encontrar um assalto o suficientemente inteligente para esta Santa, pensou em molestar sua beatifica paz sugerindo-lhe que ia a passar muitíssimo tempo no purgatório, posto que desperdiçou suas próprias indulgências e sufrágios em favor de outras almas. Mas nosso Senhor, não contente com enviar Seus anjos e a milhares de almas que ela havia liberado, foi em pessoa para afastar a satanás e confortar a Sua querida Santa. Ele disse a Santa Gertrudes que em troca do que ela havia feito pelas almas benditas, lhe levaria direto ao céu e multiplicaria cem vezes todos seus méritos.
O beato Enrique Suso, da ordem dominicana, fez um pacto com outro irmão da ordem pelo qual, quando o primeiro deles morresse, o sobrevivente ofereceria duas missas cada semana por sua alma, e outras orações também. Sucedeu que seu companheiro morreu primeiro, e o beato enrique começou imediatamente a oferecer as prometidas missas. Continuou dizendo-as por um largo tempo. Ao final, suficientemente seguro que seu santamente morto amigo havia alcançado o céu, cessou de oferecer as missas. Grande foi seu arrependimento e consternação quando o irmão morto apareceu frente a ele sofrendo intensamente e reclamando que não havia celebrado as missas prometidas.
O beato Enrique replicou com grande arrependimento que não continuou com as missas, crendo que seu amigo seguramente estaria desfrutando da visão beatifica, mas agregou que sempre o recordava em suas orações. "Ó irmão Enrique, por favor, dai-me as missas, pois é o preciosíssimo Sangue de Jesus o que eu mais necessito", chorava a sofredora alma. O beato recomeçou a oferecê-las, e com redobrado fervor, ofereceu missas e rogos por seu amigo até que recebeu absoluta certeza de sua liberação.
Logo foi sua vez de receber graças e benções de toda classe, por parte de seu querido irmão liberado, e muito mais do que quantas havia esperado.
Santo Afonso Maria de Ligório dizia que, ainda que as santas almas não podem já lograr méritos para si mesmas, podem obter para nós grandes graças.

A segunda medida para ajudar as almas benditas, é pedindo missas oferecidas por elas. Ouvir missa uma vez na semana (basta a Missa do domingo) pelas santas almas. Esta é certamente a mais eficaz das medidas para liberá-las. Aqueles que não possam oferecer missas, esses deveriam assistir a quantas missas for possível por sua intercessão.
A recitação do Santo Rosário (com suas grandes indulgências) e fazer a via crucis (a qual é ricamente doadora de indulgências), são excelentes vias de ajuda as almas.
São João Macias, como vimos, liberou do purgatório mais de um milhão de almas, principalmente recitando o Santo Rosário e oferecendo suas indulgências por elas.

Outra fácil e eficaz forma de ajuda é a recitação constante de orações breves que contenham indulgências (aplicando ditas indulgências em favor das almas do purgatório) muita gente tem a costume de dizer 500, ou 1000 vezes cada dia a pequena jaculatória "Sagrado coração de Jesus, em Vós confio", ou apenas a palavra "Jesus".
Estas são as mais consoladoras devoções; elas trazem oceanos de graças a quem as praticam e dão imenso alivio as santas almas.
Aqueles que digam as jaculatórias 500, ou 1.000 vezes, ganham 300.000 dias de indulgências (oitocentos e vinte um anos de indulgências)! Quão grande é a multidão de almas podemos liberar! Quanto não será a quantidade de almas liberadas ao cabo de um mês, de um ano, de cinquenta anos?

Todavia outra poderosa oração é: "Pai Eterno, ofereço-Vos o preciosíssimo Sangue de Jesus, com todas as Missas ditas no mundo neste dia, pelas almas do purgatório".
Nosso Senhor mostrou a Santa Gertrudes um vasto número de almas deixando o purgatório (cerca de 1.000 cada vez que se recitava!) E indo ao céu como resultado desta oração, a qual a Santa costumava dizer frequentemente durante o dia.
Salve Maria Santíssima e Imaculada!

VOCÊ REZA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO?


Se vísseis vosso pai e vossa mãe a ponto de afogar-se num lago e que para salvá-los vos bastasse estender a mão, não seríeis levados, pela caridade e pela Justiça, a socorrê-los!? 



O Divino Sacrifício (Santa Missa) é um grande auxílio para as almas dos fiéis falecidos, e não só paga por suas dívidas, mas oferece a Deus a satisfação que elas deveriam cumprir por meio de seus tormentos, obtendo-lhes, além disso, a remissão de suas penas. A fim, portanto, de incitar tua compaixão por essas santas almas, saibas que o fogo em que estão mergulhadas é tão devorador quanto o do próprio Inferno, segundo São Gregório. Como instrumento da Justiça Divina, ele age sobre as almas com tão grande ardor que lhes causa dores intoleráveis e superiores a todos os suplícios que sofreram os Mártires e que o entendimento humano pode conceber. Muito mais, porém, sofrem elas pela pena de dano, ou seja, pela privação da bem-aventurada visão de Deus. 

Elas experimentam, como afirma São Tomás, uma insuportável angústia causada pelo desejo que têm de ver o Soberano Bem, desejo que não pode ser satisfeito.

Para convencer-te, ouve São Jerônimo. Ele te dirá claramente que, ao celebrar-se a Santa Missa por uma alma do Purgatório, o fogo tão devorador que ordinariamente a consome suspende sua ação e ela não sofre pena alguma enquanto dura o Sacrifício. O mesmo Santo Doutor afirma também que, a cada Santa Missa celebrada, muitas almas ficam livres do Purgatório e voam para o Paraíso. Essas santas almas do purgatório são tão gratas a seus benfeitores que, chegando ao Céu, elas se tornam suas advogadas e jamais o abandonam até que os vejam de posse da glória. Em nossas crônicas se lê a respeito de um religioso que, após a morte, apareceu a um de seus companheiros, revelando-lhe que no Purgatório sofria dores extremas por ter sido muito negligente em rezar por seus irmãos falecidos. Até aquele momento ele não recebera nenhum alívio das Missas oferecidas em seu favor. Como punição por sua negligência, Deus os aplicava a outras almas que em vida tinham sido devotas das almas sofredoras.
Antes de terminar esta instrução, permite-me, caro leitor, suplicar-te de joelhos e mãos postas para que não termines de ler esta exortação sem tomar a firme resolução de fazer, em seguida, todo o esforço para assistir ou encomendar todas as Santas Missas que tuas ocupações permitirem, não só pelas almas dos falecidos, mas também pela tua, e isto por dois motivos:

1º) Para alcançar uma boa e santa morte, pois é opinião constante dos teólogos que não há meio mais eficaz do que este para se chegar a um bom fim. Além disso, Nosso Senhor Jesus Cristo revelou à Santa Matilde que aquele que durante a vida tiver o hábito de assistir devotamente à Santa Missa, será consolado na morte pela presença dos Anjos e dos Santos protetores, que o defenderão poderosamente contra os ataques do inferno. Ah! De que bela morte será coroada a tua vida se souberes aproveitá-la para assistir a todas as Santas Missas que puderes.

2º) Para sair rapidamente do Purgatório e voar à glória eterna. Se me permites, dar-te-ei , sobre este ponto, um conselho de grande importância: cuida de mandar celebrar durante a tua vida todas as Santas Missas que desejarias que fossem celebradas depois de tua morte. Santo Anselmo nos ensina que uma única Santa Missa assistida ou celebrada por nossa intenção durante a vida nos será talvez mais útil que mil depois de nossa morte.

(Fragmentos de: Excelências da Santa Missa - São Leonardo de Porto-Maurício).

Quando foi a última vez que ouviu uma homilia sobre o purgatório?

SIMPLES PENSAMENTOS SOBRE O PURGATÓRIO    Os benefícios de rezar pelas Almas do Purgatório                        REQUIEM AETERNAM DONA EI...

Se a sua paróquia for como a maioria, já foi há muito tempo. Agora uma pergunta mais pessoal: quando foi a última vez que rezou pelas almas do purgatório? Se for como muitos católicos, a resposta é: há algum tempo. As almas do purgatório são muito frequentemente esquecidas pelos católicos e temo que muitas vezes confundida com uma visão mal orientada, medieval (como se isso fosse negativo), supersticiosa ou, pior ainda, ecumenicamente insensível.

Independentemente das razões para a sua negligência, é doutrina constante da Igreja que o purgatório é muito real e que existem inúmeras almas que precisam das nossas orações. Mas a minha intenção aqui não é provar que o purgatório existe ou fornecer uma base teológica para a sua existência. É antes para o animar a orar pela Igreja que sofre. Eis cinco razões para rezar pelo alívio dos nossos irmãos e irmãs no purgatório.

1. A dor é real - O sofrimento no purgatório é comparado pelos santos a um fogo ardente. De facto, alguns santos chegaram mesmo a dizer que a dor do purgatório não é assim tão diferente do sofrimento do inferno. Uma das principais fontes da dor é o facto de que já se obteve a salvação, mas não se pode desfrutar imediatamente das suas consolações. Esse atraso do gozo do Céu leva a uma espécie de agonia espiritual. São Tomás de Aquino explica-o assim:

Quanto mais se anseia por uma coisa, mais dolorosa se torna a privação. E porque depois desta vida o desejo por Deus, o Supremo Bem, é intenso nas almas dos justos (porque este ímpeto em Sua direcção não é impedido pelo peso do corpo, e esse tempo de gozo do Bem Perfeito teria chegado se não houvesse obstáculos), a alma sofre enormemente com o atraso.

Assim, as almas do purgatório sofrem de uma maneira muito real e dolorosa, uma maneira que não podemos compreender plenamente. Temos a capacidade de as ajudar e aliviar com as nossas orações e acções.

2. São da nossa família - Muitos de nós temos parentes - avós, tias, tios e pais - que morreram e provavelmente estão no purgatório. Deveríamos rezar pelas suas almas pelo amor que lhes temos. Mas mesmo que não tenhamos familiares falecidos de que tenhamos conhecimento, as almas do purgatório são nossos irmãos e irmãs espirituais. Através do baptismo em Cristo fazemos parte da mesma família e essa relação familiar deveria incentivar-nos a agir em favor deles.

3. Provavelmente também iremos para lá – Sejamos francos, a maioria de nós simplesmente não é suficientemente santo para escapar ao purgatório e a grande maioria de nós passará pelas suas chamas purificadoras. Se estivesse a sofrer intensamente, não gostaria que alguém lhe oferecesse alívio? Claro que sim. Rezar pelas benditas almas do purgatório é uma forma de cumprir a regra de ouro que nos é dada por Cristo - fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Se sente aversão a rezar por estas pobres almas, então pense simplesmente naquilo que gostaria que lhe fizessem se estivesse no seu lugar.

4. Será uma fonte de alegria – Quem reza pelas almas do purgatório é recompensado. Consegue imaginar a alegria de encontrar um dia, no Céu, irmãos e irmãs em Cristo e perceber que os ajudou com as suas humildes orações? "Ao entrarmos no Céu, iremos vê-los, muitos deles vindo em nossa direcção agradecendo-nos", disse certa vez o Arcebispo Fulton Sheen [bispo católico americano já falecido], "Perguntaremos quem são e eles dirão uma pobre alma do purgatório pela qual rezaste.” O pequeno sacrifício de tempo que fizemos nesta vida valerá a pena quando virmos os rostos daqueles que beneficiaram das nossas orações.

5. Não é assim tão difícil – Rezar pelas almas do purgatório é muito fácil, tão fácil que não temos desculpa para não o fazer. Uma oração pelas benditas almas do purgatório pode ser tão simples quanto a curta oração Requiem Aeternam: “Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, entre os esplendores da luz perpétua. Descansem em paz. Ámen.” Também podemos acrescentar uma breve petição à nossa oração antes das refeições: “Abençoai-nos, Senhor, e a estes alimentos... Que as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia divina descansem em paz.” Por que não rezar estas simples orações diariamente?

Duas maneiras eficazes de rezar pelas almas do purgatório são rezar o Terço da Divina Misericórdia e recordá-las nas intenções do Terço. O Terço da Divina Misericórdia e o Terço exigem um compromisso de tempo de aproximadamente 10 a 20 minutos. Rezar essas poderosas orações uma vez por semana pelas benditas almas do purgatório não é pedir muito, considerando o benefício que isso traz aos membros da sua família espiritual.

Por fim, pode pedir-se para celebrar Missas pelas pobres almas do purgatório. Os Estipêndios de Missa são acessíveis e essa esmola de misericórdia é agradável a Deus e pouco onerosa.

COMECE A REZAR

O purgatório não é mais do que uma experiência da misericórdia ardente e purificadora de Deus, um amor purificador que consome todos os defeitos com a sua intensidade. Embora nos possa parecer estranho pensar em amor e misericórdia como dor infligida, essa é a realidade do purgatório.

Temos o poder de ajudar os nossos amigos que sofrem e dar-lhes alívio. Fazer isso é um acto de misericórdia e de amor de doação. O sacrifício que exige de nós é mínimo e, no entanto, as recompensas são grandes. No Dia dos Fiéis Defuntos, renovemos o nosso compromisso de rezar pelos nossos irmãos e irmãs que sofrem no amor purificador de Deus.

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
Entre os esplendores da luz perpétua.
Descanse em paz. Ámen.


Sam Guzman

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