domingo, 30 de dezembro de 2018

Para alívio das almas


Almas do Purgatório
Pai eterno, eu vos ofereço o sangue precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo para alívio das almas sofredoras que ainda padecem no purgatório. Suplico a vós, meu Jesus Cristo, Salvador do mundo, que lhes devolvais a luz perdida.
E vós, almas santas e benditas, que sois tão poderosas, eu vos suplico, intercedei junto a Nosso Senhor Jesus Cristo, Redentor do mundo, pelos viventes sofredores desta terra, entre os quais eu também me encontro. Rogo-vos, benditas almas, que aceiteis a minha prece.
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno e a luz perpétua as ilumine. Descanse em paz.
Amém.

ORAÇÃO PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO



Senhor Jesus, dignai-Vos, pelo Sangue precioso que derramastes no Jardim das Oliveiras, socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente a mais desamparada. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a Vossa Mãe Santíssima, ela Vos bendiga para sempre. Amen. 

Senhor Jesus, pelo Sangue precioso que derramastes durante a Vossa Flagelação, dignai-Vos socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente a que em vida me fez mais benefícios. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a Vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amen. 

Senhor Jesus, pelo Sangue precioso que derramastes durante a Vossa Coroação de espinhos, dignai-Vos socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente a que mais amou a Santíssima Virgem. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e ? Vossa Mãe Santíssima, ela Vos bendiga para sempre. Amen. 

Senhor Jesus, pelo Sangue precioso que derramastes carregando a Vossa Cruz, dignai-Vos socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente a que sofre, pelos maus exemplos que lhe dei. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a Vossa Mãe Santíssima, ela Vos bendiga para sempre. Amen. 

Senhor Jesus, pelos merecimentos do Sangue precioso contido no cálice que apresentastes aos Vossos apóstolos depois da Ceia, dignai-Vos socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente a que foi mais fervorosa com o Santíssimo Sacramento do Altar. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a Vossa Mãe Santíssima, Vos bendiga para sempre. Amen. 

Senhor Jesus, pelos méritos do Sangue precioso que emanou das Vossas Chagas, dignai-Vos socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente aquela a quem me confiastes na terra. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a Vossa Mãe Santíssima, ela Vos bendiga para sempre. Amen. 

Senhor Jesus, pelos méritos do Sangue precioso que emanou do Vosso Sagrado Coração, dignai-Vos socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente a que mais propagou o culto do Vosso Sacratíssimo Coração. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a Vossa Mãe Santíssima, ela Vos bendiga para sempre. Amen. 

Senhor Jesus, pelos merecimentos da Vossa adorável resignação sobre a Cruz, dignai-Vos socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente a que mais padece por minha causa. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a Vossa Mãe Santíssima, ela Vos bendiga para sempre. Amen. 

Senhor Jesus, pelos méritos das Lágrimas que a Santíssima Virgem derramou aos pés da Vossa Cruz, dignai-Vos socorrer e livrar as Almas do Purgatório, principalmente a que Vos é mais querida. Levai-a hoje para o Céu, a fim de que, unida aos Anjos e a Vossa Mãe Santíssima, ela Vos bendiga para sempre. Amen. 

Ó Deus, que concedeis o perdão dos pecados e quereis a salvação dos homens, imploramos a Vossa clemência para que, pela intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e de todos os Santos, façais com que cheguem a participar da eterna bem-aventurança todos os nossos irmãos, parentes e amigos que passaram desta vida para a outra, por Cristo, Nosso Senhor. Amem.

Sulco 889

Altar das almas do Purgatório. igreja da Conceição de Santa Cruz de Tenerife, Espanha. (Foto: Koppchen)

Se tens "vida de infância", por seres criança, hás-de ser espiritualmente guloso. - Lembra--te, como os da tua idade, das coisas boas que a tua Mãe tem guardadas.
E isto, muitas vezes ao dia. - É questão de segundos: Maria... Jesus... o Sacrário... a Comunhão... o Amor... o sofrimento... as benditas almas do Purgatório... os que lutam; o Papa, os sacerdotes... os fiéis... a tua alma... as almas dos teus... Os Anjos da Guarda... os pecadores...

domingo, 25 de novembro de 2018

O mérito do sufrágio



Que os sufrágios que prestamos às pobres almas sofredoras do purgatório seja uma obra muito meri­tória e receberá certamente grande recompensa de Deus, nenhum teólogo o contesta. É uma obra de ca­ridade, e Nosso Senhor, que promete recompensa até a um copo de água dado em seu nome, como não há de ser propício a quem socorre as mais miseráveis e infelizes e desprotegidas criaturas: as pobres almas, que nada podem fazer por si para se livrarem dos tormentos a que estão submetidas pela Divina Justiça e dependem da nossa caridade! É certo que as almas libertadas das chamas da expiação, no céu, interce­dem por seus benfeitores, porque estão cheias da Di­vina Caridade e podem, como os Santos, nos valer neste mundo. Portanto, o mérito que adquirimos com a caridade do sufrágio será bem recompensado por­que a ingratidão nunca entrou no céu e as santas almas salvas por nós serão nossas advogadas e tudo farão por nós junto de Deus.

São Francisco de Sales vê no socorro que pres­tamos às almas, todas as obras de caridade. “Não é visitar os enfermos, diz o Santo Doutor, obter por nossas orações o alívio das pobres almas que sofrem no purgatório? Não é dar de beber aos que têm sede tão grande da visão de Deus, dar o orvalho da nossa oração às que estão entre as chamas? Não é dar de comer aos que têm fome, ajudá-las pelos meios que a fé nos oferece? Não é verdadeiramente libertar os prisioneiros? Não é vestir os nus e lhes dar uma ves­te de luz e de glória? Não é dar hospitalidade, dar entrada na Celeste Jerusalém e fazer as almas ami­gas de Deus e dos Santos, fazendo-as moradoras eter­nas da Eterna Sião?” [1].

Ora, se Nosso Senhor declara que no dia de Juízo há de dar o céu e uma grande recompensa às obras de caridade, não há de recompensar generosamente estas obras de caridade para com as benditas almas?

Tem muito mérito o sufrágio, o socorro às ben­ditas almas.

Diz também o piedoso oratoriano Pe. Faber[2], como que comentando São Francisco de Sales: “A principal devoção da Igreja consiste nas obras de mi­sericórdia, e vede como elas se encontram todas reu­nidas na devoção para com os mortos! Ela sacia a fome das almas dando-lhes Jesus, o Pão dos Anjos. Para estancar a sede inextinguível que as devora, apresenta-lhes o Precioso Sangue de Jesus. Dá, aos que estavam nus, a veste da glória. Visita os doen­tes, consola-os e dá-lhes remédios. Livra os cativos de cadeias mais terríveis que a morte e os põe em liberdade celeste e eterna. Acolhe os peregrinos e lhes dá a hospitalidade do céu. Sepulta os mortos no seio de Jesus para que aí gozem o eterno descanso”.

Ó, quando vier o dia de Juízo, felizes os que ti­verem socorrido as pobres almas! Quanto mérito nes­ta obra de caridade — o sufrágio dos mortos!

Podem as almas interceder por nós?

Já não contestamos que possam as almas nos ajudar quando no céu, e que Deus pelos méritos do sufrágio e da grande obra de caridade que praticamos socorrendo o purgatório nos conceda muitas graças e tudo podemos alcançar só com o mérito de tão boa obra. Todavia, vamos mais além e podemos afirmar: as almas podem nos ajudar mesmo no purgatório. Alguns teólogos o negam. Todavia a quase maioria deles e muitos dos mais autorizados, afirmam que as almas mesmo no purgatório, no estado de sofrimen­to, podem interceder por nós. A Igreja, apesar do silêncio sobre a questão, permite no entanto a ora­ção dos fiéis às almas e deixa esta devoção se desen­volver cada vez mais. Grandes Santos e até Douto­res da Igreja tiveram esta devoção e a aconselharam muitos autores seguros. Nas catacumbas se encon­tram inscrições como estas: que tua alma repouse em paz! Reza por tua irmã. É uma oração pelo defunto e uma prece ao defunto.

Diz o grande teólogo Suarez[3] (3) que em geral as almas do purgatório podem orar pela Igreja militan­te, e isto é conforme a idéia que devemos ter da Bon­dade de Deus. As almas do purgatório são santas e devem rezar como os Santos rezam. E, como os Santos, são atendidas na medida da gloria que deram a Deus quando estavam neste mundo. O sofrimento em que elas estão, longe de diminuir, aumenta, o va­lor e a eficácia das suas orações. Dizia um piedoso autor: “aqui na família da terra, os pedidos e as sú­plicas de um membro doente e que padece mais, não são atendidas com mais carinho e simpatia? Não são as almas os membros doloridos da Igreja?”[4].

Dizem alguns que as almas do purgatório não podem nos valer porque não podem conhecer nossas necessidades. Ainda que assim fosse, responde Sua­rez, as almas pedindo pela Igreja militante nos fazem participantes da sua oração em nosso favor. E não poderiam ter conhecimento de nossas necessidades pelo ministério dos Anjos? Diz Santo Tomás: “As almas dos mortos podem se interessar pelos vivos ainda que ignorem o seu estado, assim como os vivos podem se interessar pelas almas ainda que as igno­rem. Podem as almas do purgatório conhecer as ne­cessidades dos vivos pelas almas que partem deste mundo, ou pelos Anjos”[5].

Portanto, não podem as almas se interessarem pela nossa sorte neste mundo e rezarem por nós? É sentença comum dos teólogos, diz São Roberto Belarmino que as almas podem rezar pelos vivos[6].

Dizem também que o sofrimento das pobres almas é tão intenso e profundo, que elas não podem pensar em nós e nem nos valer.

O sofrimento das santas almas não as torna egoístas e não, lhes tira o sentido, o conhecimento da extrema necessidade em que nos encontramos muitas vezes e dos perigos a que estamos expostos nes­ta vida. As almas do purgatório estão numa ordem sobrenatural superior. Podem, pois, interceder por nós. É doutrina de muitos Santos Doutores e teólo­gos seguros.

As almas do purgatório nos socorrem

As almas do purgatório podem nos ajudar e o mérito da caridade de nossos sufrágios tudo pode nos alcançar da Divina Misericórdia em nosso favor. Pois estas benditas almas nos ajudam realmente e a experiência tem provado há tantos séculos quanto é eficaz invocar a proteção do purgatório.

Sim, as almas do purgatório por si não podem merecer na outra vida, mas podem fazer valer em nos­so favor, os méritos que adquiriram neste mundo. Por isto Santo Afonso, São Roberto Belarmino, dou­tores da Igreja, ensinaram que podemos invocar a proteção das almas do purgatório para obterem de Deus favores de que necessitamos. Dizia Santa Tere­sa: “Tudo quanto peço a Deus pela intercessão das almas do purgatório me é concedido”. Demos sufrá­gios às almas e Deus por esta caridade nos ajudará pelas orações e os méritos destas santas almas libertadas das chamas expiadoras.

Santa Catarina de Bolonha escrevia: “Quando quero obter com segurança uma graça, recorro às al­mas padecentes e a graça que suplico sempre me é concedida”.

Daí as expressões do Santo Cura d’Ars, que sem­pre repito: “Se soubéssemos quão grande é o poder das santas almas do purgatório e quantas graças po­demos alcançar por sua intercessão, não seriam elas tão esquecidas”.

Vamos, pois, tenhamos caridade, tenhamos pie­dade das pobres almas sofredoras. Deus não permi­tirá que sofra muito no purgatório quem neste mun­do socorreu os mortos. Portanto, é de nosso interes­se, sufragar os mortos. A experiência o prova mil vezes quanto a devoção às almas é útil e vantajosa aos vivos. “O que nós lhes dermos em sufrágios, diz Santo Ambrósio, se muda em graças para nós, e os havemos de achar depois da morte”.

Nas revelações de Santa Brígida[7] lê-se que a Santa viu um Anjo que descendo ao purgatório para consolar as almas dizia: Bendito seja aquele que ain­da na terra, enquanto vivo, ajuda as almas do pur­gatório com orações e boas obras!

E ao mesmo tempo, das profundezas do abismo das chamas do purgatório, se ouvia um coro de vozes suplicantes: Ó Jesus Cristo, justo Juiz, em nome de vossa misericórdia infinita, não olheis nossas faltas inumeráveis, mas aos méritos de vossa preciosa Paixão. Ponde, Senhor, no coração dos eclesiásticos um sentimento de verdadeira caridade, a fim de que por suas orações, suas mortificações e esmolas e as in­dulgências que nos aplicarem nos socorram em nes­sa triste situação.

Outras vozes respondiam: Graças, mil graças aos que nos aliviam em nossas desgraças. Ó Senhor, que o vosso poder infinito dê o cêntuplo aos nossos ben­feitores que os levam à morada da vossa eterna luz.

As santas almas repetem sempre esta súplica em favor dos seus benfeitores.

Diz a Sagrada Escritura: Benefac justo et inve­nies retributionem magnam. Fazei o bem ao justo e tereis grande recompensa. As almas do purgatório são santas almas de justos, cheios de méritos e de virtudes. Quanta santidade naquelas chamas expiadoras! Pois bem. Tudo o que fizemos por elas terá grande recompensa. É a palavra de Deus que no-lo garante!

Exemplo

A criada devota das almas do purgatório


Diversos autores, entre eles Berlioux, no seu “Mês das Almas”, Mons. Louvet, no seu “Le Pur­gatoire”, narram este fato, que este último autor diz ter se dado em Paris e no ano de 1817.

Uma piedosa e humilde criada tinha o costume de todos os meses tirar do seu pobre ordenado uma espórtula para uma missa pelas almas do purgatório. Fazia todo sacrifício, mas não deixava de mandar celebrar cada mês a Missa da sua devoção. Ia assis­tir ao Santo Sacrifício com muito fervor e pedia pela alma que mais necessidade tivesse de uma Missa pa­ra entrar no céu.

Deus a provou com uma doença que a fez sofrer muito e ainda perder o emprego. No dia em que saiu do hospital, só tinha consigo a importância necessá­ria para a espórtula de uma Missa. Pôs toda con­fiança em Deus e andou à procura de um emprego. Em vão. Não o achava em parte alguma. Passou pela igreja de Santo Eustáquio e entrou. Lembrou- se logo de que naquele mês não pode mandar cele­brar a Santa Missa pelas almas. Tirou da bolsa o dinheiro e pensou consigo: Se agora mando celebrar a Missa, que mc restará hoje para comer? Que será de mim? Que importa! Deus há de ter pena de mim. E demais, as pobres almas sofrem mais do que eu.

Foi à sacristia e perguntou se era possível celebrar-se ainda uma Missa. Felizmente, lá eslava um sacerdote sem intenção de Missa para aquele dia. Deu-lhe a espórtula, pediu a Missa pelas almas, assis­tiu-a com todo fervor e se retirou da igreja absolu­tamente sem vintém e sem saber para onde ir.

Estava assim pensando na sua pobre vida quan­do um moço alto, muito pálido, se aproximou dela e disse:

—A senhora anda à procura de um emprego?

— Sim, meu senhor, e necessito muito uma co­locação hoje mesmo...

— Pois então vá à casa de Madame X, rua tal, número tal, e creio que ela vos receberá, porque vai precisar de uma empregada hoje.

A pobre criada tão satisfeita ficou, que nem agradeceu ao moço. Quando voltou para trás, nem o viu mais. Foi à procura do endereço e ao chegar à casa indicada deu de encontro com uma mulher que descia a escada furiosa e a gritar contra al­guém.

— É aqui que mora Madame X? Pergunta-lhe.

— Sei lá! Desta casa não quero ver nem a som­bra. Bata na porta. Não quero saber desta mulher. Adeus!”.

A criada bateu timidamente a campainha e es­perou. Apareceu-lhe uma senhora de certa idade e aspecto muito bondoso.

— Minha senhora, diz a criada, eu acabo de sa­ber esta manhã que a senhora estava precisando de uma empregada e, como estou sem colocação, aqui venho me apresentar, e me disseram que a senhora é muito bondosa e me havia de acolher muito bem...

— Minha filha, diz a velha, isto é extraordiná­rio! Pois esta manhã eu não disse isto a ninguém e faz apenas meia hora que eu expulsei de minha casa esta empregada insolente que me perdeu o respeito.

Só eu sei que tenho necessidade de uma empregada. Quem te disse isto?

— Encontrei um moço na rua e ele me deu o nome da senhora, rua e número da casa, e aqui cheguei.

A velha não podia compreender quem pudesse ser o tal moço que havia indicado a casa. Neste ínterim, a empregada levanta os olhos e vê na parede um retrato.

— É aquele moço, minha senhora, ele mesmo...

A pobre velha empalideceu.

— É meu filho, e meu filho morto!

A criada contou-lhe toda a sua devoção às santas almas, a Missa que havia mandado celebrar. A ve­lha tomou a pobrezinha num longo abraço e banhada em lágrimas lhe disse: Minha filha, este moço é meu filho já morto. Deveria estar no purgatório. Faleceu há dois anos. Tua Santa Missa o aliviou e libertou. Vamos, daqui por diante, orar juntas e não serás mi­nha criada, não, serás minha filha”.

Tomou a pobre criada abandonada e adotou-a co­mo membro da família.

Eis como Nosso Senhor recompensa os corações generosos para com as santas almas.

[1] L’Esprit de Saint François de Salles — II p., cap.
[2] Faber — O Purgatório — 36.
[3] Lib. I — De orat. — Cap. II.
[4] Jugie — Le Purgatoire — Chap. IV — II part.
[5] Sum. Theol. I — quest. 89 — art. 8 ao 1.
[6] R. Belarm. — De Purgatorio — I, 2 e 15.
[7] Revel. — Liber IV, cap. VII.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas




Sim, depois da Santa Missa, não há sufrágio me­lhor e mais poderoso para socorrer as pobres almas que a Santa Comunhão. Escreveu São Boaventura: “Que a caridade te leve a comungar, porque nada há tão eficaz para proporcionar descanso aos que pade­cem no purgatório”.

É verdade que a Eucaristia como alimento espi­ritual é destinada aos vivos. É o cibus viatorum  alimento dos viajores, no expressivo e belo dizer da Liturgia. Tem por fim sustentar a alma na peregri­nação terrena, fortificá-la na luta contra os inimi­gos. Como pode ser um auxílio e sufragar os mortos? Discutiram os teólogos esta questão, mas todos estão de acordo que muito mérito e muitas obras boas faz quem recebe o Corpo de Cristo e esta união íntima da alma com seu Deus á torna mais agradável e mais poderosa para interceder pelos mortos, e torna a Co­munhão um dos mais poderosos e úteis sufrágios de­pois da Santa Missa. Dizia Tobias: “Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo”. Como se aplica bem esta passagem da Escritura à Comunhão pelos mortos! É o Pão de Vida eterna e o Vinho transubstanciado no Sangue de Jesus Cristo que vamos colocar em nosso coração para implorarmos a mise­ricórdia pelos nossos queridos e saudosos mortos! A lembrança dos mortos unida à Santa Eucaristia é tão bela e consoladora! Não é só pelo Sacrifício do Cor­po e do Sangue de Jesus Cristo que se podem aliviar as almas do purgatório. A Sagrada Eucaristia como sacramento pode ser de grande alívio para os defuntos, principalmente quando os fiéis vivos se unem para aplicar o fruto de uma Comunhão geral. É uma prá­tica autorizada pela Igreja. A Comunhão dignamen­te recebida é muito proveitosa para os fiéis defuntos. Quantos atos bons não se praticam numa só Comu­nhão! Preparação habitual pelo estado de graça que muitas vezes custa tanto ao cristão conservá-lo, pre­paração próxima pelos atos de fé, esperança e de amor, enfim, os sacrifícios que tornam meritória pa­ra os defuntos como sufrágio, a Comunhão. E de­mais, aquela união íntima da alma com seu Criador e Redentor nos momentos depois da Comunhão, não fazem de quem comunga um mediador entre Deus e as pobres almas, para pedir, com fervor, o alívio dos mortos?

Diz Santo Ambrósio que “a Eucaristia é um sa­cramento de descanso e paz para os defuntos e ao mesmo tempo um banquete”. Logo, a Comunhão pode aliviar os mortos, na opinião do Santo Doutor. São João Crisóstomo chama a Comunhão auxílio dos defuntos. E São Cirilo, o maior auxílio dos defuntos — maximum defunctorum juvamen.

Se soubéssemos quantas graças de santidade po­demos atrair para nossas almas com a Santa Comu­nhão, com a participação do Corpo e do Sangue de Cristo, quanto consolo e alívio podemos dar aos que sofrem no purgatório, sentiríamos um desejo arden­te de comungar muitas vezes pelos nossos mortos e aplicar em sufrágio das pobres almas sofredoras to­dos os méritos que podemos adquirir com as nossas comunhões fervorosas. Procuremos fazer boas Comunhões, lembrando-nos de quanto melhor as fizer­mos, tanto mais aliviaremos os mortos.


A Comunhão mensal pelas almas do purgatório


Sejamos práticos. Precisamos socorrer os mor­tos e santificar nossa alma.

A Sagrada Eucaristia é nosso tesouro da terra e é nossa, nosso alimento o Sacramento dos viajores, dos que peregrinamos por esta vida em demanda da eternidade. Para nosso proveito espiritual, e, em su­frágio das pobres almas, vamos comungar com mais frequência. A Comunhão mensal pelas almas não se­ria um incentivo poderoso para a nossa vida espiritual e um grande alívio para os mortos?

É celebre a sentença do Papa Alexandre VI: “Si quis pro animabus in purgatorio detentis, animo illis proficiendi, orationem fecerit, obligat eas ad antidota isve gratitudinem” — Todo o que reza, e muito mais ainda quem comunga pelas almas detidas do purgatório, com o desejo de aliviá-las as obriga à gratidão e remuneração.

A prática da Comunhão mensal pelos fiéis de­funtos é muito antiga. Em algumas regiões é muito concorrida e produz frutos maravilhosos. Começou este piedoso costume em Roma, no pontificado do Papa Paulo V, que se mostrou muito favorável a ela e ele mesmo a pôs em prática, na Cidade Eterna, com frutos surpreendentes. Era incrível como os fiéis afluíam às igrejas cada mês para sufragar seus mor­tos queridos pela Santa Comunhão. Os sucessores de Paulo V continuaram a devoção que se desenvolveu tanto a ponto de só em Roma se ver num dia trinta mil Comunhões pelas almas. A prática passou de Roma para outras cidades da Itália, depois para a França e muitos países europeus.

Ora, entre nós onde o povo é tão devoto das al­mas do purgatório, por que não se há de generalizar o dia da Comunhão mensal pelas almas? Cada Co­munidade religiosa, cada paróquia deveria ter o seu dia mensal das almas. O dia da Comunhão pelas al­mas. De preferência deveria se escolher uma segun­da-feira, quando possível. Nas paróquias talvez um dos domingos, para favorecer o povo. Ó, quem nos dera tivéssemos cada mês, um dia dos mortos, um dia para as santas almas! Missa, Comunhão geral, sufrágios e orações pelos mortos! Entretanto, se esta prática não se faz coletivamente, que nos impede fa­zê-la em particular, e estimular outros a fazerem ó mesmo? Sejamos apóstolos da Comunhão mensal pe­los defuntos. Vamos à Mesa Santa levar algum refrigério ao purgatório, pelas nossas orações e sacrifí­cios em união com Jesus Hóstia. Dizer com Jesus no coração: Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno e bri­lhe para elas a perpétua luz! Oferecer o Sangue Pre­ciosíssimo de Jesus ao Eterno Pai, para o alívio das santas almas!

Não podemos fazer tudo isto numa Comunhão? Há pessoas piedosas e compassivas que oferecem ca­da segunda-feira uma Comunhão pelas almas. É a Comunhão semanal pelos fiéis defuntos. Tanto me­lhor. De vez em quando novenas de Comunhões pe­las almas. Como fazem bem a nós e às pobres al­mas, estas práticas tão edificantes e de tão grande valor! Façamos muitas Comunhões por nossos mor­tos. Propaguemos o uso da Comunhão mensal pelas almas!


Alguns exemplos

Temos tocantes exemplos para nosso estímulo na prática da Comunhão pelos mortos. Santa Madalena de Pazzi perdera um irmão, e ela o vira no sofrimen­to do purgatório, em meio de grandes tormentos. Pôs-se a rezar e sofrer por ele.

Um dia, diz esta pobre alma sofredora à irmã: “Minha irmã, eu padeço e necessito de cento e sete Comunhões para me livrar do purgatório”. Santa Ma­dalena de Pazzi com todo fervor começou logo a sé­rie de Santas Comunhões pela libertação daquela al­ma querida e o conseguiu. Costumava a Santa ex­clamar em êxtase: “Ó Sangue precioso de Jesus Cris­to! Piedade, Senhor! Misericórdia! Livrai as almas da prisão de fogo!”. E oferecia o Sangue de Jesus pe­las almas e comungava muitas vezes por elas.

O Venerável Luís de Blois, conta que um piedo­so servo de Deus foi visitado por uma alma do pur­gatório que lhe fez conhecer os tormentos horríveis que padecia. Estava sofrendo muito por ter recebido a Santa Comunhão sem preparação devida. “Meu amigo, diz a pobre alma num gemido, eu te rogo que faças por minha alma uma Comunhão bem fervoro­sa”. O amigo piedoso assim o fez e sem demora. Esta boa Comunhão obteve o que havia pedido a pobre al­ma, que se viu livre do suplício. Apareceu cheia de gratidão a feliz alma salva. “Graças, mil graças, meu querido amigo. Vou contemplar a face de meu Deus para sempre!”.

Não podemos duvidar da eficácia da Santa Co­munhão para alívio dos mortos. Na vida de uma ser­va de Deus, Maria Luisa de Jesus[1] se conta que num dia da Festa do Corpo de Deus, na hora da San­ta Comunhão, Nosso Senhor lhe apareceu e disse: “Eis o meu corpo que eu entreguei à morte para re­missão do gênero humano e que permanece no Sacramento do Altar”. Jesus, diz a vidente, me fez re­citar nove vezes: “Louvado e agradecido seja a cada momento o Santíssimo e Diviníssimo Sacramento, e depois me disse: “Toma todas as indulgências e vai ao purgatório aliviar as almas que lá estão prisio­neiras”.

No momento da Santa Comunhão, Nosso Senhor diz à sua serva que tome uma chave simbólica, me­tade ouro e metade ferro, traduzindo pelo ouro a mi­sericórdia e pelo ferro a Justiça, e vá libertar as prisioneiras do purgatório.

Que tocante e belo simbolismo! Na hora de nos­sa Comunhão pelos fiéis defuntos, por nossas orações fervorosas e pelos méritos deste ato tão sublime, co­mo que recebemos das mãos de Nosso Senhor a cha­ve de ouro da Misericórdia e de ferro da Justiça, para podermos com ela pagarmos a dívida das pobres al­mas e abrir as portas do purgatório.

Não só a Comunhão, mas nossas adorações e vi­sitas ao Santíssimo podem aliviar muito as pobres almas. Quantas indulgências não tem a devoção eucarística! Vamos aproveitá-las pelos defuntos.


Exemplo

Santa Teresa e a alma de D. Bernardino


Na vida de Santa Teresa lemos um acontecimen­to que nos mostra como Nossa Senhora recompensa seus devotos.

Um jovem fidalgo, de nome Bernardino de Mendoza, muito devoto de Nossa Senhora do Carmo, de­sejava dar a Nossa Senhora uma prova de seu amor. Por isso ofereceu a Teresa uma casa que pos­suía perto da cidade de Valadolid para que ela insta­lasse ali um convento de Nossa Senhora do Carmo. A Santa no começo não se sentia muito disposta a aceitar o donativo para não abrir convento fora da cidade. Mas como a oferta era feita de muito boa vontade e em louvor de Nossa Senhora, não queria privar do merecimento o jovem fidalgo a quem a Virgem Santíssima de certo ajudaria a converter-se para uma vida cristã e virtuosa. Levada por esta es­perança, aceitou a doação da casa.

Cerca de dois meses depois, o fidalgo caiu gra­vemente enfermo. Perdeu a fala e não pôde confes­sar-se, mas deu sinais de arrependimento dos seus pe­cados, pouco depois faleceu. Teresa estava em ou­tra cidade distante dali. Mas Nosso Senhor apare­ceu-lhe e disse: “Minha filha, a salvação deste ho­mem correu grande risco, mas tive dele compaixão e aceitei-o com misericórdia à vista da sua devoção à minha Mãe e da homenagem que lhe prestou dando a casa para ser fundado um convento em seu louvor. Mas ele só sairá do purgatório no dia em que for ce­lebrada a primeira Missa neste novo convento”.

Desde então Teresa tinha continuamente diante dos olhos os sofrimentos desta alma e ardia em de­sejos de instalar o novo convento. Mas apesar de sua boa vontade, apareciam muitas dificuldades que re­tardavam os trabalhos da adaptação da casa e o começo da construção da nova igreja. Um dia, quando ela estava no convento de São José de Medina, Nosso Senhor lhe disse: Apressa-te, pois esta alma sofre muito. A Santa fez novos esforços e empregou toda energia para vencer os empecilhos e apressar as obras. Enfim, pôde ser lançada a primeira pedra da nova igreja e Teresa alcançou a permissão de ser celebra­da no lugar uma Missa campal.

Entretanto, não julgou que a alma do fidalgo já ficasse livre do purgatório por esta Missa, pois as palavras de Nosso Senhor tinham sido muito claras. Urgiu, pois, por todos os meios a execução rápida da construção e afinal viu-a concluída.

Durante a primeira Missa, à hora da Comunhão o sacerdote aproximou-se de Teresa e das outras Ir­mãs para dar-lhes a Sagrada Hóstia. No momento em que Teresa recebeu Nosso Senhor, ela viu a seu lado o falecido fidalgo com o rosto todo resplande­cente; cheio de alegria e de mãos postas, ele lhe agra­deceu o que tinha feito para livrá-lo do purgatório. Depois ela viu-o elevar-se ao céu.

Contando este fato em um de seus livros, Santa Teresa acrescenta: "Ó que grande importância tem toda homenagem que se presta à Mãe de Deus! Quem poderia descrever quanto ela agrada a Deus e quão grande é a misericórdia de Nosso Senhor!”.



[1] Vie — Servante de Dieu Souer Marie Louise de Jesus — Naples, 1897.

domingo, 18 de novembro de 2018

7 fatos sobre o purgatório que você deveria saber

DUSZE CZYŚĆCOWE

Entenda como funciona o purgatório e como ajudar as almas que estão lá

O Catecismo da Igreja Católica assinala que o purgatório é uma “purificação final” que devem fazer para chegar ao céu todos os que “morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna”.
Entretanto, essa realidade é pouco conhecida ou não é bem compreendida. Por esta razão e para estar bem formados sobre o purgatório, apresentamos sete fatos que todo católico deve conhecer sobre a sua existência e a forma de ajudar concretamente as almas que estão no purgatório.
1. Sua existência é mencionada na Bíblia
Em diversas passagens da Bíblia se encontram referências ao purgatório. Podemos encontrar concretamente nos Evangelhos de Mateus (12, 32); Lucas (12, 59) e na Primeira Carta aos Coríntios (3, 15).
2.- Uma indulgência pode ser oferecida por uma alma no purgatório
Indulgentiarum Doctrina assinala em sua norma número 15 que um católico pode receber uma indulgência plenária por um defunto “em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos, para os que legitimamente usam desses últimos”, seguindo as condições habituais de confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Papa.
No dia 02 de novembro se comemora a Festa de Todos os fiéis defuntos e nesse dia pode-se obter uma indulgência plenária para a alma de um ente querido, família ou amigo.
Santa Catarina de Siena disse que as almas do purgatório, que foram libertadas das suas tristezas nunca se esquecerão dos seus benfeitores na terra e intercederão por eles diante de Deus. Além disso, quando essa pessoa chegar ao céu, elas a receberão.
Suas orações protegem seus amigos dos perigos e os ajudam a superar dificuldades. Santa Catarina de Bolonha, disse em uma ocasião: “Recebi muitos e grandes favores dos Santos, mas muito maiores das Almas Santas (do purgatório)”.
São João Macias era outro santo que tinha muita devoção pelas almas ou almas do purgatório e com as suas orações, especialmente o Rosário, conseguiu libertar 1,4 milhões, segundo ele mesmo afirmava depois de uma revelação divina.
Como retribuição, conseguiu graças extraordinárias e abundantes destas pessoas que chegaram ao Céu graças às suas orações e no momento da morte deste santo peruano, conta-se que foi consolado pelas mesmas almas que ele ajudou a livrar do purgatório.
4.- Os santos escrevem preces pelas almas do purgatório
São Nicolau de Tolentino é conhecido como o patrono das almas do purgatório porque durante sua vida recomendava a oração pelos falecidos no purgatório, obtendo muitas conversões. Vários outros santos escreveram orações pelas almas do purgatório conhecendo o bem que faziam tanto as almas destinatárias das orações como àqueles que recitavam estas orações.
5.- Alguns santos visitaram o purgatório
Santa Faustina Kowalska, a mensageira da Divina Misericórdia, é um exemplo deste grupo de pessoas que estiveram no purgatório ainda em vida e lá comprovaram o que se sabe sobre ele. Ela recebeu a graça de ver o purgatório, o céu e o inferno. Em seus escritos, a santa polonesa conta que uma noite seu anjo da guarda pediu-lhe para segui-lo e ela encontrou-se em um lugar cheio de fogo e almas que sofriam, entretanto, aquele não era o inferno.
Ela perguntou às almas o que as fazia sofrer mais, e elas responderam que era sentir-se distantes e abandonadas por Deus. Quando ela saiu, ouviu a voz do Senhor que lhe disse: “Minha Misericórdia não quer isso, mas minha Justiça pede por isso”.
6.- A Virgem Maria consola as almas que estão lá
Em sua visão do purgatório Santa Faustina Kowalska também observou que a Virgem Maria visitava as almas que estavam lá e ouviu que estas a chamaram de “Estrela do Mar”.
Por outro lado, a Mãe de Deus teria revelado a Santa Brígida que “qualquer pena, mesmo que seja no Purgatório, se tornaria mais suave e mais fácil de suportar com sua intercessão”.
7.- Existe um museu que recolhe 15 provas sobre a existência do purgatório
Em Roma (Itália), perto do Vaticano, está o Museu das Almas do Purgatório que fica dentro da Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio. Foi criado em 1897 pelo Padre Victor Jouet, um padre francês missionário do Sagrado Coração.
Lá 15 testemunhos e objetos, como livros e roupas, comprovam as “visitas” de almas do purgatório a entes queridos, pedindo-lhes orações para que prontamente pudessem sair de lá.

A oração pelas almas do purgatório revelada a Santa Gertrudes por Jesus

CZY MODLITWA ZA ZMARŁYCH MA SENS

A cada vez que ela a rezasse, Ele poderia libertar mil almas do purgatório

Santa Gertrudes foi uma mística do século XIII que, muito tempo antes das aparições de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, já recebeu a graça extraordinária de viver experiências místicas com o Seu Sagrado Coração.
Em uma das visões místicas que teve ao longo da vida, Santa Gertrudes foi instruída por Jesus a fazer a seguinte oração sabendo que, a cada vez que ela a rezasse, Ele poderia libertar mil almas do purgatório:
Eterno Pai,
ofereço-Vos o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho Jesus,
em união com todas as Missas que hoje são celebradas em todo o mundo;
por todas as santas almas do purgatório,
pelos pecadores de todos os lugares,
pelos pecadores de toda a Igreja,
pelos de minha casa
e de meus vizinhos.
Amém.
https://pt.aleteia.org/2018/11/16/a-oracao-pelas-almas-do-purgatorio-revelada-a-santa-gertrudes-por-jesus/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt 

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

As Indulgências


Santo Rosário, uma obra indulgenciada para sufragar as Almas do Purgatório


Que são as indulgências?

Meditação para o dia 16 de Novembro

Entende-se por indulgência a remissão ou perdão das penas temporais devidas a Deus pelos pecados já perdoados em quanto à culpa, remissão concedida pela Igreja pela autoridade eclesiástica fora do Sacramento da Penitência.
As penas eternas são perdoadas ao pecador que faz penitência, mas nem sempre as penas temporais. Há necessidade de fazer penitência e sofrer um pouco em reparação dos pecados cometidos. Daí a pena temporal pelos pecados. Ora, a Igreja que recebeu o poder de perdoar a pena eterna, muito mais o tem para remir da pena temporal. “Tudo o que ligares na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu”, disse Jesus a Pedro. Na Igreja primitiva os fiéis recebiam grandes penitências pelos seus pecados acusados. Havia penitências públicas bem duras e longas. Jejuns a pão e água por vários dias na semana e por alguns anos. Em crimes mais graves como o homicídio, por exemplo, o penitente fazia doze e mais anos de penitências públicas, algumas das quais bem humilhantes. Nas faltas mais leves, o jejum de quarenta dias (uma quarentena). Depois, com o tempo, atendendo à fraqueza humana e aos tempos, a Igreja permitiu que as penitências públicas fossem substituídas por esmolas, cruzadas, peregrinações e outras obras que serviam para expiação dos pecados. As penas canônicas foram substituídas pelas indulgências concedidas aos que fizessem algumas boas obras ou atos de piedade. Quando eram perdoadas todas as penitências, era a indulgência plenária, e quando uma parte, a indulgência parcial. Assim, quando se diz uma indulgência plenária quer dizer que o fiel lucra um perdão de todas as penitências que deveria fazer pelos seus pecados e os castigos que deveriam merecer suas faltas com penas temporais. Uma indulgência de cem dias, por exemplo, se entende que deveria fazer cem dias de penitências por seus pecados e com uma oração recitada piedosamente ou outra boa obra pode satisfazer esta dívida que tem para com Deus.
A indulgência é uma espécie de absolvição das penas temporais, é uma anistia do Soberano Juiz de nossas almas. Não se poderia dizer propriamente que a indulgência é a remissão das penas canônicas, mas uma remissão verdadeira da pena com que Deus castiga o pecado. Não dispensa a penitência e nem a confissão humilde de nossos pecados.
Há muita noção errada sobre as indulgências. Assim, muita gente pensa que ganhar indulgências, por exemplo, de trezentos dias é perdoar trezentos dias de purgatório, ou uma indulgência plenária importa numa remissão total das chamas expiadoras. Também não significa que ao ganhar duzentos ou quinhentos dias de indulgências pelas almas do purgatório lhes aliviamos outros tantos dias de sofrimento. Esta medida do tempo da expiação é o segredo de Deus e depende muito do fervor e das disposições de quem lucra as indulgências.
A Igreja, pelos méritos superabundantes de Jesus Cristo e os méritos de Maria e dos Santos, e pelo tesouro das boas obras dos justos, aplica para o bem dos fiéis neste mundo e para alivio das almas do purgatório as indulgências.

Vantagens das Indulgências

Todo pecado trás como consequência duas coisas: a culpa e a pena. Pela verdadeira contrição e pelo sacramento da Penitência, ficam perdoadas as culpas e a pena eterna. Deus nos perdoa e nos livra da condenação eterna. Todavia, fica-nos o dever da penitência e da reparação do mal que cometemos. Fica uma dívida que devemos pagar à Justiça de Deus, neste mundo ou no purgatório, se a dor destes pecados não foi tão grande que tudo tivesse remido. Pelas indulgências podemos diminuir e até pagar toda esta pena temporal. Tiramos do tesouro da Igreja, formado pelo Sangue de Cristo, os méritos, e de Maria e dos Justos, o que precisamos para o pagamento de nossas enormes dívidas. É o que demonstram os teólogos.
A Igreja, todavia, nunca ensinou que as indulgências nos dispensassem de fazer penitência e levar a cruz da mortificação. Com umas poucas orações e boas obras, quantas graças não podemos obter para nós e para os fiéis defuntos?
Três coisas são necessárias para se ganharem indulgências: o estado de graça — em estado de pecado grave não se lucram indulgências. A intenção de lucrar as mesmas. Para isto basta a intenção virtual e podemos já fazer pela manhã a intenção de lucrarmos todas as indulgências anexas às orações e boas obras que praticarmos naquele dia. E, finalmente, é mister praticar as obras prescritas, por exemplo, rezar tais e tais orações, visitas às igrejas, etc. Ora, já pelas suas condições vemos que as indulgências são de grande vantagem para quem as deseja lucrar, pois obriga-o a levar uma vida de estado de graça e procurar se aperfeiçoar sempre para poder lucrá-las com mais segurança. O estímulo das indulgências leva os fiéis a muitas obras meritórias. Para lucrar a indulgência plenária é mister a confissão e a Santa Comunhão e orar nas intenções do Soberano Pontífice, além das orações ou obras prescritas para lucrá-las. Não é um estímulo para a prática dos Sacramentos, e para que tenhamos sempre a consciência limpa? Não percamos o tesouro das indulgências que é riquíssimo na Santa Igreja. A condição da confissão e comunhão para lucrar a indul-gência plenária se satisfaz com a confissão semanal ou de quinze em quinze dias, excetuadas as indulgências do Jubileu do Ano Santo, que exigem uma confissão e comunhão especiais para lucrá-las.
O zelo pelas indulgências leva o cristão a ter sempre seu coração livre do pecado e fazer penitência, porque bem sabe, que quanto mais pura for nossa alma diante de Deus, tanto mais méritos pode obter e salvar muitas almas do purgatório.
E demais, quantas penitências não deveríamos fazer por tantos e tão grandes pecados que cometemos em nossa vida! Aproveitemos o tesouro das indulgências que irão descontando nossas enormes dívidas, e além do mais, socorrendo tantas pobres almas sofredoras no purgatório. Seremos muito bem recompensados por este grande ato de caridade. Quantas vantagens, pois, nas indulgências! E como se perdem e se desprezam tamanhos tesouros!

Indulgências pelos fiéis defuntos

Podemos lucrar indulgências pelos nossos mortos? — Diz Santo Tomás de Aquino com a sua autoridade de Doutor da Igreja:
“Não há razão alguma para que a Igreja, que pode transferir os méritos dos vivos, não possa também transferi-los aos mortos, pois Santo Agostinho ensina que as almas dos que morreram na amizade de Deus não são separadas da Igreja”
Muito antes de Santo Tomás o Concilio de Arraz ensinou esta doutrina:
“É preciso não acreditar que a penitência aproveita só aos vivos e não aos defuntos”
Muitos doutores da Igreja, como São Gregório Magno nos seus Diálogos, e outros mais antigos, ensinam esta consoladora doutrina que vem dos primeiros séculos da Igreja.
As indulgências podem, pois, servir aos vivos e aos mortos. Em linguagem teológica podem ser aplicadas aos vivos e aos defuntos. Santa Madalena de Pazzis aproveitava quantas indulgências podia lucrar pelos defuntos. Deus a recompensou com uma miraculosa visão. Uma das suas irmãs, muito virtuosa, acabava de falecer e fôra condenada ao purgatório. Santa Madalena se pôs a rezar e ganhar indulgências pela defunta. Havia quinze horas que a morta havia comparecido diante de Deus, quando apareceu à Santa e lhe disse, toda bela e resplandecente: Adeus, ó minha irmã querida!
“Ó alma feliz, exclama Santa Madalena, como é grande a vossa glória! Como foi curto vosso purgatório! Vossos restos mortais ainda não foram sepultados e já entrastes na eterna pátria!”
Nosso Senhor revelou à grande Santa que esta alma deveria ter um longo purgatório, mas se livrou em tão pouco tempo pelas indulgências que ela havia lucrado pela defunta.
Conta-se na Vida de Santa Teresa, a Matriarca do Carmelo, um fato consolador. Uma Carmelita de uma vida muito simples e que em nada se distinguia das outras, veio a falecer, e a Santa a viu subir ao céu com grande glória pouco tempo depois da morte, de sorte que teria tido talvez um brevíssimo purgatório. E como Teresa revelasse grande surpresa com isto, Nosso Senhor lhe disse que aquela religiosa sempre teve grande respeito pelas indulgências da Santa Igreja e durante toda vida sempre se esforçou por ganhar o maior número que lhe foi passível. E isto fez com que tivesse pago a maior parte das suas dívidas para com a Divina Justiça.
Aliviemos os sofrimentos de nossos mortos queridos, procurando ganhar por eles muitas e numerosas indulgências. Grande parte deste tesouro é aplicável às almas. Deus aceita sempre esta satisfação dos vivos pelos mortos, diz o grande teólogo Suarez. Talvez haja para nós dificuldades e obstáculos para lucrarmos indulgências, porém Deus sempre as aceita pelas almas do purgatório.
O Santo Rosário, a Via Sacra, que riqueza de indulgências para os mortos nos oferecem estas duas práticas piedosas! Recitemos jaculatórias indulgenciadas. É tão fácil repeti-las em toda parte e a toda hora! Duplo proveito: nossa união com Deus e alívio das pobres almas. Vamos, pois, cheios de generosidade aproveitar o tesouro das indulgências em favor do purgatório!

Exemplo: O que vale um Requiem

Autores antigos como Dorlandus, na Crônica Cartusiana, e Teófilo Regnaud, em Heter Spirituale — Pars II, Sect. II — narram este fato que por aí às vezes tem sofrido variantes acrescentadas pelo povo:
Um rico senhor, de uma fortuna bem considerável, deixou uma herança para o filho, único herdeiro. Este, muito piedoso, lembrou-se logo da alma do pai e quis sufragá-la generosamente. Logo após o enterro do pai, vai a um mosteiro e oferece uma grande soma ao Prior, rogando muitas orações pelo morto querido. No mesmo instante, os monges se reuniram e o Prior lhes disse:
“Meus irmãos, acaba do falecer e foi hoje sepultado um grande benfeitor deste convento. Oremos por sua alma”
Imediatamente os monges entoaram um “Requiescat in pace”. E o Superior responde: Amen. Logo depois se retiram todos do coro.
O moço, filho do benfeitor, admirou-se de tão pouca oração, após ter oferecido tão grande soma.
“Tão pouco, diz ele ao Prior, por tão generosa ofera?”
O Prior, inspirado por Deus, quis dar uma lição ao jovem e mostrar-lhe o valor da oração. Mandou que os religiosos escrevessem todos num papel estas palavras que rezaram: Requiescat in pace! E depois lho trouxessem. Mandou chamar ao jovem e pôs os papeis num prato de balança, e noutro prato a soma de dinheiro em moedas pesadas, oferecidas pelo benfeitor. Ó prodígio! No mesmo instante o prato da balança pendeu para o lado do papel, com admiração geral. Diante disto, reconheceram todos o quanto vale um Requiescat in pace pelos defuntos. O moço se retirou contente e convencido de que não se podem comparar os bens materiais com os espirituais.
A Bem-aventurada Maria de Quito foi arrebatada em êxtase e viu uma mesa cheia de pedrarias e joias e moedas de ouro. Uma voz lhe dizia: Estas são as riquezas oferecidas a todos. Cada um pode delas se servir como queira. Era uma figura das riquezas espirituais das indulgências que todos podemos juntar e aproveitá-las para nossa alma e principalmente em favor das pobres almas do purgatório.
(BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! 30 Meditações e Exemplos sobre o Purgatório e as Almas. 1948, p. 124-130)
https://rumoasantidade.com.br/tenhamos-compaixao-pobres-almas/16-novembro-indulgencias/

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