sábado, 26 de janeiro de 2019

NÃO ME DEIXASTES MORRER QUANDO ME ACHAVA EM ESTADO DE PECADO

Não me deixastes morrer quando me achava em estado de pecado

Por SANTO AFONSO DE LIGÓRIO
Meu Senhor e Deus de infinita majestade! Envergonho-me de aparecer ante vossa presença. Quantas vezes injuriei vossa honra, preferindo à vossa graça um indigno prazer, um ímpeto de cólera, um pouco de barro, um capricho, um fumo leve! Adoro e beijo vossas santas chagas, que vos infligi com meus pecados. Pelas mesmas espero meu perdão e salvamento. Fazei-me conhecer, ó Jesus, a gravidade da ofensa que cometi, sendo como sois a fonte de todo o bem e eu vos abandonei para saciar-me em águas corruptas e envenenadas. Que me resta de tantas ofensas, senão angústia, remorsos e méritos para o inferno? “Meu pai, não sou digno de chamar-me vosso filho” (Lc 15,21). Não me abandoneis, pai.
Verdade é que não mereço a graça de chamar-me vosso filho. Mas morrestes para salvar-me. Dissestes, Senhor: “Convertei-vos a mim e eu me voltarei para vós” (Zc 1,3). Renuncio, pois, a todas as minhas satisfações. Deixo no mundo quantos prazeres se me podem oferecer e me converto a vós.
Perdoai-me, pelo sangue que derramastes por mim. Senhor, arrependo-me e vos amo sobre todas as coisas. Não sou digno de vos amar, mas vós, que mereceis tanto amor, não desprezeis o amor de um coração que em outro tempo vos desprezava. A fim de que vos amasse, não me deixastes morrer quando me achava em estado de pecado.
Quero amar-vos na vida que me resta, e não amar a nada mais que a vós. Assisti-me, meu Deus; dai-me o dom da perseverança e o vosso santo amor.
Maria, meu refúgio, recomendai-me a Jesus Cristo.
Do livro “Preparação para a morte”
CONSIDERAÇÃO III – PONTO I – AFETOS E SÚPLICAS

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

NA MORTE TUDO ACABA

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Dies mei breviabuntur; et solum mihi superest sepulchrum — “Os meus dias se abreviam, e só me resta o sepulcro” (Iob 17, 1).
Sumário. A felicidade da vida presente é comparada por Davi ao sono de um homem que desperta; porque os bens deste mundo parecem grandes, mas em realidade nada são e duram pouco, como pouco dura o sono e logo se evapora. Já que nos temos que separar um dia desses bens, desprendamo-nos de tudo aquilo que nos afasta ou nos pode afastar de Deus, e não deixemos para amanhã o bem que podemos fazer hoje. Por terem procrastinado o bem, quantos se acham agora no purgatório e quiçá no inferno!
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Davi chama à felicidade da vida presente sonho de um homem que desperta: Velut somnium surgentium(1); porque os bens deste mundo parecem grandes, mas em realidade nada são e duram pouco, assim como pouco dura o sonho e logo se evapora. Este pensamento determinou São Francisco de Borja a dar-se inteiramente a Deus.
O Santo foi encarregado de acompanhar à Granada o corpo da imperatriz Isabel. Quando abriram o caixão, o aspecto horrível e o mau cheiro do cadáver afugentaram toda a gente. Mas Francisco, guiado pela luz divina, deteve-se a contemplar naquele cadáver a vaidade do mundo e exclamou fitando-o: “Sois vós então a minha imperatriz? Sois vós aquela diante de quem se prostravam respeitosos tão notáveis personagens? Ó Isabel, minha senhora, que é feito da vossa majestade, da vossa beleza?”… “É, pois, assim”, concluiu consigo, “que terminam as grandezas e coroas da terra! Quero para o futuro servir um senhor que me não possa ser roubado pela morte.” Desde então consagrou-se inteiramente ao amor de Jesus crucificado, fazendo voto de abraçar o estado religioso, o que depois executou entrando na Companhia de Jesus.
Tinha, portanto, razão certo homem desiludido quando escreveu estas palavras sobre um crânio: Cogitanti vilescunt omnia — “Tudo se afigura desprezível àquele que reflete”. Quem pensa na morte, não pode amar a terra. Mas porque é que há tantos desgraçados que amam este mundo? Porque não pensam na morte. — Filii hominum, usquequo gravi corde (2) — Pobres filhos de Adão, diz o Espírito Santo, porque não arrancais do coração tantas afeições terrenas que vos fazem amar a vaidade e a mentira? O que aconteceu a vossos pais, acontecer-vos-á também. Habitaram eles essa mesma morada, dormiram nesse mesmo leito, e agora não estão mais aí. O mesmo vos acontecerá igualmente.
Meu irmão, cuida em dar-te sem demora todo inteiro a Deus, antes que a morte chegue, não deixes para amanhã o que podes fazer hoje, porque o dia presente passa e não volta mais, e amanhã pode vir a morte que nada mais te deixará fazer. Por causa dessas procrastinações, quantos estão agora no purgatório, e quiçá no inferno? Liberta-te quanto antes do que te afasta ou te pode afastar de Deus. Abandonemos pelo afeto os bens terrestres, antes que a morte no-los venha arrancar à força. —Beati mortui qui in Domino moriuntur(3). Felizes aqueles que, ao morrer, se acham já mortos para as afeições do mundo! Longe de recearem a morte, desejam-na e abraçam-na com alegria, pois, em lugar de os separar dos bens que amam, une-os ao soberano Bem, que é o único objeto do seu amor e que os tornará eternamente felizes.
Meu amado Redentor, agradeço-Vos o terdes esperado por mim. Que seria de mim, se me tivésseis deixado morrer quando estava longe de Vós? Seja sempre bendita a vossa misericórdia e a paciência que durante tantos anos me dispensastes. Agradeço-Vos a luz e a graça com que hoje me favoreceis. Então não Vos amava e pouco se me dava ser amado de Vós. Agora Vos amo de todo o coração, e não sinto maior pena do que a de haver desagradado tanto a um Deus tão bom.
Meu doce Salvador, porque não morri mil vezes antes de Vos ter ofendido! Tremo só ao pensar que no futuro Vos posso ofender ainda. Fazei-me morrer da morte mais cruel, antes que eu perca de novo a vossa graça. Fizestes-me tantas graças que não pedia, que já não receio me negueis a que Vos peço agora. Não permitais que Vos perca; dai-me o vosso amor e nada mais desejo. — Maria, minha esperança, intercedei por mim. (II 13.)
  1. Ps. 72, 20.
    2. Ps. 4, 3.
    3. Apoc. 14, 13.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III – Santo Afonso

DA MEDITAÇÃO DA MORTE

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Mui depressa chegará teu fim neste mundo; vê, pois, como te preparas: hoje está vivo o homem, e amanhã já não existe. Entretanto, logo que se perdeu de vista, também se perderá da memória. Ó cegueira e dureza do coração humano, que só cuida do presente, sem olhar para o futuro! De tal modo te deves haver em todas as tuas obras e pensamentos, como se fosse já a hora da morte. Se tivesses boa consciência não temerias muito a morte. Melhor fora evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã? O dia de amanhã é incerto, e quem sabe se te será concedido?
Que nos aproveita vivermos muito tempo, quando tão pouco nos emendamos? Oh! nem sempre traz emenda a longa vida, senão que aumenta, muitas vezes, a culpa. Oxalá tivéssemos, um dia sequer, vivido bem neste mundo! Muitos contam os anos decorridos desde a sua conversão; freqüentemente, porém, é pouco o fruto da emenda. Se for tanto para temer o morrer, talvez seja ainda mais perigoso o viver muito. Bem-aventurado aquele que medita sempre sobre a hora da morte, e para ela se dispõe cada dia. Se já viste alguém morrer, reflete que também tu passarás pelo mesmo caminho.
Pela manhã, pensa que não chegarás à noite, e à noite não te prometas o dia seguinte. Por isso anda sempre preparado e vive de tal modo que te não encontre a morte desprevenido. Muitos morrem repentina e inesperadamente; pois na hora em que menos se pensa, virá o Filho do Homem (Lc 12,40). Quando vier àquela hora derradeira, começarás a julgar mui diferentemente toda a tua vida passada, e doer-te-á muito teres sido tão negligente e remisso.
Quão feliz e prudente é aquele que procura ser em vida como deseja que o ache a morte. Pois o que dará grande confiança de morte abençoada é o perfeito desprezo do mundo, o desejo ardente do progresso na virtude, o amor à disciplina, o rigor na penitência, a prontidão na obediência, a renúncia de si mesmo e a paciência em sofrer, por amor de Cristo, qualquer adversidade. Mui fácil é praticar o bem enquanto estás são; mas, quando enfermo, não sei o que poderás. Poucos melhoram com a enfermidade; raro também se santificam os que andam em muitas peregrinações.
Não confies em parentes e amigos, nem proteles para mais tarde o negócio de tua salvação, porque mais depressa do que pensas te esquecerão os homens. Melhor é providenciar agora e fazer algo de bem, do que esperar pelo socorro dos outros. Se não cuidas de ti no presente, quem cuidará de ti no futuro? Mui precioso é o tempo presente: agora são os dias de salvação, agora é o tempo favorável (2Cor 6,2). Mas, ai! Que melhor não aproveitas o meio pelo qual podes merecer viver eternamente! Tempo virá de desejares, um dia, uma hora sequer, para a tua emenda, e não sei se a alcançarás.
Olha, meu caro irmão, de quantos perigos te poderias livrar e de quantos terrores fugir, se sempre andasses temeroso e desconfiado da morte. Procura agora de tal modo viver, que na hora da morte te possas antes alegrar que temer. Aprende agora a desprezar tudo, para então poderes voar livremente a Cristo. Castiga agora teu corpo pela penitência, para que possas então ter legítima confiança.
Ó louco, que pensas viver muito tempo, quando não tens seguro nem um só dia! Quantos têm sido logrados e, de improviso, arrancados ao corpo! Quantas vezes ouviste contar: morreu este a espada; afogou-se aquele; este outro, caindo do alto, quebrou a cabeça; um morreu comendo, outro expirou jogando. Estes se terminaram pelo fogo, aqueles pelo ferro, uns pela peste, outros pelas mãos dos ladrões, e de todos é o fim a morte, e, depressa, qual sombra, acaba a vida do homem (Sl 143,4).
Quem se lembrará de ti depois da morte? E quem rogará por ti? Faze já, irmão caríssimo, quanto puderes; pois não sabes, quando morrerás nem o que te sucederá depois da morte. Enquanto tens tempo, ajunta riquezas imortais. Só cuida em tua salvação, ocupa-te só nas coisas de Deus. Granjeia agora amigos, venerando os santos de Deus e imitando suas obras, para que, ao saíres desta vida, te recebam nas eternas moradas (Lc 16,9).
Considera-te como hóspede e peregrino neste mundo, como se nada tivesses com os negócios da terra. Conserva livre teu coração, e erguido a Deus, porque não tens aqui morada permanente. Para lá dirige tuas preces e gemidos, cada dia, com lágrimas, a fim de que mereça tua alma, depois da morte, passar venturosamente ao Senhor. Amém.
Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

sábado, 12 de janeiro de 2019

O PAI NOSSO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO


Um dia em que Santa Matilde havia acabado de comungar e oferecer a Deus a Hóstia Preciosíssima, a fim de que Ela servisse para a libertação das almas do Purgatório, com a remissão de seus pecados e a reparação de suas negligências, ouviu o Senhor dizer-lhe:
Santuário Mariano de Einsiendeln
“Reze por elas um Pai Nosso em união com a intenção que eu tive, ao tirá-lo do Meu Coração, a fim de ensiná-lo aos homens”.
Ao mesmo tempo, a inspiração Divina desvendou à Santa as intenções (cuja fórmula sucinta está nesta página).
E quando Santa Matilde acabou de rezar o Pai Nosso nessas intenções, ela viu uma grande multidão de almas, rendendo graças a Deus pela sua libertação do Purgatório, numa alegria extrema. A cada vez que a Santa rezava essa oração, via uma legião de almas subindo para o Céu.
O pedido da récita desta oração foi repetido a uma senhora suíça em 1968, no Santuário Mariano de Einsiedeln.
Socorramos as pobres almas do Purgatório, que nada podem para si mesmas, a não ser sofrer, esperando pelos nossos sufrágios, rezar por nós e serem gratas.
(uma versão deste Pai Nosso acrescenta uma jaculatória após cada trecho da oração, porém esta é a versão mais original)
  PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU… Eu vo-lo peço, ó Pai Eterno, que perdoeis às almas do Purgatório por não Vos terem amado, nem rendido toda a honra que Vos é devida a Vós, seu Senhor e Pai, que só por pura graça as adotastes como filhas. E elas, no entanto, por causa de seus pecados, Vos expulsaram de seu coração onde desejáveis sempre habitar. Em reparação desses pecados por elas cometidos, eu Vos ofereço todo o amor e toda a veneração que o Vosso Filho feito Homem Vos testemunhou ao longo de toda a Sua vida terrestre, e eu Vos ofereço todas as ações de penitência e de satisfação pelas quais Ele apagou e expiou os pecados dos homens.
SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME… Eu Vos suplico, ó Eterno PAI, que perdoeis às almas do Purgatório, por não terem honrado dignamente o Vosso Santo Nome, por terem-No pronunciado freqüentemente em vão e terem-se tornado, pela sua vida de pecado, indignas do nome de cristão. Em reparação desses pecados por elas cometidos, eu Vos ofereço toda a honra que o Vosso Filho bem-amado rendeu ao Vosso Nome, por Suas palavras e obras, ao longo de toda a Sua vida terrestre.
VENHA A NÓS O VOSSO REINO… Eu Vos rogo, ó Eterno PAI, perdoar as almas do Purgatório, por não terem sempre procurado nem desejado o Vosso Reino com bastante zelo, este Reino que é o único lugar onde reinam o verdadeiro repouso e a eterna PAZ. Em reparação desta indiferença em praticar o bem, eu Vos ofereço o Santíssimo desejo com o qual o Vosso Filho desejou que, também elas, fossem as herdeiras do Seu REINO.
SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU… Eu Vos rogo, ó Eterno PAI, que perdoeis às almas do Purgatório por não terem submetido a sua vontade própria à Vossa, nem terem procurado fazer a Vossa Vontade acima de todas as coisas. Em reparação dessa desobediência, eu Vos ofereço a perfeita conformidade do Coração pleno de Amor do Vosso Divino Filho, com a Vossa Santa Vontade, e a submissão que Vos testemunhou, obedecendo-Vos até à morte de cruz.
O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE… Eu Vos rogo ó Eterno PAI, perdoar às almas do Purgatório por não terem recebido a SAGRADA COMUNHÃO com bastante desejo, por terem-Na freqüentemente recebido sem recolhimento e sem amor, até mesmo indignamente, e ainda terem negligenciado em recebê-La. Em reparação de todos esses pecados, eu Vos ofereço a eminente Santidade e o grande Recolhimento de Nosso Senhor JESUS CRISTO, assim como o ardente AMOR com que Ele nos fez este incomparável Dom. Eu Vos rogo ainda por aquelas almas que comungaram sem fé, sem gesto de adoração, não cuidando das migalhas da Hóstia, com roupas indecentes ou até provocadoras, sem terem se confessado, com pecados mortais. Eu Vos rogo, igualmente, pelas almas dos protestantes que rejeitaram este Augusto Sacramento, e agora o lamentam no meio das chamas. Compadecei-Vos delas, suscitando em mim, em seu lugar, a Fome Eucarística.
PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TÊM OFENDIDO… Eu Vos rogo, ó Eterno Pai, perdoar às almas do Purgatório, de terem se tornado culpadas, sucumbindo aos pecados mortais e por não terem querido nem amar nem perdoar a seus inimigos. Em reparação desses pecados, eu Vos ofereço a oração cheia de amor que, na cruz, o Vosso Divino Filho Vos dirigiu em favor de Seus inimigos.
NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO… Eu Vos rogo, ó Eterno Pai, perdoar as almas do Purgatório, por não terem freqüentemente resistido às tentações e às paixões e seguido o inimigo de todo o Bem,  e de terem-se abandonado às concupiscências da carne. Em reparação de todos estes pecados em suas múltiplas formas dos quais se tornaram culpadas, eu Vos ofereço a gloriosa Vitória que Nosso Senhor Jesus Cristo obteve sobre o mundo, assim como a Sua Santíssima Vida, Seu trabalho e Suas penas, Seu sofrimento e morte crudelíssima.
MAS LIVRAI-NOS DO MAL e de todos os castigos, em virtude dos méritos de Vosso Filho bem-amado, e conduzi-nos, assim como as almas do Purgatório, ao Vosso Reino de Glória que sois Vós mesmo.
AMÉM!
Extraído do folheto “O Pai Nosso das Almas do Purgatório” Pedidos: Editora da Divina Misericórdia Rua Campinas, 475 Esplanada Belo Horizonte-MG 30280-090

Oração às Almas


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Almas Benditas do Senhor, vós que estais na intimidade de Deus nosso Pai e ansiosas aguardais a hora abençoada em que as portas do céu se abram para vós, ouvi a nossa súplica.
Vós, que no convívio com os homens experimentastes as angústias e as aflições desta terra e hoje estais na expectativa de gozar da mais plena felicidade da vossa união com Deus, pedi ao Pai alívio para os nossos sofrimentos e coragem para prosseguirmos em nossa caminhada para a casa do Pai.
Vós, que nesta vida colocastes vossa mão trêmula e fraca na mão forte e segura de Jesus Cristo, que caminhastes lado a lado com Ele através dos anos da vida terrestre e que hoje estais na feliz companhia do Nosso Salvador junto ao Pai, fazei que o Coração de Jesus infunda confiança e paz em nosso coração e ilumine nosso espírito com sua divina sabedoria para que possamos caminhar tranqüilos nas estradas tortuosas desta vida até juntarmo-nos a Vós no banquete celeste com a Virgem Maria e com todos os Santos. Amém.
Almas santas e benditas, rogai a Deus por nós, que rogaremos a Deus por vós; alcançai para nós os favores que vos suplicamos… e que Deus vos dê repouso e luz eterna. Amém.

Oração pelas Almas


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Senhor Jesus,dignai-vos, pelo sangue precioso que derramastes no Jardim das Oliveiras, socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a mais desamparada. Levai-a hoje para o céu, a fim de que, unida aos Anjos e à vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amém

Senhor Jesus, pelo sangue precioso que derramastes durante vossa flagelação, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que em vida me fez mais benefícios. Levai-a hoje para o céu, a fim de que,unida aos Anjos e à vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amém.

Senhor Jesus, pelo sangue precioso que derramastes durante vossa coroação de espinhos, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que mais amou a Santíssima Virgem. Levai-a hoje para o céu, a fim de que unida aos Anjos e à vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amém.

Senhor Jesus, pelo sangue precioso que derramastes carregando vossa cruz,dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório,principalmente a que sofre pelos maus exemplos que lhe dei. Levai-a hoje para o céu, a fim de que unida aos Anjos e à vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amém.

Senhor Jesus, pelos merecimentos do sangue precioso contido no cálice que apresentastes a vossos apóstolos depois da Ceia, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que foi mais fervorosa com o Santíssimo Sacramento do Altar. Levai-a hoje para o céu, a fim de que unida aos Anjos e à vossa Mãe Santíssima, vos bendiga para sempre. Amém.

Senhor Jesus, pelos méritos do sangue precioso que emanou de vossas chagas,dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente aquela a quem me confiastes na terra. Levai-a hoje para o céu, a fim de que unida aos anjos e à vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amém.

Senhor Jesus, pelos méritos do sangue precioso que saiu do vosso sagrado Coração, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que mais propagou o culto do vosso Sacratíssimo Coração. Levai-a hoje para o céu, a fim de que unida aos Anjos e à vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amém.

Senhor Jesus, pelos merecimentos de vossa adorável resignação sobre a Cruz, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que mais padece por minha causa. Levai-a hoje para o céu, a fim de que unida aos Anjos e à vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amém.

Senhor Jesus, pelos méritos das lágrimas que a Santa Virgem derramou aos pés de vossa cruz, dignai-vos socorrer e livrar as almas do Purgatório, principalmente a que vos é mais cara.Levai-a hoje para o céu, a fim de que, unida aos Anjos e à Vossa Mãe Santíssima, ela vos bendiga para sempre. Amém.

DEVOÇÃO ÀS ALMAS DO PURGATÓRIO




Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do Céu. (Catecismo da Igreja Católica, nº 1030)


“Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar” (Jo 9,4).

Com essas palavras, o Salvador nos ensina que apenas enquanto vivemos podemos acumular méritos, e que além do túmulo não podemos fazer nada para merecer a vida eterna. Nem toda alma que sai deste mundo com a graça santificante possui a perfeição que o Senhor exige: “Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Muitos morrem tendo apenas uma orientação para Deus, mas ainda portadores de inclinações desregradas e resquício do pecado. Nesse caso, Deus, por Sua infinita misericórdia, nos dá a possibilidade de nos purificarmos. Desta possibilidade fala Jesus, quando adverte contra o pecado que “não alcançará perdão nem neste século, nem no século vindouro” (Mt 12,32), ou quando fala da prisão, da qual “não sairá antes de ter pago o último centavo” (Mt 5,26).
Como ajudar as almas?

1. oração. É o meio mais fácil, acessível a todos, sem exigência de lugar ou horário. Mesmo durante nosso trabalho, nada impede que elevemos nosso pensamento a Deus e façamos uma breve oração pelos mortos.

2. esmola. A esmola, dada na intenção das almas, beneficia três pessoas: o necessitado que a recebe, a pessoa que a dá, e as almas em cuja intenção se dá.

3. mortificação. Pequenas renúncias, como: privar-se de uma sobremesa, reter um olhar inútil de curiosidade, evitar uma palavra desnecessária, ter paciência com uma pessoa inoportuna, suportar o frio ou calor sem reclamar, etc.

4. indulgências. Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa (perdão alcançado quando o fiel, nas devidas disposições de contrição, recorre ao Sacramento da Confissão). A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados. Qualquer fiel pode lucrar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos como sufrágio. Vejamos como é simples: Muitas devoções nos alcançam indulgências parciais (antigamente indicadas por dias), como por exemplo a jaculatória: “Jesus, Maria, eu Vos amo, salvai almas!”. Além disso, há três situações em que recebemos indulgência parcial:

– quando, no cumprimento de nossos deveres e na tolerância das aflições da vida, erguemos o espírito a Deus com humilde confiança, acrescentando alguma piedosa invocação, mesmo que só em pensamento;

– quando, levados pelo espírito de fé, com coração misericordioso, dispomos de nós mesmos e de nossos bens no serviço dos irmãos que sofrem falta do necessário;

– quando nos abstemos de coisa lícita e agradável, em espírito espontâneo de penitência.

Outras práticas nos oferecem indulgências plenárias (só se ganha uma indulgência plenária por dia):

– adoração ao Santíssimo Sacramento por pelo menos meia hora;

– leitura espiritual da Sagrada Escritura ao menos por meia hora;

– piedoso exercício da Via Sacra;

– recitação do rosário de Nossa Senhora na igreja, oratório, na família, na comunidade religiosa, ou em associação piedosa com outras pessoas.

Há também indulgências aplicáveis somente aos defuntos, que se conseguem na primeira semana de novembro, que é o mês das Almas.

Fonte: Guia nº4 da Devoção à Divina Misericórdia

Indulgências de Finados

A indulgência plenária pode ser lucrada em todas as igrejas, do meio dia do dia 1° até o fim do dia 2 de novembro: exige confissão (válida até 20 dias antes ou depois), estado de graça, receber a comunhão; total desapego ao pecado, mesmo venial. Rezar o Pai Nosso e o Credo pela visita à igreja e uma oração à escolha do fiel pelo Santo Padre Bento XVI. Se faltar algum destes requisitos a indulgência será somente parcial. É sempre pelas almas do Purgatório que a Igreja concede as indulgências de Finados. Pela visita ao cemitério, também se lucra indulgência plenária do dia 1º a 8 de novembro. Em vigor todas as determinações acima, menos o rezar o Pai-Nosso e o Credo, orações essas substituídas por qualquer outra oração pelos defuntos, mesmo que mentalmente.

5. Santa Missa. 

É a ação mais preciosa da Igreja; ela é, substancialmente o mesmo sacrifício da Cruz, diferente apenas no modo da oferta, que é incruenta. O valor da missa é, em si mesmo, infinito, porém seus efeitos são aplicados a nós na medida de nossas disposições internas. Quanto às penas temporais que devem ser expiadas após o perdão dos pecados, são perdoados por virtude da santa missa, ao menos parcialmente, se não totalmente: a Santa Missa abre os tesouros da Divina Misericórdia em favor dos pecadores.

https://rosariopermanente.leiame.net/almas/devocao-as-almas-do-purgatorio/

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

"TERÇO PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO (Cópia de um livro franciscano)



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Terço e Ladainha pelas Almas do Purgatório


Na cruz do Terço, reza-se o De Profundis:

Do profundo abismo em que me acho, clamo a Vós, Senhor, ouvi a minha voz!
Sejam Vossos ouvidos atentos à voz de minhas súplicas.
Se olhardes, Senhor, para as nossas iniquidades, quem poderá, Senhor, subsistir em Vossa presença?
Porém, Vós sois cheio de misericórdia e eu espero em Vós, Senhor; por causa da Vossa Lei.
Pus minha confiança no Senhor, e em Sua palavra.
Espere assim todo Israel no Senhor, desde da aurora até a noite.
Porque o Senhor é cheio de misericórdia e nEle se encontra copiosa Redenção.
E Ele mesmo há de remir a Israel de todas as iniquidades.


V. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
R. E a luz perpétua os alumie. Amém.
V. Senhor, ouvi a minha oração.
R. E chegue até Vós o meu clamor!


Pai-Nosso.


Em cada conta grande, reza-se a oração particular de cada dezena e o Oferecimento do precioso Sangue. Em cada conta pequena, reza-se: “Meu Jesus, misericórdia!” ou “Jesus, dai-lhes o descanso eterno!”.


Oferecimento: Pai Eterno, eu Vos ofereço o Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo em expiação dos meus pecados, pela necessidade da Santa Igreja e pelas almas do Purgatório.


Oferecimento de cada dezena com uma intenção particular:
Primeira dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta primeira dezena pelas almas de meus parentes, pelo Sangue preso que derramaste por elas na Vossa agonia no Jardim das Oliveiras.
Segunda dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta segunda dezena pelas almas dos meus benfeitores: pelo Sangue precioso que derramaste por elas na Vossa flagelação.
Terceira dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta terceira dezena pelas almas do Purgatório, especialmente pelas mais aflitas ou abandonadas; pelo Sangue precioso que Vós derramaste por elas, levando a cruz até o Calvário.
Quarta dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta quarta dezena pelas almas de meus amigos, e por todos os que me foram recomendados; pelo Sangue precioso que Vós derramastes por elas na cruz, e pelas dores que Maria, Vossa Santíssima Mãe, sofreu junto de Vossa cruz.
Quinta dezena: Eu Vos ofereço, ó meu Salvador, esta quinta dezena pela alma de meu pai (mãe, qualquer outro ente querido): eu Vos ofereço por esta alma (ou almas queridas) o Sangue precioso e a água sagrada que correram por ela (elas) do Vosso Coração transpassado pela dura lança; pela chaga deste divino Coração, ó meu Jesus, abri-lhe (abri-lhes) a porta do Céu e concedei-me a graça de um dia reunir-me a ela (a elas) para sempre. Amém.


Ao fim do Terço: Pai-Nosso.


LADAINHA PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santa Maria, rogai pelas almas do Purgatório.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
São Miguel,
Santos Anjos e Arcanjos,
Coro dos Espíritos bem-aventurados,
São João Batista,
São José,
Santos Patriarcas e Santos Profetas,
São Pedro,
São Paulo,
São João,
Santos Apóstolos e Santos Evangelistas,
Santo Estêvão,
São Lourenço,
Santos Mártires,
São Gregório,
Santo Ambrósio,
Santo Agostinho,
São Jerônimo,
Santos Pontífices e Santos Confessores,
Santos Doutores,
Santos Sacerdotes e Santos Levitas,
Santos Frades e Santos Eremitas,
Santas Virgens e Santas Viúvas,
Vós todos, Santos amigos de Deus,


Sede-nos propício, perdoai-lhes, Senhor.
Sede-nos propício, ouvi-nos, Senhor.


De seus sofrimentos, livrai-as, Senhor.
Da Vossa cólera,
Da severidade da Vossa justiça,
Do remorso da consciência,
Das tristes trevas que as cercam,
Dos prantos e gemidos,
Pela Vossa encarnação,
Pelo Vosso nascimento,
Pelo Vosso doce nome,
Pela Vossa profunda humildade,
Pela Vossa obediência,
Pelo Vosso infinito amor,
Pela Vossa agonia e Vossos sofrimentos,
Pela Vossa paixão e Vossa Santa cruz,
Pela Vossa Santa ressurreição,
Pela Vossa admirável ascensão,
Pela vinda do Espírito Santo consolador,
No dia do julgamento,


Ainda que sejamos pecadores, nós Vos pedimos, ouvi-nos!
Vós que perdoastes aos pecadores e salvastes o Bom ladrão,
Vós que nos salvais por misericórdia,
Vós que tendes as chaves da morte e do inferno,
Dignai-Vos livrar das chamas nossos parentes, amigos e benfeitores,
Dignai-Vos salvar todas as almas que gemem longe de Vós,
Dignai-Vos ter piedade daqueles que não tem intercessores neste mundo,
Dignai-Vos admiti-los no número de Vossos eleitos,


Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-lhes o descanso eterno. (três vezes)


ORAÇÃO
Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de Vossos servos e de Vossas servas a remissão de todos os pecados, a fim de que, pelas humildes orações da Vossa Igreja, eles obtenham o perdão que sempre desejaram. É o que nós Vos pedimos por elas, ó Jesus, que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.
R. Amém."



domingo, 6 de janeiro de 2019

Tratado do Purgatório de Santa Catarina de Genova

Tratado do Purgatório de Santa Catarina de Genova.


Alguns trechos essenciais do "Tratado do Purgatório"

Via com os olhos da alma e compreendia a condição dos fiéis no Purgatório, eram ali para purificar-se antes de serem apresentados diante de Deus, no Paraíso.

A ferrugem do pecado é o impedimento e o fogo vai consumindo a ferrugem e assim a alma com o passar do tempo vai descobrindo o divino influxo...

Assim a ferrugem (isto é, o pecado) é a cobertura das almas e no Purgatório se vai consumindo pelo fogo e quanto mais consome, mais se corresponde ao verdadeiro sol, Deus. Porém cresce a alegria enquanto diminui a ferrugem e se descobre a alma ao divino raio. E assim um cresce e o outro diminui, até que seja terminado o tempo.

A pena existe, mas somente o tempo de estar nessa pena. E quanto à vontade, não posso dizer que aquelas sejam penas, porque são contentes pela ordem dada por Deus, com a qual é unida a vontade deles na pura caridade.

Têm uma pena tão extrema que não se encontra língua que possa narrar, nem intelecto que possa entender uma mínima cintila, se Deus não lhe mostrasse por graça especial.

Nasce neles um extremo fogo, parecido com aquele do inferno, exceto a culpa, a qual è aquela que faz a vontade maligna aos danados do Inferno, aos quais Deus não corresponde a sua bondade e por isso restam naquela desesperada, maligna vontade contra a vontade de Deus.

Oh! Quanto é perigoso o pecado feito com malicia: porque o homem difficilmente se arrepende e não arrependendo-se, sempre está na culpa, a qual persevera quanto o homem está na vontade do pecado cometido ou a ser cometido!

De quanta importância seja o Purgatório, nem a língua o pode exprimir, nem mente entender, somente que vejo tantas penas como no Inferno e vejo a alma a qual em si sente uma mínima mancha de imperfeição, recebê-lo por misericórdia (como se disse), não fazendo em um certo modo estima, em comparação daquela mancha que impede o seu amor.

Quando a alma, por interior vista, vê-se aproximada a Deus com tanto amoroso fogo, aí por aquele calor do amor do seu doce Senhor e Deus, que sente rebombar na sua mente, tudo se liquefaz.

Vendo a luz divina e como Deus não cessa de aproximá-la dEle e amorosamente a conduz à interar sua perfeição, com tanta cura e contínua provisão e que o faz somente por puro amor.

Vejo ainda proceder daquele divino amor à alma certos raios e lampos, tão penetrantes e fortes, que parecem que devem abater não somente o corpo, mas ainda a alma se fosse possível.

Esses raios fazem duas operações: com a primeira purificam; com a segunda, abatem.

Saiba que aquilo que o homem pensa que em si é perfeição, perante Deus, é defeito: portanto tudo aquilo que tem aparência de perfeição, como as vê, as escuta, as entende, as quer, ou seja, tem uma memória, sem o reconhecimento de Deus, tudo se contamina e se suja.

E’ verdade que o amor de Deus, o qual é abundante na alma (segundo aquilo que vejo) dá uma alegria tão grande, que não se pode exprimir, mas essa alegria às almas que estão no Purgatorio, não cancela nem uma cintila de pena deles.

Isto é, aquele amor é que faz a pena deles e quanto maior a pena quanto maior a perfeição do amor o qual Deus lhes dá.

Me vem vontade de gritar, um grito forte, que amedrontasse todos os homens que estão na face da terra e dizer: Oh míseros, porque vos deixais corromper por este mundo, que não vos dá nada e que na hora da vossa morte, o que vos concederá?

Todos estão cobertos pela esperança da misericórdia de Deus, a qual dizeis ser tão grande, mas não vedes que tanta bondade de Deus vos será em juízo, por ter feito contra a vontade de um tão bom Senhor?

Não ter confiança dizendo: Eu me confessarei e depois terei a Indulgência Plenária e serei naquele ponto purgado de todos os meus pecados e assim serei salvo.

Pensa que a confissão e contrição a qual precisa para essa Indulgência Plenária é muito difícil de conseguir, que se tu o soubesses, tremerias de tanto medo e serias mais certo de não tê-la que de poder conseguir.

Fonte:

Uma Comunhão bem feita é o maior auxílio das Almas do Purgatório



M. — Não há quem ignore a magnitude da obrigação e a suave necessidade que temos de ajudar as benditas almas do Purgatório.
Se neste instante você ouvisse o sinal de alarme e o grito de socorro: Fogo! Incêndio! E o fogo se alastrasse pela casa de seus parentes e amigos, onde houvesse crianças dormindo e velhos enfermos, que faria em tal emergência?
D. — Correria imediatamente a ajudá-los e socorrê-los.
M. — Pois bem, meu querido discípulo: naquela casa que se chama Purgatório existe sempre fogo que está purificando o ouro que amanhã deverá brilhar no céu.
Todas as penas e sofrimentos do mundo nada são em comparação com as penas do Purgatório. A inteligência humana nem sequer consegue imaginá-las e não há pena que possa descrever aqueles tormentos. É a hora da justiça divina.
Unidas às penas dos sentidos estão as penas do dano. . . Reparemos também que aquelas almas não se podem livrar por si mesmas, necessitam e esperam nosso auxílio. Nada podem merecer para o céu, pois que acabou para elas o tempo da misericórdia; tão pouco podem se ajudar reciprocamente, pois todas se encontram na mesma situação.
Somente nós podemos socorrê-las. Por isso elas se recomendam a nós que podemos alumiá-las e libertá-las. Seremos tão cruéis a ponto de permacermos surdos e indiferentes aos seus lamentos?
D. — Que poderemos fazer em favor delas?
M. — O catecismo no-lo diz expressamente. À pergunta: Como podemos ajudar as almas do Purgatório? Responde: Podemos ajudar as almas do Purgatório por meio de orações, jejuns, esmolas, indulgências mas, sobretudo mediante o Santo Sacrifício da Missa. E acrescento eu: Em modo mais fácil e eficaz com a Comunhão frequente e bem feita.
D. — Será certo, Padre? Por quê?
M. — Porque a Comunhão é o complemento natural da Santa Missa. Com a Comunhão fica consumida e destruída a Vítima Divina do Sacrifício. Quando comungamos operamos como concelebrantes da Missa e, por conseguinte podemos dispor da parte que nos toca e que unida à assistência à Santa Missa irá sufragar as almas do Purgatório. Disso resulta que aquele que comunga dispõe de um duplo merecimento em relação àquele que somente ouve a Santa Missa.
D. — Nunca pensei nisso, Padre. Permita mais uma pergunta: Em muitos lugares é costume dar-se a bênção eucarística, logo após a Missa de Réquiem, que acha disso?
M. — Que é ótimo costume, mas diga-me: Qual trono prefere Jesus? O de ouro que está sobre o altar, ou o trono vivo e ansioso de nosso coração?
 D. — É claro que Ele prefere o trono de nosso coração.
M. — Você mesmo, agora poderá julgar como a Comunhão é muito mais excelente do que a benção eucarística, para sufragar as almas do Purgatório.
Santa Teresa no-lo assegura que depois da Comunhão Jesus fica assentado sobre o nosso coração como sobre um trono de graças e nos diz: Que favores quereis de mim?
E se nós lhe respondermos: Ó Jesus, que a luz perpétua brilhe para as almas do Purgatório, certamente Ele não deixará de nos ouvir; e embora sem querer, seria obrigado a libertá-las, pois aquelas almas lhe são muito queridas e uma só gota de Seu Divino Sangue seria suficiente para abrir de par em par todas as portas do Purgatório.
D. — Obrigado, Padre. Sendo portanto, a Comunhão o meio mais seguro para auxiliar as almas do Purgatório é coisa evidente que devemos comungar com a maior frequência, não é verdade?
M. — Quem não vê que a Comunhão frequente revela um amor mais intenso para com Jesus Cristo e, por conseguinte é mais provável que Jesus Cristo ouça mais depressa as nossas orações? Acrescentemos a isso também o tesouro de indulgências que a Igreja prodigaliza aos que comungam frequentemente.
D. — Que quer dizer isso?
M. — Quer dizer que o Santo Padre o Papa Pio X concedeu indulgência plenária e parciais a todos aqueles que comungam cotidianamente, ao menos cinco vezes na semana. E para lucrá-las não é preciso confessar-se vez por vez, mas basta conservar o estado de graça habitual. 
Veja só quantos méritos estão à disposição de todos aqueles que querem auxiliar e libertar as almas do Purgatório, mediante a Comunhão frequente. O ato heroico em favor das almas do Purgatório é muito louvável, no entanto não pode ser comparado à Comunhão frequente; como também não podem ser comparáveis com a Comunhão todas as orações, jejuns, esmolas e outras boas obras que podemos fazer.
D. — Então, Padre, quem comunga frequentemente fica dispensado de todas as outras boas obras com que se pode auxiliar as almas do Purgatório?
M. — Não, absolutamente não quero dizer isso, pois do contrário qual seria a nossa caridade  e justiça?
Talvez por nossa culpa, muitas almas estão ainda sofrendo e nós somos causadores daquelas lágrimas e daqueles suspiros!
Ajudemo-las, portanto, em tudo; usemos de todos os meios; sobretudo perseveremos na prática da Comunhão frequente e bem feita. Recebamos todos os dias Aquele que tem as chaves daquela horrenda prisão.
D. — Padre, é verdade que essas comunhões também redundam em nosso proveito?
M. — Certamente. É o Espírito Santo que no-lo assegura: "Bem-aventurados os que lavam as suas estolas no sangue do Cordeiro"; bem-aventurados os que lavam suas almas no sangue de Jesus Cristo que é a Eucaristia. Se depois de nossa morte tivermos que passar pelo Purgatório, Nosso Senhor nos devolverá tudo quanto tivermos feito em prol das almas do Purgatório. A caridade que tivermos usado reverterá em nosso proveito. Então veremos que não serão lágrimas inúteis nem falazes aromas de flores, nem vela de cera que cairão sobre nós para nos libertar, mas sim, rios de sangue divino, a única coisa capaz de amortecer aquele fogo purificador, aquele que é a porta para a felicidade eterna.

__________
Trecho do livro - Comungai Bem - Pe. Luíz Chiavarino - Edições Paulinas, 3a. Edição,1947a

http://osegredodorosario.blogspot.com/2013/02/uma-comunhao-bem-feita-e-o-maior.html

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

DOUTRINA DO PURGATÓRIO




O purgatório é um local onde ficam as almas que morrem em estado de graça, isto é, sem pecado mortal, mas que tem “penas temporais” ainda a expiar por seus pecados ou algumas imperfeições (ou pecados veniais) que não foram suficientemente purificadas, pois no céu “nada de impuro pode entrar“(Ap. 21, 27).

O Purgatório é uma verdade positivamente revelada por Deus, que não admite dúvida. Disse Jesus, um dia, à multidão de povo que acabava de ouvir o sublime sermão das bem-aventuranças:

“Reconcilia-te com o teu adversário… enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário de entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que, de modo nenhum, sairás dali, enquanto não pagares até o último ceitil” 
(São Mateus V, 25-26).

Jesus acabara de dizer que os seus discípulos deveriam ser o “sal da terra e a luz do mundo” (São Mateus. V, 13), continuando a traçar as normas a seguir para evitar o inferno e chegar ao céu.
“Digo-vos“, diz o Mestre, “que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no céu” (São Mateus V, 20).

Eis o céu bem indicado. O inferno não o é menos: “Se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um de teus membros, do que  todo o teu corpo seja lançado no inferno” (São Mateus V, 29).

Eis como, na mesma instrução (é o mesmo capítulo de S. Mateus), Nosso Senhor trata do Céu, do inferno e do purgatório; pois o texto citado refere-se claramente ao purgatório. Está no texto e no contexto que não se trata de uma simples comparação. De fato, não pode tratar-se de uma prisão imposta pela justiça humana: isto é, da autoridade policial, e o Mestre nem trata disso e nunca tratou; fala do seu reino espiritual.

Aliás, o contexto mostra claramente que não se trata de uma cadeia material – pois Nosso Senhor não teria como afirmar que a pessoa não sairia dali enquanto não pagasse até o último centavo. Trata-se de uma prisão à qual Nosso Senhor tem soberania, é Ele quem manda e decide. Como não pode se tratar do inferno, visto que o inferno é eterno (São Mateus XXV, 41), e não se trata de uma prisão material, trata-se, pois, de uma prisão temporária, onde as almas sofrem, por certo tempo, em expiação de seus pecados; onde são purgadas das faltas leves, que não merecem o inferno, mas impedem de entrar no céu. “Nada de impuro entrará no céu” (Apoc 21, 27).


Outra alusão à existência do purgatório encontramos em I Cor 3, 12-15:
“…Aquele, cuja obra (de ouro, prata, pedras preciosas) sobre o alicerce resistir, esse receberá a sua paga, aquele, pelo contrário, cuja obra, (de madeira, feno, ou palha), for queimada, esse há de sofrer prejuízo; ele próprio, porém, poderá salvar-se, mas como que através do fogo“.

Depois, temos o uso da razão. Para onde iria uma alma que não é bastante santa para ir para o céu e nem bastante santa para ir para o inferno? Ela deve ir para um local de expiação, que é o purgatório. Esse texto não é o único. Existem textos mais claros nos livros que os protestantes retiraram da Bíblia por contradizerem sua doutrina.

O texto mais expressivo sobre a existência do purgatório é o do Livro II dos Macabeus (XII, 43), o qual narra como Judas Macabeu mandou oferecer um sacrifício pelos que haviam morrido na batalha, por exemplo, por expiação de seus pecados: “Judas, tendo feito uma coleta, mandou duas mil dracmas de prata a Jerusalém, para se oferecer um sacrifício pelo pecado. Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição… Santo e salutar pensamento de orar pelos mortos.

Eis porque ele ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres de seus pecados.“

Ora, ser livre de seus pecados, depois da morte, pelo sacrifício expiatório, indica claramente a existência do purgatório.

O Concílio Tridentino (Sess. XXV, D.B. 983), define como verdade de fé a existência do purgatório. Entre outros testemunhas cristãs dos primeiros séculos, escreve Tertuliano:

  “A esposa roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágios todos os dias aniversários de sua morte.” (De Monogamia, 10)

Penas temporais dos pecados

Essa exigência (das penas temporais) é facilmente compreensível, se levarmos em conta o seguinte: quem rouba um relógio ou produz um dano pecuniário a alguém, pode pedir e receber o perdão do respectivo proprietário, mas este exigirá que a ordem anterior seja restaurada ou que o relógio volte ao seu dono. Do mesmo modo, quem difama caluniosamente o seu próximo, pode pedir e receber o perdão deste, mas fica obrigado a restaurar a honra da pessoa ofendida.

Nas Sagradas Escrituras, tenhamos em vista os seguintes casos:

a) Davi, culpado de homicídio e adultério, foi agraciado ao reconhecer o delito; não obstante, teve que sofrer a pena de perder o filho do adultério (cf. 2Sm 12, 13ss);

b) Moisés e Aarão cederam à pouca fé em dados momentos de sua vida; por isso, foram pelo Senhor privados de entrar na Terra Prometida, embora não haja dúvida de que a culpa lhes tenha sido perdoada (cf Nm 20, 12s; 27, 12-14; Dt 34, 4s).


Em outros casos, o perdão é estritamente associado a obras de expiação. Assim o profeta Joel, com a conversão do coração, exige jejum e pranto (cf Jl 2, 12); o velho Tobit ensina a seu filho que a esmola o libertará de todo pecado e da morte eterna (cf. Tb 4, 11s); algo de semelhante é anunciado por Daniel ao Rei Nabucodonosor (cf. Dn 2, 24).

Esclarecimentos:

1. O purgatório não é uma segunda chance para a salvação, como afirmam os desentendidos de plantão. O julgamento do Senhor é único. É preciso entender de uma vez por todas que o purgatório é um estado que a alma já julgada e destinada ao céu, mas que precisa ser purificada, precisa passar.
Muitos desentendidos citam passagens como Ef 1,7 dizendo que não existe uma segunda chance, e de fato não existe. Porém o purgatório não é uma segunda chance:
Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça. (Ef 1,7 )

O Catecismo deixa bem claro que as almas no purgatório possuem a garantia da salvação eterna.Ou seja, uma vez que a alma está no purgatório, o seu destino será unicamente o céu. É apenas uma questão de tempo.

2 – A prática de oração aos mortos não foi “inventada” pela Igreja Católica, que somente a definiu, ou seja, organizou as idéias a seu respeito. Esta prática está descrita já em 2 Mc 12,46.

3 – O “fogo” no purgatório é diferente do “fogo” do inferno. É preciso entender isso com muito cuidado. O sofrimento que a alma passa no inferno é um sofrimento eterno, e portanto de tristeza e de dor. A alma que vai para o inferno nunca terá alívio. Porém o sofrimento que a alma passa no purgatório embora seja grande, é um sofrimento de purificação. Quem lá está, sabe que um dia terá um fim. Os santos da Igreja ensinam que o sofrimento em si é o mesmo. A diferença está no contexto. A alma que está no inferno sabe que aquilo nunca terá fim, enquanto a alma que está no purgatório sabe que em um momento aquele sofrimento terá fim.

4 – O purgatório não é uma passagem obrigatória, mas somente aos que não atingiram a santificação necessária para ver a Deus. É grande o número de pessoas que dizem lutar para ir ao menos ao purgatório, confiando mais na misericórdia Divina que nos seus méritos. Mas sabemos que existem pessoas que podem e vão certamente ver a Deus no céu e por toda eternidade, sem a necessidade do purgatório.

Rezemos pelas almas que padecem no purgatório, pois as nossas orações aliviam e retiram a muitos desse estado de purificação.

Ensinamentos de São Francisco de Sales sobre o Purgatório

1 – As almas alí vivem uma contínua união com Deus.

2 – Estão perfeitamente conformadas com a vontade de Deus. Só querem o que Deus quer. Se lhes fosse aberto o Paraíso, prefeririam precipitar-se no inferno a apresentar-se manchadas diante de Deus.

3 -Purificam-se de forma voluntária, amorosamente, porque assim o quer Deus.

4 – Querem permanecer na forma que agradar a Deus e por todo o tempo que for da vontade Dele.

5 – São invencíveis na prova e não podem terum movimento sequer de impaciência, nem cometer qualquer imperfeição.

6 – Amam mais a Deus do que a si próprias, com amor simples, puro e desinteressado.

7 – São consoladas pelos anjos.

8 – Estão certas da sua salvação, com uma esperança inigualável.

9 – As suas amarguras são aliviadas por uma paz profunda.

10 – Se é infernal a dor que sofrem, a caridade derrama-lhes no coração inefável ternura, acaridade que é mais forte do que a morte emais poderosa que o inferno.

11 – O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá existem são chamas de amor.

( Extraído do livro O Breviário da Confiança, de Mons. Ascânio Brandão, 4a. ed. Editora Rosário, Curitiba, 1981)

Compartilhado do Blog do Padre Marcelo Tenório.

7 fatos sobre o purgatório que você deveria saber

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